Appian Capital amplia embarques de níquel e cobre em 48% no início de 2023

Fundo investe em duas minas no país e fez a exportação das commodities minerais avançar de janeiro até a primeira quinzena de março

Rikardy Tooge

Mineração Vale Verde (MVV), produtora de cobre da Appian em Alagoas (Divulgação)

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A Appian Capital Brazil, braço brasileiro do fundo especializado em mineração fundado em Londres, ampliou em 48% seus embarques de commodities minerais neste começo de 2023 em relação ao ano anterior, chegando a 40,2 mil toneladas embarcadas entre janeiro e a primeira quinzena de março.

O fundo investe duas mineradoras no país: a Atlantic Nickel (ATN), que retira níquel no sul da Bahia, e a Mineração Vale Verde (MVV), com operação de cobre em Alagoas.

Milson Mundim, CFO da Appian Capital Brazil, afirma que o avanço nos embarques é resultado da estratégia do fundo de investir em minas em estágio inicial e que estavam paradas por falta de recursos para operar em sua capacidade máxima. No ano passado, os ativos foram responsáveis por exportar 196 mil toneladas de cobre e níquel.

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“São poucos fundos de private equity que investem na mineração, especialmente complexidade dos projetos. Nós temos um time que precisa conhecer do segmento e são projetos com retorno mais longo, de cinco até dez anos para finalizar o investimento”, lembra Mundim ao InfoMoney.

Para este ano, a expectativa da Appian Capital Brazil é de aumentar as exportações em 8%, com as minas já operando em capacidade máxima. A parte positiva, reforça o CFO, é que a Appian possui contratos offtake, em que a produção dos metais já está vendida por cinco anos. América do Norte, Europa Ocidental e China são os principais destinos.

O contrato garante certa previsibilidade de receita, embora o preço de tela das commodities variem durante o ano. Os futuros de cobre e níquel estão em desaceleração em relação a igual período do ano passado. Enquanto o cobre, muito ligado a indicadores macroeconômicos, apresenta retração de 13% na Nymex, o níquel recua 28,5% na Bolsa de Londres. Mas, em uma janela maior, de cinco anos, os preços dos metais apresentam alta de 32,3% e 52,9%, respectivamente.

Milson Mundim, CFO da Appian Capital (Divulgação)
Milson Mundim, CFO da Appian Capital: ativos geram interesse, mas fundo não tem pressa para negociar (Divulgação)

“São commodities com demanda firme, em especial se analisarmos a tese do níquel. É um metal que será importante para a transição energética, para a produção de baterias. É uma tese secular e estamos bem posicionados”, afirma Milson Mundim.

Segundo o executivo, a Atlantic Nickel é a única mina brasileira que fornece o níquel de classe 1, considerado o mais adequado para a produção de baterias.

Para o longo prazo, o CFO da Appian diz que não é possível determinar quando ocorrerão os desinvestimentos dos ativos – movimento natural neste tipo de negócio. Mundim diz que ocorrem sondagens, mas que nenhuma conversa avançou ainda.

“As minas sempre atraem o interesse, até porque tiramos projetos que estavam em estágio greenfield ou paralisado para a plena capacidade. Outro ponto é que o Brasil tem muito potencial a ser explorado, enquanto Europa e América do Norte estão com suas reservas se esgotando”, lembra.

Em 2021, a Appian chegou a negociar a ATN e da MVV com a Sibanye-Stillwater pelo valor de US$ 1 bilhão. No entanto, a a mineradora sul-africana decidiu romper o contrato unilateralmente e o caso está sendo discutido na Justiça do Reino Unido.

Rikardy Tooge

Repórter de Negócios do InfoMoney, já passou por g1, Valor Econômico e Exame. Jornalista com pós-graduação em Ciência Política (FESPSP) e extensão em Economia (FAAP). Para sugestões e dicas: rikardy.tooge@infomoney.com.br