Expert XP 2022

Executivos de três gerações dão ‘receitas de bolo’ para negócio vingar e crescer; veja quais

Carlos Alberto Sicupira, Guilherme Benchimol, Fabricio Bloisi e Pedro Franceschi debateram sobre gestão, empreendedorismo e o futuro do Brasil

Por  Mariana Amaro -

Três gerações de empresários bem-sucedidos se encontraram, nesta quarta-feira (3), em São Paulo: Carlos Alberto Sicupira, 74, fundador da 3G Capital; Guilherme Benchimol, 46, presidente do Grupo XP Inc., Fabricio Bloisi, 41, presidente do iFood, e Pedro Franceschi, 25, cofundador e co-CEO da Brex.

O encontro ocorreu na edição 2022 da Expert XP — para acompanhar as palestras online ou presencialmente, inscreva-se aqui.

A jornalista e escritora Cristiane Correa conduziu a conversa que começou, justamente, sobre a diferença geracional. Para Sicupira, que procura se manter cercado de pessoas mais novas que ele, o melhor lugar para aprender é com quem está criando ou participando de algo novo. “Tem que se atualizar com o jovem. Se for se atualizar com velho, vai se desatualizar”, brincou.

Franceschi, o mais novo entre os convidados, está na ponta oposta. “O jeito mais fácil de você crescer é procurar se cercar de gente que já passou pelo que você vai passar e aprender o que você conseguir deles”, diz.

A tática parece estar dando certo. Pedro Franceschi é cofundador, junto com Henrique Dubugras, da Brex, uma fintech criada em 2017 que ajuda startups a conseguir crédito e se tornou um unicórnio — status que uma startup ganha quando é avaliada em US$ 1 bilhão —, em menos de dois anos de operação. Agora, cinco anos depois, é avaliada em US$ 12 bilhões.

Para empresas como a Brex, que cresceram muito — e em pouco tempo —  um dos maiores desafios é o de se manter relevante e inovadora. De acordo com Guilherme Benchimol, o que pode garantir que a empresa se mantenha no rumo certo é ter a liderança correta e alinhada. “A cúpula da empresa precisa estar alinhada com o longo prazo”, diz.

No iFood, que saiu de uma companhia em uma salinha com dois funcionários para uma companhia com 7.000 colaboradores e milhões de clientes, Bloisi afirma que o mais importante é a cultura. “Muitas pessoas falam da importância da ideia. Eu tive mil ideias. Para mim, o mais importante é a cultura e os valores de se sentir dono”, afirma Bloisi. E continua: “Os melhores anos são os próximos cinco anos e faremos isso com cultura, para inovar e fazer coisas diferentes”.

Franceschi complementa que não basta ter a cultura. É preciso, também, desenhar todos os processos para que isso seja ‘sentido’ na prática. “É preciso criar jeitos simples para aquele ser o comportamento padrão de todo mundo”, diz.

As dores do crescimento

Para Sicupira, ser uma startup tem suas vantagens e desvantagens. O negócio de uma startup é pequeno, tem um propósito claro, tem um dono, é desenvolvido na base da improvisação total e tem a sua administração centrada na escassez.

À medida que a empresa cresce, a escassez diminui, o negócio de dono tende a diminuir. “E aí você começa a pensar que é grande, para de olhar detalhe, dilui o negócio de dono e acaba perdendo”, afirma.

A solução para enfrentar as dores do crescimento, segundo o executivo, seria buscar um negócio de dono, com atitude de startup, porém sem improvisação, com organização e mantendo os objetivos.

“Acho que a XP é um bom exemplo disso: é administrada como um negócio pequeno e de dono. Isso já é a metade do caminho”, afirma Sicupira.

90% investido

Colocar a empresa à frente dos interesses pessoais é um desafio que precisa ser superado para que o negócio se mantenha perene. E para isso, a fila tem que andar, e a sucessão precisa fazer parte da rotina das organizações. “Você tem que querer se livrar da posição e botar alguém melhor para fazer aquilo”, diz Sicupira. Bloisi faz coro: “meu papel é ser substituído. Todos os dias olho para o meu time e penso que todos são melhores que eu”, afirma.

Benchimol, que deixou o cargo de CEO na XP recentemente, após 20 anos, disse que na vida de um CEO existem ” rituais”, e que alguns deles não necessariamente mexem o ponteiro. “Existe uma agenda comercial intensa, fora o acompanhamento do dia a dia. Com isso, estava cada vez menos focado no que mais importa: as pessoas.”

Ter se afastado da rotina executiva da companhia não significa que Benchimol tenha tirado sua atenção da XP. “Eu só invisto em uma empresa: a XP. De tudo que eu tenho, 90% são ações da companhia. Não tenho fazenda, nenhum outro investimento”, afirma.

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