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Magazine Luiza opera "como a Apple Store", diz CEO

Executivo diz não acreditar em e-commerce puro e garante que consumidores estão dispostos a pagar mais nas lojas físicas

Frederico Trajano
(Bloomberg)

SÃO PAULO – As compras virtuais não substituirão as lojas físicas, pelo menos não do ponto de vista de Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza. “Não acredito no e-commerce puro, acredito em complementariedade da experiência”, disse o executivo durante o evento Latam Retail Show nesta quinta-feira (31).

A rede varejista acaba de comemorar o término do melhor trimestre da história para as suas operações, com lucro líquido de R$ 72,4 milhões (594,5% superior ao mesmo período no ano passado). No primeiro semestre, o lucro acumulado é de R$ 130,9 milhões. Para o CEO, a experiência multiplataformas é a grande responsável por tamanho sucesso.

Segundo ele, os clientes, mesmo os da classe C – foco da companhia -, estão dispostos até mesmo a pagarem valores diferentes por experiências complementares. “Se eu cobro na loja o mesmo preço do site, a loja tem prejuízo”, explica Trajano.

“O valor da presença física tem que ser cobrado do cliente, e até 5%, 10% a mais, ele paga. Temos essa política dos preços diferentes, e a prova que está dando certo é que nossas lojas físicas crescem 15% enquanto o e-commerce cresce 50%”, completa.

Questionado sobre a possibilidade de as operações virtuais tornarem-se concorrentes das lojas físicas, Frederico explicou a estratégia da Maglu: digitalizar tudo. “Nossas lojas operam que nem uma Apple Store: os funcionários têm smartphones com aplicativos que informam as melhores opções para os clientes. Antes, demoravam uma hora para encontrar a melhor geladeira para um cliente, agora, o aplicativo faz isso em um minuto”, relata.

Ele também fala em empoderamento desses funcionários. Além da autonomia para operar essas tecnologias, os funcionários de loja ganham também espaço para promover suas próprias iniciativas em marketing digital. Cada loja, segundo Trajano, recebe um cartão  pré-pago com verba que deve ser usada exclusivamente em publicidade nas redes sociais.

Otimismo

Para o próximo ano, a Magazine se diz “muito otimista”. Trajano reconhece que seja difícil “mudar o modo” de operação para o de crescimento: “estamos muito machucados da crise”, mas garante: quem não passar a investir, vai perder oportunidade.

As ações da Magazine Luiza (MGLU3) sobem 7,27% nesta quinta-feira (cotação das 13h28), cotadas a R$ 552,42. Com isso, a alta acumulada no ano chega a 421%, embaladas pela verdadeira revolução que a companhia vem implementando em seu modelo de negócios desde 2016 (saiba mais clicando aqui).

 

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