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GO Associados prevê IPCA em alta por mais quatro meses

Outro motivo listado por Silveira entre os que não contribuem para o arrefecimento da inflação é que a elevação da taxa básica de juros, a Selic

Tomando como base a elevação de 1,24% da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo para o período de 16 de fevereiro a 15 de março (IPCA-15), o diretor da GO Associados, Fábio Silveira, prevê que a inflação se manterá encostada em 8% no acumulado do ano por pelo menos mais quatro meses. De acordo com o analista, são muitos os fatores que concorrem para a permanência da inflação em marcas elevadas. Começa pelo fato de as taxas de inflação mensais no segundo semestre de 2014 já ter sido altas, o que carrega para este ano impactos altistas pela inércia.

 

Outro motivo listado por Silveira entre os que não contribuem para o arrefecimento da inflação é que a elevação da taxa básica de juros, a Selic, instrumento clássico de combate aos aumentos de preços pela diminuição da demanda, não atua no foco da pressão inflacionária atual. "Aumento de juro não combate elevação de preços de preços administrados e alta de produtos agrícolas por consequência de choques climáticos", disse o diretor da GO Associados.

 

Também entram na lista fatores que pressionam a inflação de Silveira a desvalorização cambial. "Então temos por um lado o fato de os juros não conseguirem combater efeitos de reajustes de preços administrados e do outro, uma alta exagerada do câmbio. E essa alta do dólar será repassada para os preços dos produtos comercializáveis não duráveis e duráveis. Então é inescapável que tenhamos uma taxa de inflação podendo até superar os 8% no acumulado de 12 meses", alertou o analista.

 

Para Silveira, a forma clássica de se cortar processo de elevação de preços de produtos comercializáveis é a redução da taxa de câmbio. Mas, segundo Silveira, para que o câmbio reduza no Brasil, seria preciso a diminuição da tensão no o ambiente político e a melhora do cenário econômico.

 

"Ocorre que diminuição da tensão política e melhora do cenário econômico são duas variáveis que estão muito distantes", lamenta o analista. Diante deste quadro desfavorável, afirma Silveira, a melhora da conjuntura atual continuará na dependência do cumprimento da meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) anunciada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

 

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