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Renda Fixa: qual o risco de você perder dinheiro?

Apesar de seguras, estas aplicações embutem riscos que não devem ser ignorados; risco é maior entre as aplicações pré-fixadas

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SÃO PAULO - Muitos investidores têm a impressão equivocada de que, ao aplicar seu dinheiro na renda fixa, não estão correndo riscos, e que, por isso mesmo, não existe a chance de sofrer perdas. Mas não é bem assim!

É bem verdade que, em algumas das aplicações em renda fixa, como é o caso da tradicional caderneta de poupança, o risco de se perder dinheiro é muito limitado. Mas este raciocínio não é válido para todas as aplicações em renda fixa.

Nunca é demais lembrar que o simples fato de se tratar de uma aplicação financeira, automaticamente, implica em riscos. Ao investir, você incorre em vários tipos de riscos, que são explicados em maior detalhe em artigo à parte: Aprenda a gerenciar riscos ao investir

Maior facilidade de previsão
Não bastasse o fato de que os juros brasileiros se encontram em um patamar excessivamente alto, o que, por si só, já é razão suficiente para garantir a atratividade das aplicações em renda fixa, existe outro fator importante por trás da preferência do brasileiro por este tipo de aplicação. Nas aplicações em renda fixa pode-se ter uma idéia mais clara do que esperar em termos de retorno. Isso porque, como o próprio nome sugere, os parâmetros que determinam este rendimento são conhecidos com antecedência. Mesmo nas aplicações em renda fixa pós-fixada, cujo rendimento efetivo só é conhecido no momento do resgate da aplicação, o investidor já sabe que, ao aplicar seu retorno, será função da variação de um determinado indexador. E isso traz maior segurança ao investidor!

Muitos investidores se dispõem a abrir mão de uma rentabilidade maior em troca deste tipo de segurança. Este é um dos fatores que explica o porquê da atratividade da caderneta de poupança, cujo rendimento é relativamente menor. Na prática, esta segurança se traduz em menor volatilidade, ou seja: ao aplicar em renda fixa, você consegue prever melhor o retorno que terá, do que se tivesse investido em ações, por exemplo.

Risco de crédito não pode ser ignorado
Se existe um risco importante na renda fixa é o do emissor do título, que também pode ser denominado de risco de crédito.

Este é o risco, por exemplo, que corre uma pessoa que investiu em CDB (Certificado de Depósito Bancário) do Banco Santos. Com a quebra da instituição, o investidor só recebe, no máximo, R$ 20 mil do total aplicado, que é protegido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Situação semelhante também ocorreria no caso das aplicações em caderneta da poupança, que também só são cobertas até este limite.

Isso significa que, apesar da poupança ter retorno determinado antecipadamente como sendo a variação da TR+6% ao ano, somente os investimentos até R$ 20 mil são integralmente garantidos em caso de liquidação da instituição financeira com a qual o depósito de poupança foi efetuado.

Nos pós-fixados você deixa de ganhar
O retorno das aplicações em renda fixa pode ser determinado de duas formas distintas: pré e pós-fixado. Mas qual a diferença? Como o próprio nome sugere, na renda fixa pré-fixada o retorno é determinado no momento da aplicação. Este é o caso, por exemplo, da poupança, dos fundos de renda fixa, dos CDB-Pré etc.

Por sua vez, na renda fixa pós-fixada este retorno é determinado no momento do resgate da aplicação, como sendo função de um determinado indexador (ex. CDI, inflação, etc.). Este é o caso, por exemplo, dos fundos referenciados DI, dos CDBs pós-fixados, etc. Por mais que determinar o rendimento antecipadamente pareça mais seguro, na prática não é bem assim!

Vejamos, por exemplo, o que acontece no caso de você investir em títulos de renda fixa pós-fixada sob dois cenários distintos para os juros. Vamos assumir que, no momento, estas aplicações estejam rendendo 18% ao ano. Caso os juros subam entre quando você investiu e a data em que pretende resgatar, você sai ganhando. Como o retorno é definido no resgate, esta alta lhe favorece.

Por outro lado, se os juros caírem neste período, como o rendimento do título é determinado no resgate, não há ajuste nos preços, e sim no retorno! Mas o que isso significa? Que ao resgatar você receberá um retorno menor do que os 18% que estavam sendo pagos na hora em que investiu seu dinheiro. O que acontece é que você deixa de ganhar, mas não chega a perder!

Risco é maior nos pré-fixados
Isso não acontece na renda fixa pré-fixada, pelo simples fato que o retorno é definido antecipadamente. Voltando ao caso anterior, vamos assumir que o juro acordado na hora em que investiu era de 18% ao ano. Mesmo que os juros caiam antes de você resgatar o dinheiro que aplicou, vai continuar recebendo 18% ao ano e, portanto, sai ganhando.

Agora, se os juros subirem entre a data de aplicação e o resgate, você pode sofrer perdas! Como? Simples. Pelo fato do retorno ser determinado no momento da aplicação, se os juros subirem isso significa que o valor destes títulos no mercado deve cair, o que pode acarretar perdas para você. A queda do preço destes títulos é bastante simples de entender, eles agora pagam juros menos atrativos do que os vigentes no mercado, e muitos investidores vendem seus papéis.

"Marcação a mercado"
Esta perda tende a ser maior, dependendo das expectativas do mercado para com o patamar dos juros. Mas, como quem tinha dinheiro investido em fundos de investimento no ano de 2002 bem sabe, caso haja uma grande discrepância entre o valor que o título é reconhecido na carteira do fundo e o seu efetivo valor de mercado, as perdas podem ser significativas.

Naquele ano, preocupado com o descompasso entre estes dois valores na carteira de alguns fundos, o Banco Central obrigou a chamada "marcação a mercado", ou seja, exigiu que a carteira dos fundos passasse a refletir o valor de mercado dos títulos. Em muitos casos, sobretudo, em se tratando dos fundos que possuíam títulos privados de prazo mais longo e menor liquidez, as perdas foram grandes.

Desde então este risco é bem menor, visto que a "marcação ao mercado" e as recentes regulamentações da indústria de fundos trouxeram maior transparência a estes investimentos, reduzindo, mas não eliminando, os riscos de perdas.

 

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