Um dia no mundo de Trump: tribunal de manhã, campanha à noite

É uma estratégia incomum para uma situação extraordinária: um importante candidato presidencial tentando vencer a Casa Branca ao mesmo tempo em que encara uma série de acusações criminais

Reuters

Donald Trump (Foto: Casa Branca/Shealah Craighead)

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ATKINSON, New Hampshire (Reuters) – A agenda de Donald Trump nesta quarta-feira resumiu a natureza sem precedentes da eleição deste ano: passar o dia no tribunal enfrentando um caso de difamação e a noite em um comício com apoiadores, tentando tornar-se o próximo presidente dos Estados Unidos. 

É assim que o ex-presidente, favorito à indicação do Partido Republicano para a eleição presidencial de 2024 e um dos réus mais famosos do mundo, escolheu dividir seu tempo nesta semana, enquanto busca o retorno à política. 

Trump não era obrigado a estar em um tribunal federal de Manhattan, onde o juiz alertou que ele seria expulso se perturbasse o andamento da sessão. Suas aparições no caso civil são inteiramente voluntárias. 

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De lá, ele planejava passar a noite desta quarta-feira em campanha em New Hampshire, às vésperas das primárias do Partido Republicano no Estado, na próxima semana. 

É uma estratégia incomum para uma situação extraordinária: um importante candidato presidencial tentando vencer a Casa Branca ao mesmo tempo em que encara uma série de acusações criminais nos âmbitos federal e estadual, além de julgamentos civis por difamação e fraude. 

Mas Trump e sua campanha estão bem cientes da publicidade e simpatia que suas idas ao tribunal podem gerar em sua fiel base de apoiadores enquanto ele tenta desviar os desafios dos adversários republicanos Nikki Haley e Ron DeSantis. 

“Ninguém mais aguentaria essa merda”, disse Trump a centenas de pessoas que fizeram fila na neve do lado de fora de um clube de campo em Atkinson, New Hampshire, na noite da última terça-feira, para vê-lo. 

O público explodiu em prolongado aplauso. 

Trump é alvo de dezenas de acusações federais e estaduais relacionadas às tentativas de reverter a eleição de 2020, além de um processo federal pela maneira como lidou com documentos secretos. Ele negou irregularidades e se declarou inocente das acusações criminais, argumentando que os casos têm motivação política. O Departamento de Justiça disse que age sem viés político. 

O caso federal na agenda de Trump desta semana é um processo civil, a fase de indenização do julgamento de difamação da escritora E. Jean Carroll, que acusa Trump de destruir sua reputação e pede o pagamento de milhões de dólares em indenizações por negar, em 2019, que a estuprou quase um quarto de século atrás. 

No comício em Atkinson, Trump reclamou dos compromissos duplos.

“Ninguém nunca teve que fazer isso antes”, disse. “Essas pessoas são vergonhosas.”