Em natura

Ação da Natura passa de queda de 6% para alta de 9,5% com novidade sobre Avon

Empresa confirmou que as negociações estão em estágio avançado nesta quarta-feira, fontes do FT disseram que o valor do negócio baterá US$ 2 bilhões  

Sede Natura SP -  recepção
(Mariana Zonta)

SÃO PAULO – A ação da companhia de cosméticos Natura (NATU3) tem dia volátil na Bolsa com as novidades acerca da compra da concorrente Avon. O papel chegou a cair até 6% pela manhã, mas bateu alta de 9,5% perto das 17h15.

Nesta quarta-feira, o Financial Times publicou que a empresa brasileira pagará US$ 2 bilhões pela Avon e controlará 76% da empresa conjunta. O preço significa um prêmio de 70% sobre o valor de mercado da Avon na terça-feira (21).

Segundo o jornal, o acordo deve ser anunciado ainda hoje. A Natura não confirma essa data, mas afirmou que está negociando "os termos e condições contratuais finais da Transação".

Adeodato Netto, estrategista da Eleven Financial Research, acredita que a alta do papel é totalmente justificável. Para ele, a solução encontrada em parceria com o Santander, que criou um serviço de pagamento em cartão próprio para as vendedoras porta-a-porta, e a geração de receita associada aos serviços financeiros agregados a essa modalidade de vendas têm chance de virar "um monstro" com a Avon.

Sua visão positiva também se baseia no sucesso da integração da Body Shop, que no passado esmagou a ação da Natura para R$ 24 antes de uma valorização até os atuais quase R$ 60 nos dias de hoje.

Na época, a Eleven foi na contramão dos analistas do setor ao ver como positiva essa aquisição. "Disrupção de modelo, principalmente utilizando dívida, é ame ou odeie. O pessoal que odeia acordou mais cedo", disse Netto ao InfoMoney, justificando a abertura em queda do papel. 

Positivo ou negativo?

Na época das primeiras notícias sobre a negociação entre as duas empresas, analistas do Bradesco BBI calcularam que o negócio criaria a quinta maior empresa do mundo no setor, com vendas de US$ 10 bilhões.

Desde então, analistas do setor falam sobre a ambiguidade do negócio (leia mais aqui). Por um lado, as sinergias entre as empresas parecem numerosas. Com seus maiores mercados no Brasil, as empresas conseguiriam diminuir o quadro de funcionários (10 mil pessoas, somados) e otimizar consideravelmente a logística. O BBI estima cortes de custos na ordem de R$ 445 milhões. 

Na outra ponta, a Avon passa por um momento de dificuldade financeira e precisa de uma reestruturação significativa para poder voltar a dar lucro. O J.P. Morgan acredita que a compra pode se traduzir em "distração" na gestão da empresa. 

Para Pedro Bicudo, autor de pesquisas da ISG no Brasil em parceria com a consultoria TGT Consult, parte da dificuldade da Avon nos últimos anos vem da falta de velocidade em adaptar processos com a tecnologia. A Natura, por sua vez, tem mais agilidade, e pode se aproveitar disso para transformar a adquirida.

Segundo ele, a Natura já transformou o trabalho das suas mais de 1,8 milhão de consultoras digitalizando todo o trabalho, do catálogo à logística. A Avon, por outro lado, tem produtividade mais baixa.

“Times ágeis compostos por negócios e TI da Natura, serão capazes de rapidamente testar, errar, corrigir e superar as diferenças de forma a ajustar o modelo às consultoras americanas”, diz ele, lembrando que o braço da Avon nos EUA é o que mais precisa de atenção.

Para ele, resta saber se a cultura organizacional da brasileira é “consistente o suficiente para levar a Natura ao sucesso na aquisição. A companhia quando é digital tem um valor superior, pois tem uma nova competência competitiva”, conclui.

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