Ucrânia é “local de testes” para mísseis norte-coreanos, diz Coreia do Sul

Mais cedo, Estados Unidos e outros sete países acusaram a Rússia de explorar seu direito a veto no Conselho ao adquirir mísseis norte-coreanos e atirá-los contra a Ucrânia

Reuters

Partes de míssil não identificado em Kharkiv, que autoridades ucranianas acreditam ser fabricado na Coreia do Norte 06/01/2024 REUTERS/Vyacheslav Madiyevskyy

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WASHINGTON (Reuters) – Os Estados Unidos e seus aliados condenaram nesta quarta-feira o que descreveram como disparos de mísseis norte-coreanos pela Rússia contra a Ucrânia, com Washington dizendo que foi abominável e Seul afirmando que a Ucrânia é um local de testes para os mísseis com capacidade nuclear de Pyongyang. 

Em uma sessão do Conselho de Segurança da ONU sobre a guerra de quase dois anos iniciada pela invasão da Rússia à Ucrânia, o enviado russo disse que os EUA parecem estar disseminando informações “erradas”. 

Ele não chegou, no entanto, a negar categoricamente que a Rússia estaria usando armas norte-coreanas, o que, segundo o vice-embaixador dos EUA para a ONU, Robert Wood, e outros aliados dos norte-americanos, seria uma violação das resoluções da ONU. 

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“É abominável que um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU esteja flagrantemente violando as resoluções do Conselho para atacar outro membro da ONU, violações que prolongam o sofrimento do povo ucraniano, apoiam a brutal guerra da Rússia e minam o regime global de não proliferação”, disse Wood.

Mais cedo, Estados Unidos e outros sete países acusaram a Rússia de explorar seu direito a veto no Conselho ao adquirir mísseis norte-coreanos e atirá-los contra a Ucrânia, violando resoluções do Conselho. 

“Um membro permanente do Conselho de Segurança que voluntariamente participa dessas violações demonstra uma clara exploração da sua posição”, disse o comunicado assinado pelo Reino Unido, França e Estados Unidos, membros permanentes do Conselho, e ainda Malta, Eslovênia e Coreia do Sul, membros não-permanentes, além de Japão e Ucrânia. 

O fato de a Rússia deter o poder de veto no Conselho, assim como Reino Unido, China, França e Estados Unidos, efetivamente garante que o órgão não consiga punir Moscou. 

Na semana passada, a Casa Branca afirmou que a Rússia recentemente usou mísseis balísticos de curto alcance fornecidos pela Coreia do Norte para conduzir múltiplos ataques contra a Ucrânia, citando informações de inteligência que recentemente deixaram de ser secretas. 

Tanto Moscou quanto Pyongyang negam terem conduzido qualquer negócio envolvendo armas, mas haviam prometido aprofundar suas relações militares no ano passado.

O embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, disse que os países ocidentais convocaram a sessão do Conselho de Segurança como um exercício de “propaganda anti-Rússia”, mas não chegou a fazer uma negação categórica de que Moscou tenha atirado mísseis norte-coreanos contra a Ucrânia. 

“Hoje, membros ocidentais do Conselho de Segurança repetiram o ‘fato’ de que o Exército russo está usando mísseis da DPRK (sigla em inglês do nome oficial da Coreia do Norte) em sua operação militar especial na Ucrânia”, disse Nebenzya, afirmando que um representante da Força Aérea Ucraniana negou haver qualquer evidência “deste ‘fato'”.

“Então, os EUA parecem estar disseminando informações que são erradas sem se dar ao trabalho de checá-las de antemão.” 

O embaixador da Coreia do Sul disse que o uso de mísseis norte-coreanos pela Rússia deu a Pyongyang “valiosas observações técnicas e militares” sobre suas armas. 

“Ao exportar mísseis para a Rússia, a DPRK usa a Ucrânia como um local de testes para seus mísseis com capacidade nuclear”, disse o enviado sul-coreano, Hwang Joon-kook. 

“Alguns especialistas avaliam que os mísseis disparados contra a Ucrânia são KN-23s, que, segundo a DPRK, podem entregar ogivas nucleares”, disse, acrescentando que um deles voou 460 quilômetros, a distância semelhante a de um local de lançamento norte-coreano e a cidade sul-coreana de Pusan. 

“Do ponto de vista da ROK (sigla em inglês do nome oficial da Coreia do Sul), isso equivale a um ataque simulado”, afirmou.