Em discurso de vitória, Milei fala em fim da decadência argentina e das castas políticas, mas evita temas polêmicos

Milei não falou sobre dolarização da economia, fechamento do banco central ou relações internacionais, especialmente com Brasil

Rodrigo Petry

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Em discurso lido, o candidato vitorioso da eleição argentina Javier Milei prometeu o “fim da decadência” econômica e sugeriu que o país possa voltar a se tornar uma potencia econômica. Segundo ele, neste domingo, “começa a reconstrução” da Argentina.

“Se abraçarmos estas ideias (libertárias e liberais), não só seremos capazes de resolver os problemas de hoje, mas em 35 anos voltaremos a ser uma potência mundial”, disse Milei, que toma posse na Casa Rosada, em 10 de dezembro, para um mandato de quatro anos.

Milei reforçou ainda que o modelo de “castas políticas”, em referência ao peronismo, que governa o país há décadas, chegará ao fim. “Começamos a virar essa página. Hoje termina o modelo de estado onipresente e empobrecedor.”

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“De país mais rico do mundo, hoje somos o 130 [do ranking mundial]. Metade dos argentinos são pobres e 10% indigentes”, disse, exaltando que hoje é “uma noite histórica para a Argentina”.

Ele agradeceu ainda aos apoios do ex-presidente Mauricio Macri e da candidata derrotada no primeiro turno, Patricia Bullrich. Com minoria no parlamento, Milei vai precisar fazer costura com partidos que o apoiaram.

Por meio do X, antigo Twitter, Macri escreveu que um “futuro espetacular” está chegando com o “libertário no poder”.

Milei evita temas polêmicos

Sem dar espaço para improvisos, Milei não tocou em temas polêmicos, que fizeram parte de sua campanha, como dolarização da economia, fechamento do banco central ou relações internacionais, especialmente com o Brasil.

Logo após o resultado oficial das eleições, o presidente Lula parabenizou as instituições argentinas pelo processo eleitoral, mas sem citar diretamente o candidato vitorioso.

Ao longo de seu discurso, Milei pediu que o atual governo, de Alberto Fernández, seja responsável em seu processo de transição. “Seremos implacáveis ​​com aqueles que querem usar a força para defender os seus privilégios”, emendou.

Assim como Sérgio Massa, durante discurso em que admitiu a derrota, o atual presidente argentino disse que, a partir de amanhã, começa a trabalhar com Milei uma “transição ordenada“.