“A Rússia não é mais um amigo ou um parceiro confiável”, afirmou Olaf Scholz

Em evento fechado acompanhado pela reportagem de InfoMoney, o chanceler alemão falou sobre o seu 'escudo defensivo' e transição energética

Mariana Amaro

Olaf Scholz, chanceler da Alemanha, discursou em evento da Siemens (Foto: Mariana Amaro)

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“A Rússia não é mais um amigo ou um parceiro confiável para o fornecimento de energia”. A declaração foi feita por Olaf Scholz, chanceler da Alemanha, em evento fechado acompanhado pela reportagem de InfoMoney, em Berlim, na Alemanha, por ocasião do aniversário da gigante de tecnologia Siemens.

Durante um breve discurso, Scholz citou a história da companhia, que fabricou alguns dos primeiros carros elétricos, cerca de 100 anos atrás e celebrou a adesão da companhia às sanções contra Moscou.

A multinacional alemã que completou 175 anos estava na Rússia há 170 deles, portanto, desde o período czarista no país. O comunicado sobre a adesão às sanções aconteceu em maio. Na ocasião, Roland Busch, CEO da Siemens, apresentou os resultados da companhia e disse que “condenamos a guerra na Ucrânia e decidimos encerrar nossas atividades comerciais e industriais na Rússia de forma ordenada”.

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Crise energética e transição

Ainda em seu discurso, o chanceler falou sobre as metas de transição energética do país. “Quero agradecer à Siemens por ter apoiado as sanções e agora, mais do que nunca, precisamos fazer com que a Alemanha se torne um país verde até 2040”, afirmou.

Para alcançar esses objetivos, segundo Scholz, o país precisará de uma mira certeira e rapidez. “Fomos lentos com a construção da infraestrutura, por burocracia. Queremos investir em tecnologia de ponta para produção de energia eólica e não vamos deixar tirarem o ‘vento’ das nossas ‘velas'”, afirmou, em referência à navegações.

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O chanceler também defendeu seu ‘escudo defensivo’ de 200 bilhões de euros para proteger empresas e consumidores conta o impacto do aumento dos preços de energia, anunciado no fim de setembro. “Vamos precisar disso por um ano ou dois, no máximo. Até lá, o estado vai proteger nossa economia”, disse.

O pacote foi duramente criticado por outros países da União Europeia e acabou taxado como uma medida protecionista. “Nosso país é forte. E fomos ridicularizados por aquilo que faz o nosso país ter força durante momentos difíceis como este. Mas vamos sair dessa crise ainda mais fortes”, finalizou.

A Alemanha vive um momento delicado de sua história. O Bundesbank, banco central alemão, informou, há cerca de um mês, que há sinais crescentes de recessão na economia alemã devido a sinais de um declínio claro, amplo e prolongado da produção econômica.

Em seu relatório, o banco citou especificamente os efeitos dos cortes de abastecimento devido à guerra entre Rússia e Ucrânia, durante um período macroeconômico desafiador.

*A jornalista viajou a Berlim a convite da Siemens.

Mariana Amaro

Editora de Negócios do InfoMoney e apresentadora do podcast Do Zero ao Topo. Cobre negócios e inovação.