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EUA atacam Huawei para que mundo não confie em 5G da China

Americanos querem dizer que a maior empresa de tecnologia da China é uma ameaça à segurança nacional 

logo da Huawei no prédio-sede da empresa
(Tyrone Siu/Reuters)

(Bloomberg) - As inúmeras páginas de acusações dos EUA divulgadas na segunda-feira (28) contra a Huawei Technologies não mencionam explicitamente nada sobre as redes 5G nem sobre a agência de espionagem da China.

Mas transmitem uma mensagem clara aos líderes mundiais sobre a possibilidade de usar equipamentos Huawei na próxima geração de redes sem fio que conectará tudo, dos telefones e carros aos superpetroleiros: a maior empresa de tecnologia da China é uma ameaça à segurança nacional. 

"Eles não vão apenas atrás da noção de que há fortes evidências de espionagem anterior", disse Graham Webster, membro do grupo de pesquisa New America, que tem sede em Washington e estuda a economia digital da China. "Eles estão tentando acabar com a confiança na Huawei em geral, dizendo que ter esta empresa em sua infraestrutura não é confiável."

O caso é mais um sinal de que tensões estratégicas mais amplas entre as duas maiores economias do mundo persistirão mesmo se elas chegarem a um acordo para acabar com uma guerra comercial que já dura meses e começa a abalar o crescimento global e os resultados corporativos. Isso pode ser mais difícil agora, porque o principal assessor econômico do presidente chinês, Xi Jinping, visita Washington nesta semana para negociar meios de evitar mais aumentos tarifários.

As acusações colocam mais holofotes sobre a Huawei, que se tornou um símbolo da ascensão econômica da China e do desafio ao status dos EUA como a maior superpotência mundial. Em particular, a decisão de processar Meng Wanzhou - filha do bilionário fundador da Huawei, Ren Zhengfei - irritou Pequim e aumentou o receio em todo o mundo de uma nova Guerra Fria.

Para a Huawei, as acusações não poderiam vir em pior hora. Desde que Meng - diretora financeira da Huawei - foi presa no Canadá em 1º de dezembro, após um pedido dos EUA, a empresa tem tido dificuldade para convencer o mundo de que seus equipamentos não serão usados para espionagem. Neste mês, a Polônia prendeu um funcionário da companhia por espionagem, o que levou a Huawei a negar qualquer responsabilidade por suas ações.

Ren, fundador e CEO da Huawei, usou uma rara aparição na imprensa neste mês, na sede da companhia em Shenzhen, para reiterar que a empresa não ajuda Pequim a espionar.

"Amo meu país e apoio o Partido Comunista, mas não farei nada para prejudicar o mundo", disse Ren. Na terça-feira, a Huawei divulgou um comunicado em que afirma mais uma vez que não fez nada de errado em nenhum dos casos.

As acusações, no entanto, são um ataque direto à credibilidade da Huawei.

Juntas, as acusações reforçam o argumento do governo Trump de que a Huawei obedece ordens do governo chinês. Embora não haja evidências explícitas de que os produtos da empresa estejam comprometidos, é muito difícil ter certeza disso - um risco que, argumentam os EUA, é grande demais para infraestruturas fundamentais como a 5G.

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"A guerra tecnológica entre os EUA e a China vai se intensificar ao longo deste ano", disse David Loevinger, ex-funcionário do Tesouro dos EUA que agora é diretor administrativo da TCW, uma gestora de ativos com sede em Los Angeles, à Bloomberg Television.

"E não serão apenas ações legais contra empresas chinesas e executivos chineses: haverá restrições muito mais abrangentes sobre as exportações de tecnologia para a China e restrições muito mais abrangentes sobre o investimento chinês no setor de tecnologia."

Repórteres da matéria original: David Tweed em Hong Kong, dtweed@bloomberg.net;Gao Yuan em Pequim, ygao199@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Daniel Ten Kate, dtenkate@bloomberg.net, Edwin Chan

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