Em negocios / grandes-empresas

Volkswagen, BMW e Mercedes são acusadas de fazer testes de diesel em animais e humanos

Empresas negam envolvimento com o episódio 

Volkswagen
(josefkubes / Shutterstock.com)

SÃO PAULO - Após o escândalo “Dieselgate” em 2015 envolvendo a Volkswagen, a empresa e outras fabricantes alemãs estão sendo acusadas de fazer testes de emissores de poluentes com macacos e humanos, segundo apuração do site americano The New York Times.

Há três anos a Volkswagen admitiu que usava um dispositivo doloso que diminuía o nível de poluição emitida por motores a diesel quando os veículos passavam por testes em laboratórios. O episódio ficou conhecido como "Dieselgate" e gerou um prejuízo bilionário para a fabricante. 

De acordo com o New York Times, em 2014, a discussão sobre os efeitos nocivos de gases de motores a diesel na saúde humana se tornou pauta ao redor do mundo, e os cientistas de um laboratório de Albuquerque, cidade do México, realizaram uma experiência atípica: 10 macacos agachados em câmaras hermeticamente fechadas assistiam desenhos animados para distração enquanto inalavam fumaça proveniente do motor de um Volkswagen Fusca.

Além da Volkswagen, mais duas fabricantes foram citadas como financiadoras do experimento: a Daimler (dona da Mercedes-benz) e a BMW. As empresas alemãs teriam financiado o experimento em uma tentativa de provar que os veículos a diesel com a mais recente tecnologia eram mais limpos do que os outros que já circulavam, segundo o site. A ideia era testar os efeitos na saúde dos macacos, já que a OMS (Organização Mundial da Sáude) classificou as emissões de diesel como cancerígenas em 2012.

O teste teria sido realizado por parte de uma Organização Europeia de Pesquisa em Meio Ambiente e Saúde no setor de transporte (European Research Group on Environment and Health in the Transport Sector (EUGT) fundada pelas fabricantes e pelo grupo Bosch. 

No entanto, os cientistas americanos que conduziram o teste não sabiam que o Fusca fornecido pela Volkswagen estava envolvido no Dieselgate, que estourou no ano seguinte. Ou seja, o carro tinha sido manipulado para produzir níveis de poluição que eram muito menos prejudiciais no laboratório do que nas ruas. Portanto, o site acusa que os resultados do teste “foram deliberadamente manipulados”.

Mas o caso tomou outra proporção, após o jornal alemão Süddeutsche Zeitung afirmar que o mesmo teste feito em macacos usando óxidos de nitrogênio teria sido feito também em 25 humanos com saúde em perfeito estado. A intenção seria também provar que com a tecnologia desenvolvida os gases emitidos por motores a diesel não tinham mais efeitos nocivos á saúde.

O InfoMoney entrou em contato com a Bosch, BMW e Daimler e elas negaram envolvimento no ocorrido.

A BMW afirmou que não participou dos estudos mencionados e distanciou-se de qualquer envolvimento nos experimentos realizados pelo UEGT. “Iniciamos imediatamente uma investigação interna para esclarecer o trabalho e os antecedentes do UEGT. Para isso, estamos em contato intenso com os institutos de pesquisa envolvidos, bem como com outros órgãos independentes, para auxiliar na elaboração de uma avaliação abrangente e bem fundamentada”, disse a empresa em nota.

A Daimler informa que está "expressamente distante do estudo citado e do grupo EUGT". A empresa afirma que ficou chocada com a natureza e extensão dos estudos e sua implementação e condena a experiência. "Embora a Daimler não tenha participado do estudo, iniciamos uma investigação abrangente sobre o assunto. Esta abordagem contradiz nossos valores e princípios éticos", finalizou a empresa. 

A Bosch por sua vez, afirma que dissocia-se de estudos e experiências feitas em animais e humanos. "A Bosch não participou de nenhuma forma nos estudos em questão", diz a nota. A empresa afirma ainda que encerrou a parceria com o EUGT em 2013, e o experimento foi feito depois. 

A Volkswagen afirmou que demitiu seu chefe de relações institucionais Thomas Steg após ele ter assumido que sabia sobre os experimentos que estavam sendo conduzidos em Albuquerque. Dado isso, a empresa informou que segue com uma investigação interna sobre o caso. 

Quer investir melhor o seu dinheiro? Abra uma conta na XP.

 

Contato