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Huawei retoma vendas de smartphones no Brasil e desafia Trump

A Huawei vai começar a vender os celulares da Série P30 em redes de varejo a partir de 17 de maio, com preços sugeridos que variam de R$ 2.499 a R$ 5.499

Huawei P30
(Reprodução)

(Bloomberg) -- A Huawei Technologies vai ampliar sua já grande presença no Brasil com uma nova estratégia: vender celulares premium.

A iniciativa da empresa chinesa representa outro revés para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que busca convencer seus aliados do Ocidente a banir a tecnologia da Huawei da próxima geração de celulares. Os EUA dizem que os equipamentos fornecidos pela empresa com sede em Shenzhen servem aos serviços de espionagem do governo chinês.

A Huawei já fornece equipamentos para todas as grandes operadoras de telefonia no Brasil, mas não vende celulares no mercado doméstico há cinco anos. A empresa divulgou os planos na terça-feira em um evento realizado no único hotel seis estrelas de São Paulo, o Palácio Tangará. A Huawei vai começar a vender os celulares da Série P30 em redes de varejo a partir de 17 de maio, com preços sugeridos que variam de R$ 2.499 a R$ 5.499, em linha com os valores praticados por concorrentes.

A empresa vendeu celulares no Brasil por um breve período em 2014, com foco nas faixas de custo médio e baixo, mas concluiu que a abordagem não era sustentável, disse Ketrina Dunagan, vice-presidente sênior de marketing da Huawei para o setor de consumo.

“Foi uma espécie de teste e depois disso nos reunimos e repensamos a estratégia. O mercado de smartphones no Brasil não está crescendo no geral, mas o segmento premium sim”, disse Dunagan em entrevista. "A série P30 é perfeita para isso."

Embora o número de linhas móveis no Brasil tenha caído 3% em março em relação ao ano anterior, as linhas de planos pós-pagos mais caros aumentaram para quase metade do total, segundo a Anatel. A migração para esses planos com pacotes de dados demanda melhores smartphones, já que os consumidores brasileiros estão cada vez mais vendo vídeos e fazendo compras - sem mencionar o acesso às redes sociais, uma obsessão nacional - com seus dispositivos móveis.

Presente no evento, Eurico Teles, presidente da Oi, disse que não vê problemas de segurança nos equipamentos da Huawei. A Oi opera a segunda maior rede de fibra óptica do mundo e acaba de finalizar uma enorme reestruturação de dívida.

“Graças à Huawei, a Oi está modernizando sua rede”, disse Teles em entrevista no evento. “Controlamos toda a nossa rede e todo o nosso software de segurança. Se houvesse algum tipo de insegurança tecnológica, a Huawei não estaria vendendo em todo o mundo.”

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A Huawei está sob investigação nos EUA, que consideram a empresa uma ameaça à segurança nacional com o argumento de que poderia construir canais indetectáveis na tecnologia 5G e permitir ao governo chinês espionar as comunicações americanas. A Huawei negou as acusações e disse que não é uma ferramenta de Pequim.

A Vodafone, maior operadora de telefonia da Europa, admitiu à Bloomberg News na terça-feira que encontrou falhas de segurança em equipamentos da Huawei em 2009. Embora a Vodafone afirme que os problemas foram resolvidos, a revelação poderia afetar ainda mais a reputação da maior empresa de tecnologia da China.

Em visita aos EUA em março, o presidente Jair Bolsonaro e Trump discutiram estratégias para aumentar o comércio entre os dois maiores países do continente americano. Embora Trump tenha recomendado um veto à empresa chinesa, Bolsonaro disse que o Brasil tentaria negociar com o maior número de países possível, sem viés ideológico. Os EUA e a China são os maiores parceiros comerciais do Brasil, o maior exportador mundial de várias commodities, como minério de ferro, carne bovina e soja.

O evento luxuoso realizado na noite de terça-feira ilustra como a Huawei está levando a sério o mercado brasileiro. O apresentador da TV Globo André Marques foi mestre de cerimônias e fez piadas sobre sua pronúncia de palavras chinesas. Uma exposição mostrou fotos que o fotógrafo Bob Wolfenson tirou com câmeras P30, equipadas com lentes da Leica Camera - que também esteve envolvida em uma polêmica recente com a China.

Ao fazer negócios com empresas e parceiros em todo o mundo, os executivos da Huawei “respeitam muito as leis de privacidade locais e internacionais e as leis de segurança em todos os países em que operamos ou, francamente, não estaríamos neste negócio”, disse Dunagan quando perguntada sobre as questões de segurança.

 

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