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Planejamento financeiro: não se esqueça da inflação

Ignorar a inflação pode fazê-lo subestimar o esforço necessário para alcançar uma meta, ou superestimar o tipo de renda que pode ter com um certo patrimônio

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SÃO PAULO - Silenciosa, porém ainda viva. Ainda que a inflação tenha caído de maneira significativa após o Plano Real, e que tenha se mantido comportada desde então, ela não deixou de existir, e pode ter um impacto significativo no seu orçamento no médio e longo prazo.

A questão que fica, portanto, é em que ponto no seu planejamento considerar o impacto da inflação, e como a inclusão, ou não, dessa variável pode afetar o alcance de suas metas.

Inflação anual média desde 96 é de 7%
Basta ver que, tomando como base a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é usado na definição das metas de inflação, pode-se constatar que a inflação média anual no período entre janeiro de 1996 e dezembro de 2006 é de 7%.

Ainda que a expectativa seja de que em 2007 a inflação caia para cerca de 3,5%, isso não significa que seja possível ignorar o efeito corrosivo da inflação no seu planejamento.

Vamos imaginar, por exemplo, uma pessoa que tenha uma renda líquida mensal, ou seja, já descontados impostos e taxas, de R$ 3 mil. Essa mesma pessoa conseguiu, após muito esforço cortando gastos desnecessários, estabelecer a meta de poupar, todos os meses 5% da sua renda líquida, ou seja, R$ 150. Com esse dinheiro, ela pretende, daqui a 25 anos, se aposentar.

Aprenda a estimar a sua inflação!
É bastante provável que seus gastos não tenham aumentado em linha com a inflação. Dependendo da sua faixa de renda, sua inflação poderá ter sido maior ou menor. E isso acontece porque, dependendo da sua faixa de renda, os produtos consumidos variam. As pessoas de renda menor tendem a gastar mais com alimentação, por exemplo, item que teve a menor variação de preços no período.

Por sua vez, as pessoas com maior poder aquisitivo tendem a gastar mais com telefone, por exemplo, item que sofreu forte reajuste no período. Portanto, a única forma de entender o impacto da inflação no seu orçamento é entender para onde vai o seu dinheiro. Se você possui um controle orçamentário, certamente consegue estimar o quanto suas despesas aumentaram nos últimos 12 meses.

Mas, cuidado a inflação não é medida pelo aumento dos seus gastos, e sim pelo aumento dos preços de um determinado grupo de produtos ou serviços. Se há doze meses você não tinha aula de inglês, esse item deve ser excluído da análise da inflação histórica, por exemplo.

Perda de poder aquisitivo!
Mas, como a inflação afeta o seu planejamento? Em primeiro lugar, ela afeta a forma como os seus gastos evoluem. Portanto, quanto maior a inflação, maior a quantia de dinheiro que você precisará ter para comprar os mesmos itens.

Basta ver, por exemplo, que se hoje você gasta R$ 2 mil para se sustentar, caso a inflação do seu orçamento seja de 5% ao ano, então daqui a 15 anos, para efetuar as mesmas compras você precisaria ter o equivalente a R$ 4.158, ou seja, quase 63% a mais!

Se, contudo, ao invés de 5% a média da inflação no período for de 7%, isso significa que precisará de R$ 5.518 para efetuar as mesmas compras. A diferença, ou seja, os cerca de R$ 1.360 a mais que gastaria se a inflação fosse de 7% ao invés de 5% ao ano, é um exemplo do poder corrosivo da inflação.

Mas, e no seu planejamento, como incluir a inflação? Em primeiro lugar, na projeção de gastos, pois isso permite checar se, assumindo uma determinada evolução da renda, qual será sua capacidade de poupança mensal. Porém, como projetar salários é muito difícil, optamos por ilustrar a importância da inflação nos seus planos após aposentadoria.

Suas metas refletem a inflação?
Vamos assumir que você pretenda acumular uma reserva de R$ 500 mil ao se aposentar, daqui a 10 anos, e que pretenda se sustentar por 15 anos com esse patrimônio. Vamos ver como a inflação pode alterar os seus planos.

Em primeiro lugar vejamos o caso da reserva que pretende juntar. Assumindo que você invista na poupança, com retorno de 0,7% ao mês, com cenários distintos de inflação alteram o esforço de poupança mensal que você precisa fazer. Como discutimos acima, esses R$ 500 mil precisam ser ajustados com a inflação, para que você possa garantir seu poder aquisitivo.

A tabela abaixo, compara quanto precisaria juntar e que esforço de poupança teria que fazer para juntar essa quantia para três cenários de inflação: 3%, 5% ou 7% ao ano. Em todos os casos assumimos um retorno mensal de 0,7%!

Inflação anual Poupança mensal Reserva necessária
0% R$ 2,672 mil R$ 500 mil
3% R$ 3,592 mil R$ 672 mil
5% R$ 4,353 mil R$ 814 mil
7% R$ 5,257 mil R$ 984 mil

Na prática isso significa que ignorar a inflação pode fazê-lo subestimar o esforço que será necessário para alcançar o patrimônio que planejou ao seu aposentar.

Que renda poderia ter?
Porém, o exercício não termina ai! Afinal, é preciso estimar que renda você poderia ter agora que acumulou esse patrimônio, sendo que no seu caso, pretende se sustentar por 15 anos. A tabela abaixo compara que tipo de renda mensal você poderia ter caso a inflação fosse de 3%, 5% ou 7% ao ano durante os 15 anos durante o período.

Inflação anual Taxa mensal Renda mensal Desconto%
0% 0,7% R$ 4.894 0%
3% 0,45% R$ 4.058 17%
5% 0,29% R$ 3.569 27%
7% 0,13% R$ 3.117 36%

Os dados acima ilustram melhor como a não inclusão da inflação pode afetar o seu planejamento futuro, já que não levar em conta a variação dos preços pode levá-lo a crer que poderá ter um poder aquisitivo maior do que aquele que efetivamente terá.

 

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