Banco corta projeções para Vale e lança pergunta: “quando é hora de jogar a toalha?”

Analistas do Brasil Plural apontam momento difícil para o setor, em meio à derrocada do preço do minério de ferro, mas reforçam que valuationa da empresa ainda compensa

Paula Barra

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SÃO PAULO – Mais um banco cortou as projeções para a Vale (VALE3; VALE5) nesta terça-feira (24). Depois do Credit Suisse, desta vez, o Brasil Plural revisou para baixo suas estimativas para a empresa em meio à derrocada do preço do minério de ferro. A estampada preocupação com o preço da commodity, no entanto, não deixa esconder que os analistas ainda têm sinalizado um certo cuidado antes de apontar um cenário de fato ruim para a companhia nos próximos anos. 

Em relatório divulgado hoje, os analistas do banco Renato Antunes, Milton Sullyvan e Paulo Valaci questionam: “é a hora de jogar a toalha para as ações da Vale?”. Para eles, mesmo com as notícias/momentum se deteriorando, o valuation da empresa ainda compensa. A recomendação para a mineradora segue em overweight (desempenho acima da média). “O que poderia nos provar que estamos errados é se as licenças ambientais se tornarem uma preocupação para as mineradoras brasileiras”, ponderam. 

Em função do cenário difícil para o setor, que após anos de temor, a superoferta de minério de ferro, de fato, se materializou este ano – implicando em uma forte correção do preço da commodity -, os analistas do Brasil Plural cortaram suas projeções para o preço do minério de ferro. Eles consideram agora um preço para o minério de ferro entre US$ 80 e US$ 90 a tonelada de 2015 a 2017, contra US$ 90 e 100 anteriormente. No longo prazo, a expectativa é de US$ 90 a tonelada. Em função da mudança, eles reduziram também o preço-alvo para os papeis da companhia para o final deste ano. O target agora é de R$ 36,50 por ação, 9% abaixo do projetado anterioremente. 

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“Enquanto a China for o principal driver para o case de investimento em Vale, as mudanças políticas no Brasil não devem ser negligenciadas”, disseram os analistas. Após as eleições deste ano, uma política ambiental mais rigorosa deve ser monitorada com cuidado entre os investidores, apontam.