Milei toma posse e critica situação do país em discurso: “não há dinheiro”

Em discurso  na escadaria do Congresso, Milei falou sobre a situação do país e disse que a solução implicará em um ajuste fiscal

Mariana Amaro

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O presidente eleito da Argentina, Javier Milei, tomou posse neste domingo (10) na Argentina, em evento que contou com a presença de diverso chefes de estado. Em discurso  na escadaria do Congresso, Milei afirmou que “hoje começa uma nova era na Argentina. Hoje, terminados uma longa e triste história de decadência e começamos o caminho de reconstrução do nosso país”.

Disse ainda que nenhum governo recebeu o país numa situação pior que aquela que ele está recebendo e que a solução implicará em um ajuste fiscal que recairá sobre o Estado e não sobre o setor privado — como aconteceu no passado.

Economista e liberal, Milei alertou que não tem alternativa a não ser um choque fiscal agudo e doloroso para resolver a pior crise econômica do país em décadas, com a inflação caminhando para 200%. “Não há alternativa a um ajuste de choque”, disse ele nos degraus do Congresso depois de assumir o bastão e a faixa presidencial, com multidões de apoiadores aplaudindo, apesar de Milei ter dito que a economia iria piorar no curto prazo. “Não há dinheiro.”

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O novo presidente da Argentina substitui o peronista Alberto Fernández, cujo governo foi atormentado por falhas em controlar o aumento dos preços. “O governo passado nos colocou no caminho da hiperinflação”, disse Milei. “Faremos tudo o que pudermos para evitar tal catástrofe.”

Para a classe política, que Milei criticou duramente ao longo do discurso, o recém-empossado afirmou que “não haverá busca por vingança”. Ele encerrou a fala aos gritos de “viva la libertad, carajo”, seu slogan de campanha, que inclui um termo pejorativo.

Cerimônia de posse

A cerimônia começou às 11h (horário de Brasília), em Buenos Aires, no Congresso Nacional. Lá, Milei foi declarado, oficialmente, como presidente da Argentina, e fez o juramento . Ele recebeu a faixa presidencial de Alberto Fernández, seu antecessor, em uma cerimônia presidida por Cristina Kirchner, que também é vice-presidente do Senado.

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Javier Milei recebe a faixa de seu antecessor, Alberto Fernández (Foto: Reprodução do Youtube/ Congresso da Argentina)

Entre os convidados confirmados estão Viktor Orban, presidente da Hungria, Vladimir Zelensky, presidente da Ucrânia, Felipe VI, rei da Espanha e Gabriel Boric, presidente do Chile. O governo brasileiro enviou Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, para a cerimônia. Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e comitiva também compareceram ao evento.

Quem é Milei?

No dia 19 de novembro, Javier Milei venceu o então ministro da Economia, Sergio Massa, candidato governista, no segundo turno da eleição presidencial argentina mais acirrada dos últimos tempos.

Líder do partido La Libertad Avanza e autodeclarado “anarcocapitalista”, o economista e novato na política é conhecido por suas ideias e declarações polêmicas, como o fechamento (ou “dinamitar”, em suas palavras) do Banco Central, a legalização da venda de órgãos humanos, a criminalização do aborto e o fim da educação obrigatória.

Além disso, ele faz declarações controversas negando o aquecimento global e distorcendo a atual situação econômica argentina. Milei chegou a afirmar que os indicadores sociais da economia do país estão piores hoje do que em 2001, ano em que o desemprego no país era quase três vezes maior do que o atual.

(Com agências)

Mariana Amaro

Editora de Negócios do InfoMoney e apresentadora do podcast Do Zero ao Topo. Cobre negócios e inovação.