Planejamento financeiro

Seguro de vida: como os planos foram adaptados em função da pandemia

Bradesco Seguros, Brasilseg e Prudential passaram a incluir em suas apólices cobertura para os casos de Covid-19

Family Care And Protection
(RomoloTavani/Getty Images)

SÃO PAULO – Com sua importância por vezes negligenciada ou ainda tratado como tabu por abordar questões como morte, doenças e acidentes, o seguro de vida tem ganhado relevância em meio ao coronavírus, com o aumento das dúvidas sobre coberturas de seguradoras, diante de uma situação completamente atípica.

Em meio ao avanço do número de casos e de mortes, grandes seguradoras decidiram incluir em suas apólices a cobertura para os casos de Covid-19. É o caso de Bradesco Seguros, Brasilseg (do Banco do Brasil) e Prudential, três das maiores seguradoras do país, que contaram ao InfoMoney como têm se posicionado em meio à pandemia.

Por serem de difícil precificação, as epidemias e pandemias costumam ser riscos excluídos das apólices de seguro de vida, ou seja, não são cobertos.

“Em uma pandemia, os riscos são de baixa frequência, mas alta civilidade, isto é, com elevado número de casos concentrados em um curto período – e isso acaba superando o cálculo do risco normal das doenças normalmente precificadas, e pode gerar um forte impacto aos seguradores, afetando a solvência”, explica Karina Massimoto, superintendente de vida da Brasilseg.

No entanto, com o avanço do coronavírus no mundo e, principalmente no Brasil, as seguradoras passaram a avaliar os riscos e o comportamento de suas carteiras para considerar a possibilidade de cobertura, diz Karina. “O mais importante quando se anuncia a decisão ao mercado de cobrir ou não é ter a capacidade de honrar com os compromissos assumidos com todos os clientes e produtos.”

Nas três seguradoras consultadas a opção foi por cobrir o risco de morte decorrente de coronavírus, tanto para apólices vigentes como para novas contratações, respeitadas as devidas carências.

Na Prudential, entretanto, a cobertura “campeã” de indenizações no momento tem sido a “renda hospitalar”, voltada para gastos médicos e hospitalares e que tem respondido por cerca de 80% dos sinistros, segundo Aura Rebelo, vice-presidente de marketing digital.

Desde a confirmação dos primeiros casos pela Covid-19 no Brasil, a seguradora registra 131 sinistros entre coberturas por morte, renda hospitalar e assistência funerária. Os casos representam cerca de 27% do total de sinistros no período. A média de idade dos segurados varia entre 42 e 48 anos, nos três casos – o que contraria a ideia inicial de que o vírus atingiria apenas os mais velhos.

Momento de reavaliar gastos

Apesar de terem pago sinistros devido ao coronavírus, Bernardo Castello, diretor na Bradesco Vida e Previdência, afirma que ainda é cedo para avaliar os impactos da doença na demanda por seguros de vida em função da pandemia.

“As pessoas ainda estão tentando compreender o que está sendo chamado de ‘novo normal’ e que impacto essa nova realidade terá em suas vidas”, diz. Segundo ele, o cenário gera certa insegurança quanto à decisão de consumir.

A opinião é compartilhada pelo planejador financeiro com certificação CFP Hugo Affonso, que destaca que, por conta do isolamento imposto pelo coronavírus, muitas pessoas estão vivenciando uma redução de renda e podem, portanto, demorar a ter condições para contratar seguros.

Independentemente da pandemia, a recomendação do planejador financeiro é de reavaliações das cobertura de seguros ao menos uma vez por ano, para que o produto se adapte a eventuais mudanças, como uma nova casa ou filhos.

Para quem faz sentido um seguro de vida?

O planejador financeiro destaca que um seguro de vida faz sentido para qualquer pessoa, uma vez que é considerado um dos pilares do planejamento financeiro. “Muita gente faz seguro de carro e não de vida, mas deveria ser o contrário. É a pessoa que gera receita para ter o carro, então é ela quem deveria estar sendo protegida”, diz.

Segundo Affonso, é preciso, contudo, uma análise individual para definir o valor da cobertura, bem como o prêmio a ser pago mensalmente, de forma que caiba no orçamento. Essa análise deve considerar a probabilidade e a severidade dos riscos aos quais a pessoa está exposta.

O primeiro passo pode ser a escolha de uma apólice que cubra falecimento, com coberturas para incapacidade temporária ou definitiva e auxílio funerário, por exemplo, incluídas como adicionais. Affonso reforça que o seguro de vida pode proteger o segurado no caso de acidentes e doenças graves, auxiliando com os gastos de um tratamento.

Com olhar de longo prazo, o produto pode ser utilizado ainda para que a família se organize financeiramente em meio à perda de renda, bem como para a transmissão de patrimônio, uma vez que o produto não entra em inventário.

Seguro de vida: Brasil x mundo

Enquanto, no Brasil, o seguro de vida ainda possui baixa adesão, seja por desconhecimento ou pela percepção de que é caro, em outros países, o produto é tão valorizado quanto os seguros de carro e saúde, apontam os executivos do Bradesco e da Prudential.

Nos maiores mercados de seguro de vida, que são os Estados Unidos e o Japão, Castello, do Bradesco, afirma que a população entende que viverá mais que seus pais e avós e, por isso, tem o costume de adquirir uma apólice de seguro de vida para proteção da família, como parte do planejamento financeiro e sucessório. Segundo o diretor, por aqui, o seguro de pessoas equivale a apenas 0,6% do PIB brasileiro.

Além de plataformas mais intuitivas para facilitar o encontro das melhores opções para cada pessoa, a seguradora tem buscado oferecer planos com contribuições mensais baixas para estimular a demanda.

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