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Dólar a R$ 3,50: quando comprar e como se proteger na hora de viajar?

O InfoMoney conversou com especialistas e economistas para entender melhor o cenário

Dólares e bandeira dos EUA
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Na manhã última quarta-feira (25), o dólar futuro com vencimento em maio registrou uma valorização de 0,66%, chegando aos R$ 3,50 – o maior nível em quase dois anos. Visto isso, um dos maiores dilemas dos brasileiros que viajam para o exterior é saber quando comprar a moeda, dúvida que se destrincha para perguntas como: compra tudo de uma vez? Em espécie ou no cartão pré-pago? Não é mais fácil pagar tudo com o cartão de crédito? O InfoMoney conversou com economistas e especialistas para entender o contexto de alta e quais as melhores opções a serem feitas pelo viajante que vai embarcar para a gringa.

De acordo com Mauriciano Cavalcante, gerente de câmbio da Ourominas, a melhor forma de se prevenir das altas e baixas do câmbio é não deixar para comprar a moeda estrangeira de última hora ou só quando for viajar, uma vez que “surpresas desagradáveis podem surgir pela frente” – como aconteceu nesta semana com muitos viajantes.

Para quem vai viajar no próximo ano, por exemplo, a recomendação é comprar pequenas quantias meses antes da viagem, de forma a fazer o preço médio da moeda. Por ser algo imprevisível, ou seja, por não ser possível prever exatamente quando a moeda vai subir ou cair, o consumidor consegue dessa forma ficar “protegido” no meio termo. Ele explica também, que em meses de alta temporada, quando a procura é muito grande, a tendência é do valor da moeda subir.

Além do racionamento da compra, uma pesquisa pelos melhores preços deve ser feita considerando o valor efetivo total (VET) e não a cotação cobrada pelas casas de câmbio, como explica Mathias Fischer, diretor de estratégia e inovação da plataforma Meu Câmbio. “O VET mostra para cada turista quando custa cada unidade da moeda com todos os impostos e taxas incluídos, então é importante que o turista se atente à isso para evitar cair em armadilhas”, diz.

Outro cuidado que o turista precisa ter ao adquirir moedas estrangeiras, segundo Fischer, refere-se aos gastos com cartão de crédito. Além da taxa de IOF de 6,38%, o consumidor irá pagar seus gastos de acordo com a cotação do dia do fechamento da fatura – estando sujeito às influências do mercado. Uma alternativa para quem não se sente seguro levando grandes quantias em espécie são os cartões pré-pago, que apesar de cobrarem o mesmo IOF dos cartões de crédito, utilizam o câmbio da data da recarga, “segurando” a taxa contratada.

O executivo destaca que além do dólar, o euro também se valorizou perante o real no último mês, e alerta que o turista que está indo para regiões em que a moeda local não é o dólar, deve ter cuidado com gastos no cartão de crédito para evitar dupla cobrança. “Quando a pessoa compra com o cartão de crédito na zona do euro, por exemplo, o gasto é primeiro convertido para dólares (que já soma uma margem de lucro da operadora), e depois os dólares são convertidos para reais (resultando em mais uma margem de lucro para a empresa) ”.

Antonio Carlos Porto, professor da FGV EPGE, explica que a alta do dólar está relacionada a dois fatores: à tendência das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, assim como ao incerto cenário político-econômico nacional, caracterizado pela saída de uma crise econômica e pela entrada na zona eleitoral.

Segundo o economista, por se tratar de um ano de eleições presidenciais sem uma ideia concreta dos possíveis candidatos, a volatilidade do mercado fica ainda mais acentuada no período. “Se houver perspectivas de um candidato que não agrade o investidor, o dólar sobe. Por outro lado, se o candidato for mais ‘palpável’, o dólar pode cair um pouco”, diz.

Porto explica que o diferencial de juros é outro fator que contribui para esse aumento “repentino” do dólar. Enquanto no Brasil os juros caíram de 13% ao ano em fevereiro de 2017 para 6,5% em março deste ano, nos EUA as taxas de juros foram elevadas em 25 pontos-base no último dia 21, ficando no intervalo de 1,50% a 1,75% ao ano, o que torna a relação risco-retorno dos EUA mais atraente aos olhos do investidor estrangeiro.

“Eu não acho que o preço do dólar vai baixar. Os juros americanos vão subir mais e o diferencial vai atuar contra o real”, afirma. Segundo ele, as taxas de juros já estão “dadas” e a tendência é de que continuem caindo no Brasil e subindo nos EUA (a expectativa, segundo o Federal Reserve, é de mais três altas para este ano).

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