Milei diz que parte do Congresso argentino deseja destruir o equilíbrio fiscal

Câmara votou nova fórmula de cálculo para aposentadorias e pensões que contraria propostas do governo; presidente da Argentina vê risco inflacionário e prometeu vetar mudança

Roberto de Lira

Presidente argentino Javier Milei em Córdoba
 (Foto: Leandro Bustamante Gomez/Reuters)
Presidente argentino Javier Milei em Córdoba (Foto: Leandro Bustamante Gomez/Reuters)

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A aprovação na madrugada desta quarta-feira pelos deputados argentinos de uma nova forma de cálculo dos reajustes de pensões e aposentadorias gerou novo atrito entre o governo de Javier Milei e o Congresso. Irritado, o presidente foi às redes sociais para anunciar que não vai desistir do ajuste fiscal proposto e que irá vetar qualquer decisão parlamentar que vá contra esse objetivo.

“Uma parte do Congresso mostra um desejo sistemático de destruir o equilíbrio fiscal, o que leva à perda de valor dos títulos e, assim, aumenta o risco-país e a taxa de juro. Se cedermos às ilusões políticas, a inflação regressará e continuaremos no caminho da decadência que iniciamos há um século e que nos empobreceu brutalmente”, escreveu no X.

O jornal Ámbito Financiero destaca que Javier Milei ainda não conseguiu atingir uma posição de força junto ao Congresso. Isso ficou claro na rejeição do decreto DNU 70/2023 no Senado e no sucateamento da Lei de Bases, culminando agora com a aprovação pela Câmara dos Deputados da nova fórmula de aumento de aposentadorias.

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Quem também foi às redes sociais para criticar o Congresso foi a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, ex-candidata à presidência e uma das mais alinhadas à causa libertária.

“Juntos para falir o Estado e empobrecer os aposentados e suas famílias. Nem um passo atrás. 100 anos de progresso ou vida em declínio. O povo já escolheu!”, escreveu no X.

O porta-voz presidencial, Manuel Adorni, destacou que a Câmara concedeu a si mesma um aumento em seus salários e agora deu meia sanção a um projeto de lei que tenta destruir as contas públicas, além de se recusar a eliminar as aposentadorias de privilégio. “O nível de dissonância com o bom senso é astronômico”, concluiu.

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Enquanto governo e oposição se digladiam, ações na Bolsa e os títulos em dólar estendem o mau-humor observado ontem, uma vez que as incertezas econômicas em nível global se soma aos problemas políticos em nível local.

Os ADRs argentinos chegaram a cair até 8% ontem e o S&P Merval medido em dólares caiu para o seu nível mais baixo desde abril, enquanto o risco-país subiu para o seu nível mais alto desde março.