Pesquisa global mostra que conservadorismo cresce mais entre homens jovens

Pesquisa aponta que há um aumento no desespero e na desilusão dos jovens com a política tradicional e que o crescimento da direita radical nas últimas eleições europeias é uma prova disso

Roberto de Lira

Manifestação no Rio de Janeiro
Manifestação no Rio de Janeiro

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Embora o mundo tenha se tornado, em média, mais liberal nos últimos 10 anos, o tom pessimista também se acentuou, com implicações nas inclinações políticas, especialmente na faixa de população mais jovem.

Uma pesquisa global apontou que há um grande aumento no desespero e na desilusão dos jovens com a política tradicional, o que explica um crescimento do conservadorismo, em particular entre os homens mais jovens.

O estudo da agência internacional de pesquisa Glocalities, que abrangeu mais de 300.000 pesquisas em 20 países, incluindo Brasil, apontou que “sentimentos de desesperança, desilusão social e revolta contra os valores cosmopolitas explicam em parte a ascensão de partidos radicais de direita contra o establishment”, detalhou Martijn Lampert, chefe de pesquisa da agência, citando eleições recentes em vários países europeus.

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O estudo aponta o crescimento ao apoio em partido como  o francês Frente Nacional, o alemão AfD, os italianos Liga Norte e Fratelli, o polonês Lei e Justiça, o espanhol Vox, o belga Vlaams Belang (VB) e os holandeses Partido da Liberdade (PVV) e Fórum pela Democracia. E também que os jovens americanos são hoje mais conservadores que os europeus.

Desilusão e redes sociais

Para a Glocalities, no atual momento de policrises, as políticas governamentais já não facilitam a evolução saudável e o desenvolvimento da geração jovem, que sente-se cada vez mais desiludida pela sociedade e pessimista quanto ao futuro.

Segundo Lampert, os algoritmos das mídias sociais têm ampliado a tendência ao atrair “jovens moderadamente conservadores para modelos e visões de mundo masculinos conservadores mais extremos e radicais”.

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A pesquisa lembra que os jovens de hoje são a primeira geração que cresceu na era das redes sociais e das bolhas dos filtros. “Eles passam horas por dia nas redes sociais, submetidos aos algoritmos de IA construídos para chamar a atenção e para criar funis (muitas vezes comerciais), mostrando extremos que muitas vezes estão fora de sintonia com a realidade.”

A pesquisa fez perguntas para determinar a posição dos entrevistados em uma escala de otimismo entre “esperança” e “desespero”, e em outra entre “controle” e “liberdade” – em outras palavras, conservadorismo e liberalismo.

Mulheres mais liberais que homens

O relatório mostrou uma grande diferença entre os jovens dos sexos masculino e feminino. Ambos os grupos disseram estar preocupados com perspectivas de carreira, segurança financeira e educação. Mas enquanto os homens de 18 a 24 anos ultrapassaram os homens de 55 a 70 anos como o grupo mais socialmente conservador, as mulheres de 18 a 24 anos se têm se tornado mais liberais e antipatriarcais.

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Em uma escala em que “1” representa o mais conservador e “5” o mais liberal, as mulheres de 18 a 24 anos passaram de 3,55, em 2014, para 3,78, em 2023 – ambos valores mais altos para qualquer faixa etária.

Já os homens da mesma idade passaram de 3,29 para 3,36. Especificamente nos EUA, os homens de 18 a 34 anos se tornaram menos liberais ainda, caindo de 3,48 para 3,46.

“Globalmente, as mulheres jovens são provavelmente o grupo mais liberal da história”, afirma o relatório.

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A pesquisa foi realizada na Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, México, Holanda, Polônia, Rússia, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Turquia, Reino Unido e EUA.

(Com Reuters)