Pagamentos com Pix crescem mais de 1.000% em um ano, aponta Febraban

Ferramenta ganha aderência entre consumidores frequentes, que fazem ao menos 30 pagamentos por mês

Giovanna Sutto

Pix é o pagamento instantâneo brasileiro (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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O número de consumidores que usaram o Pix para pagamentos mais de 30 vezes no mês aumentou 1.041% entre março de 2021 e março de 2022, chegando a 3 milhões pessoas.

Os números integram a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2022, em parceria com a Deloitte, e foram divulgados nesta quinta-feira (21). Da perspectiva de pessoas jurídicas, a alta foi de 441% para 892 mil empresas.

Em relação aos usuários recebedores, a alta também é muito expressiva: o número de usuários que recebeu mais de 30 Pix por mês subiu 314% no mesmo período considerando pessoas físicas (2 milhões de consumidores), e 366%, considerando pessoas jurídicas (792 mil empresas). Trata-se da 30ª edição da pesquisa, que considerou oito bancos para os dados sobre o Pix.

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Segundo Rodrigo Mulinari, diretor do Comitê de Inovação e Tecnologia da Febraban, a popularidade do Pix foi muito acelerada, sobretudo, entre as pessoas físicas. A base de clientes de bancos que usam Pix cresceu 72% no período mencionado, e atingiu 51 milhões.

Sergio Biagini, sócio-líder de Financial Services Industries, da Deloitte, diz que a expectativa é que haja um aumento de participação de empresas no uso do Pix.

“Especialmente em relação à taxa de recebimento, podemos esperar uma alta na quantidade de pessoas jurídicas. [Ano passado] muitas empresas ainda não estavam prontas para processar o Pix em seus sistemas. Isso já está mudando, e mais empresas devem aderir, o que vai acelerar a adesão do Pix nessa vertente”, avalia.

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“O Pix garantido deve impulsionar ainda mais esse processo, além de novas funcionalidades que devem chegar nos próximos meses, conforme a agenda do Banco Central para o Pix, que segue em construção”, completa Mulinari.

No rastro dos resultados de Pix, a pesquisa também mostra que o uso do mobile nas transações bancárias vem crescendo. A movimentação financeira via smartphones teve alta de 75%, com R$ 67,1 bilhões em 2021 na comparação com 2020.

A pesquisa mostra que a abertura de contas pelo canal digital passou, pela primeira vez, o canal físico. O canal digital apresentou alta de 66% em 2021 contra 2020; no físico, a alta foi de 16% em 2021 na comparação com o ano anterior.

Open Finance

A pesquisa também mostra o desempenho do Open Finance, ecossistema aberto de compartilhamento de dados a partir do consentimento do consumidor, que está na fase 4 de implantação e passou a vigorar no Brasil em fevereiro de 2021.

As autorizações dadas pelos consumidores sobre seus dados registraram alta de 18% entre dezembro de 2021 e abril de 2022, com 644 mil no total, conforme a pesquisa.

O aumento também foi observado entre as pessoas jurídicas, apesar da base da amostra ser bem menor: alta de 60% no mesmo período, para 4 mil empresas.

A maioria (95% dos consumidores) que compartilharam dados optaram o prazo máximo permitido pelo Banco Central, que é de 12 meses. “As pessoas estão buscando compartilhar dados de conta corrente, cartão de crédito e de operações de crédito a fim de obter serviços e produtos”, acrescenta Mulinari.

Também se destaca o aumento de consultas feitas por clientes a chatbots, que são os robôs de atendimento ao cliente. Houve uma alta de 53% no uso por consumidores em 2021 na comparação com 2020, para 185,1 milhões de interações.

“O chatbot é um canal importante de consulta [de informações básicas] para o cliente. Foram 653 milhões de chamados atendidos via chatbot em 2021. Os atendimentos, antes feitos a call centers, começam a migrar para esses canais”, diz o diretor da Febraban.

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Giovanna Sutto

Repórter de Finanças do InfoMoney. Escreve matérias finanças pessoais, meios de pagamentos, carreira e economia. Formada pela Cásper Líbero com pós-graduação pelo Ibmec.