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Rival do Barcelona adota tecnologia de ponta para profissionalizar operações e melhorar resultados

Profissionalizar o futebol foi o caminho escolhido pelo Espanyol para tentar bater seu maior rival 

Barcelona x Espanyol
(Shutterstock)

NOVA YORK* - Análises de desempenho ao redor do mundo inteiro levam a crer que transformar clubes de futebol em grandes empresas pode ajuda-los a obter resultados esportivos melhores - eventualmente, até levar a campanhas vitoriosas em campeonatos relevantes. Foi essa aposta que fez o Espanyol, rival catalão do gigante Barcelona, ao adotar o sistema de ERP da Oracle em sua administração financeira.

Clube mais antigo da Espanha, o Espanyol foi fundado em 1.900 e comprado, em 2016, por um acionista chinês que prometeu modernizá-lo com um investimento de 150 milhões de euros. A intenção dos chineses era, com isso, impulsionar sua própria receita com entretenimento – algo que passa inevitavelmente por empolgar torcedores: em outras palavras, vencer. Junto a esse acionista, chegou ao clube Joan Fitó, hoje ocupante do cargo de diretor financeiro (CFO).

“No ano passado chegamos ao sétimo lugar na liga espanhola, o que demonstra em partes a nossa evolução”, disse Fitó, em entrevista ao InfoMoney. “Uma das principais diferenças é que deixamos de tratar nossas finanças como um clube e nos tornamos, neste sentido, uma empresa de futebol”, detalha o executivo.

Dentro dessa estratégia, a nuvem entra como facilitadora das transações financeiras – principalmente dado o fato de que todas as movimentações devem passar por, pelo menos, dois países: Espanha e China. Quando, em uma aquisição de reforços para o time, o jogador vem de uma terceira localidade, o ritmo de uma negociação “analógica” pode inclusive inviabilizar essa contratação.

“Com a solução do ERP, a gestão pode ser feita em tempo real inclusive via dispositivos móveis”, explica o CFO, “diretamente da China”. Segundo ele, o clube “veio do paleolítico”, mas foi possível ganhar 20% de eficiência na contabilidade apenas com a aplicação dos sistemas Oracle na contabilidade. Os próximos passos incluem automatizar outros processos, fora de sua alçada.

Em 2017, o clube registrou receita de 6 milhões de euros, salto impressionante na comparação com os 2 milhões de euros do ano anterior. De acordo com o executivo, parte desta receita veio de ganhos com transmissões televisivas via pay-per-view, mas o controle mais eficiente da administração financeira tem papel relevante neste ganho.  

Agora, o Espanyol, bem como outros clubes da Espanha, têm uma nova missão: levar o público ao estádio. Com capacidade de 40 mil torcedores, o RCDE Stadium abriga, com sorte, 20 mil “periquitos” (nome dado ao aficionado do clube) em bons jogos.

Segundo Fitó, parte disso tem relação com turbulências políticas, tanto relacionadas ao plebiscito Catalão como ao ataque terrorista recente na Rambla no ano passado. Mas há o fator cultural. “Com ajuda de empresas internacionais, como a Oracle e os acionistas chineses, teremos maior visibilidade e conseguiremos globalizar nosso futebol. O objetivo é conseguir jogar na Europa [Champions League], assim melhoraremos o interesse do nosso torcedor”, resume.

 

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