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Material de construção: atenção na hora da compra

Antes de comprar o material verifique as melhores formas de pagamento e não esqueça de checar quais os custos já estão incluídos na fatura

SÃO PAULO - Mesmo quem já tem imóvel próprio sonha em poder construir uma casa nova, exatamente de acordo com as suas necessidades e gostos. Para quem não está apenas sonhando em construir sua casa, mas de fato já tem um projeto e deve começar a construir em breve é preciso cuidado para não acabar escolhendo o material errado, ou gastando demais sem necessidade, comprometendo com isto o término da obra.

Planejando junto com profissionais da área
O planejamento é importante para a realização do seu sonho. Comece estabelecendo um orçamento para a obra, quanto você pode gastar todos os meses ou, se tiver uma reserva de capital, de quanto pode dispor, sem afetar o resto das suas despesas para começar a obra. Este cálculo é importante, pois vai definir o tipo de imóvel que você poderá construir, assim como determinar a data de término da obra.

Feito isto, consulte um profissional da área para ajudá-lo a estabelecer os gastos que serão necessários para realizar o projeto que você tem em mente. É ele quem vai lhe dizer se o seu orçamento permite a construção de uma casa como a que você sonha. Certamente se a diferença for pequena você sempre pode aumentar o prazo da obra.

Porém, se você tem R$ 200 mil e construir a casa dos seus sonhos vai lhe custar R$ 300 mil, você deve rever seus planos. Isto porque, mesmo que você aumente o prazo de construção, provavelmente acabará enfrentando dificuldades para concluir sua obra, devido ao aumento do custo de mão-de-obra e dos materiais de construção.

Não se esqueça de deixar sempre uma margem de sobra de 10-15%, quando o assunto é material de construção. Este é o índice de perdas que se registra na maioria das construções. Isto é, na hora de colocar o piso do banheiro, as chances de algum dos azulejos quebrar são de 10%. Mesmo que você não sofra estas perdas, guarde o material que sobrou para reparos futuros. Atualmente, os materiais de construção mudam muito de um ano para o outro, portanto você pode acabar não achando o azulejo que precisa caso este venha a quebrar.

Dicas na hora de construir
Na hora de comprar o material você deve sempre pesquisar, buscando os preços mais atrativos, mas não deixe de comparar a resistência e durabilidade do material, às vezes vale a pena gastar um pouco mais para não ter dor de cabeça no futuro. Abaixo listamos algumas recomendações que a Fundação Procon dá na compra de materiais específicos:

  • Cimento e areia: No caso do cimento, verifique o prazo de validade nas embalagens, evitando comprar com muita antecedência, visto que este tipo de material estraga se não for bem armazenado, isto sem falar no comprometimento da sua qualidade. Na hora de comprar areia cheque se a mesma não está molhada, pois isto altera sua quantidade. Cheque, também, se não foi incluído terra ou pó de serragem na embalagem, o que pode levá-lo a ter problemas durante a obra.

  • Material hidráulico: consulte um encanador que vai ajudá-lo a identificar os produtos mais adequados para a sua construção. Aproveite para checar se as conexões são compatíveis com as tubulações, e fique atento às metragens. Em alguns casos, o preço é determinado por metro, mas a loja só vende peças inteiras de 3 a 5 metros.

  • Lajes: solicite manual de instrução e observe se as medidas são adequadas para a sua construção, cheque se as vigas têm identificação do fabricante.

  • Material elétrico: este tipo de material deve conter, além do nome do fabricante, a tensão a que se destinam. Não se esqueça que as partes condutoras de energia devem ser de cobre ou liga de cobre, mas nunca de material ferroso, para testar a presença deste tipo de material use um ímã. Material ferroso só pode ser usado nos parafusos, rebites e pinos usados para sustentação das partes condutoras ao corpo do produto, ou do condutor ao terminal.

    Acabamentos: neste caso vale sempre a pena comprar um pouco a mais, caso necessite repor alguma peça que venha a quebrar. Fique atento às medidas na embalagem e ao nome do fabricante, com CGC e endereço, na embalagem para ter com quem reclamar caso precise. Evite comprar materiais que estão fora de linha, pois apesar de mais baratos lhe darão problema na hora de repor. No caso das tintas, por exemplo, cheque o tipo de tinta mais indicado para cada ambiente da casa, evitando com isto desperdício e desgaste da pintura antes do tempo. Anote a marca, cor e código da tinta, para se vier a ter que efetuar retoques.

Prazo de pagamento e entrega
Antes de comprar o material, verifique as melhores formas de pagamento e não esqueça de checar quais os custos já estão incluídos na fatura. Fique atento especialmente aos gastos com entrega, cobrança de frete etc.

Quando o material for entregue, cheque para ver se está tudo em ordem. Caso não esteja, recuse o produto e não assine recibo. Aproveite para fazer uma anotação na nota fiscal. Em seguida, entre em contato com a loja onde comprou o material e tente resolver o problema. Caso não tenha sucesso, entre em contato com um órgão de defesa do consumidor e peça ajuda. Por último, se você não puder receber a entrega, oriente a pessoa que ficará no seu lugar para agir da mesma forma.

Seus direitos
Mas e na hora de reclamar, quais são exatamente os seus direitos? De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), os produtos devem incluir informações sobre suas características, como, por exemplo, peso, metragem, prazo de validade e possíveis riscos que possam apresentar para a saúde ou segurança do consumidor.

Caso alguma característica do produto não seja respeitada, e o fabricante não providenciar uma solução em até 30 dias, o consumidor poderá exigir restituição do valor pago, abatimento do preço, compensação do peso ou medida da embalagem, ou simplesmente a substituição do produto defeituoso. Caso o produto tenha sido comprado através de telemarketing, é possível desistir da aquisição até sete dias depois da compra do produto.

No que se refere às formas de pagamento, você tem direito a receber informações claras sobre o valor à vista, total do valor financiado, número de parcelas, taxas de juros e soma dos encargos adicionais cobrados na compra do produto.

Vale lembrar que existem vários órgãos oficiais, assim como entidades credenciadas que estabelecem normas técnicas de certificação da qualidade dos produtos, é o caso, por exemplo, do Inmetro, IPT e ABNT. Caso o produto adquirido possua um vício oculto, isto é, defeito que aparentemente não pode ser constatado, você pode reclamar seus direitos, que neste caso começam a contar apenas da data em que você constatou o defeito.

Fonte: Fundação Procon

 

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