China eleva pressão sobre Taiwan antes das eleições de sábado

As eleições presidenciais e parlamentares de sábado estão ocorrendo em um cenário de guerra de palavras cada vez mais acirrada entre Taiwan e a China

Reuters

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TAIPÉ/PEQUIM (Reuters) – A China ameaçou nesta terça-feira impor novas medidas comerciais contra Taiwan, que acusou Pequim de “coerção econômica” antes das eleições cruciais do fim de semana na ilha e também expressou irritação pelo lançamento surpresa de um satélite chinês sobre seu espaço aéreo.

As eleições presidenciais e parlamentares de sábado estão ocorrendo em um cenário de guerra de palavras cada vez mais acirrada entre Taiwan e a China, que considera a ilha como seu próprio território, apesar das fortes objeções do governo taiwanês.

O governo de Taiwan acusa a China de fazer uma campanha de interferência eleitoral sem precedentes, usando de tudo, desde atividades militares até sanções comerciais, para influenciar a votação em favor dos candidatos preferidos de Pequim.

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A China tem classificado a eleição como uma escolha entre a guerra e a paz e diz que as alegações de interferência são “truques sujos” do Partido Democrático Progressista (DPP), que está no poder em Taiwan, para tentar ganhar apoio.

O candidato presidencial do DPP, Lai Ching-te, disse nesta terça-feira que manteria o status quo e buscaria a paz por meio da força se fosse eleito, permanecendo aberto ao engajamento com Pequim sob as condições prévias de igualdade e dignidade.

Pequim o critica como separatista e advertiu que qualquer tentativa de pressionar pela independência formal de Taiwan significa conflito.

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Apesar disso, Lai se comprometeu a tentar se envolver com a China.

“A paz não tem preço e a guerra não tem vencedores”, disse Lai aos repórteres em uma coletiva de imprensa. “A paz sem soberania é igual a Hong Kong. É uma paz falsa.”

Pequim não se importou com as tentativas de aproximação de Lai.

Nesta terça-feira, o Ministério do Comércio da China disse que estava analisando medidas para suspender as concessões tarifárias sobre produtos que incluem agricultura e pesca, maquinário, autopeças e têxteis de Taiwan, dando sequência a uma medida tomada contra alguns produtos petroquímicos no mês passado.

“As autoridades de Taiwan não tomaram medidas efetivas para suspender as restrições comerciais à China. Em vez disso, elas se envolveram em manobras políticas em uma tentativa de plantar a culpa e fugir da responsabilidade”, disse o Ministério do Comércio em um comunicado.

O Escritório de Negociações Comerciais de Taiwan respondeu pedindo à China que “pare imediatamente de usar a coerção econômica para tentar interferir nas eleições de Taiwan”.

ALARME FALSO E BALÕES CHINESES

Ampliando a atmosfera tensa, uma entrevista coletiva na terça-feira, em Taipé, com o ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Joseph Wu, foi interrompida pelo som estridente de um alerta de telefone celular do governo avisando sobre um possível ataque aéreo chinês.

O Ministério da Defesa teve que se desculpar depois que a versão em inglês do alerta se referiu a um “míssil”, mas em chinês a um “satélite”. O alerta veio no mesmo momento em que a mídia estatal chinesa confirmou o lançamento de um satélite científico.

Ainda assim, Wu descreveu o lançamento como parte de um padrão de assédio contra Taiwan, assim como os casos recentes de balões chineses vistos sobre a ilha.

“Com esses tipos de ameaças contra Taiwan, acho que devemos ter os olhos bem abertos e não devemos nos deixar provocar.”

A oposição de Taiwan se aproveitou da falha, culpando o governo por enganar o público.

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