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Inflação dos aposentados sobe menos que a “convencional”, aponta índice

Consumo do público 60+ teve alta de 0,16% em relação a julho, enquanto o IPCA subiu 0,23

Jamille Niero

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A inflação pesou diferente no bolso dos aposentados em comparação ao consumidor comum em agosto, aponta o IPCA Aposentados, índice calculado mensalmente pelo Instituto de Longevidade, criado pela seguradora MAG.

O índice é calculado a partir da ponderação dos mesmos itens do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), inflação oficial do país, apenas para famílias com ao menos um membro que recebe algum rendimento de aposentadoria.

O IPCA Aposentados apresentou, em agosto, alta de 0,16% em relação ao mês anterior, enquanto o IPCA subiu 0,23%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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No acumulado nos últimos 12 meses, o índice que calcula o peso da inflação para os aposentados apresentou alta de 4,6%, igualando-se à variação do IPCA, após quase um ano de variações superiores.

De acordo com Gleisson Rubin, diretor-executivo do Instituto de Longevidade, o que motivou a criação de um índice para calcular como a inflação afeta este público é entender que o peso de alguns itens impacta de forma diferente o orçamento dos aposentados.

Além disso, a proporção de aposentados vem crescendo ano a ano no país. “Hoje temos 15% da população dizendo que tem 60 anos ou mais, enquanto era 7% em 2010”, pontua. Vale lembrar que atualmente há no Brasil cerca de 38 milhões de aposentados, pensionistas e beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), segundo dados do Ministério da Previdência Social de janeiro deste ano.

Ele explica que para facilitar o cálculo do IPCA, o IBGE considera um perfil “padrão” de uma típica família brasileira: com pais em idade economicamente ativa e dois filhos em idade escolar. Com base nisso é calculado o peso dos itens – habitação, educação, alimentação, etc – no consumo familiar.

“Esse tipo de perfil faz com que o padrão de consumo da família corresponda a determinadas características que não necessariamente são as mesmas se for considerada a presença de uma pessoa aposentada naquela casa ou em lares em que o provedor é uma pessoa já aposentada”, comenta Rubin.

Por isso, o impacto da variação de preços é diferente para cada público. Por exemplo: uma família sem aposentado costuma gastar mais para encher o tanque do carro próprio para locomover-se ao local de trabalho ou levar os filhos à escola, ou mesmo pagando as passagens de transporte coletivo.

Já os aposentados muitas vezes não têm mais filhos em idade escolar e não têm obrigatoriedades profissionais. Podem, além disso, usufruir também da gratuidade no transporte público, já que muitas cidades não cobram a passagem de indivíduos com mais de 65 anos.

“Esta característica de consumo faz com que o componente transporte tenha um peso menor para o aposentado do que para a população economicamente ativa”, exemplifica Rubin. Em agosto, o item Transportes subiu 0,34% no IPCA enquanto variou 0,24% no IPCA Aposentados. No acumulado do ano, as variações foram 4,1% e 3,6% respectivamente.

Por outro lado, o diretor do Instituto de Longevidade indica que, em agosto, o “vilão da inflação” foi a tarifa de energia elétrica, que compõe o item Artigos de residência. Enquanto no IPCA comum a alta deste foi de 0,3% no acumulado de 12 meses, para os aposentados foi o dobro: 0,6%.

“Ao longo do ano, é uma coisa interessante no IPCA, cada mês tem um vilão particular”, ressalta Rubin. De acordo com sua análise, para os aposentados os “piores” meses costumam ser março e abril. “Em março e em abril, quando o governo autorizou os reajustes de plano de saúde e de medicamentos, naquele período ali nós chegamos a ter 12% de inflação acumulada no componente saúde contra 4,5% de inflação acumulada no geral. A inflação do componente era quase três vezes maior que a do índice completo. Esse período para o aposentado é o equivalente ao período de janeiro para quem tem filho em idade escolar e tem que matricular e pagar mensalidade da escola. É complicadíssimo porque é aquele período em que já se tem mais ou menos pactuado que é o mês do reajuste dos planos de saúde, é muito comprometedor”, salienta.

Isso porque, explica o executivo, a família “tradicional” considerada para o cálculo da inflação tem pessoas mais jovens que recorrem menos a serviços de saúde, têm planos de saúde menos caros ou ainda fazem uso de remédios em quantidade e frequência menor que o aposentado. “Então, para o aposentado, o item saúde e cuidados pessoais pesa mais”, exemplifica Rubin.

Ele diz ainda que esses movimentos da inflação são cíclicos. Por isso, ao analisar o histórico e entender quais os pesos dos itens no bolso do aposentado, é possível se preparar minimamente para os períodos mais críticos.

Jamille Niero

Jornalista especializada no mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e saúde suplementar, com passagem por mídia segmentada e comunicação corporativa.