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A internet torna os espertos mais espertos e os estúpidos mais estúpidos, diz Walter Longo

87% do que é buscado na internet é apenas entretenimento. Quem usa a internet para estudar é a minoria, afirma o executivo

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(Shutterstock)

FLORIANÓPOLIS * -  O avanço da tecnologia e o acesso à internet de qualquer lugar, via dispositivos móveis, tem inúmeras e incontestáveis vantagens. Mas o executivo da área de comunicação Walter Longo defende que é preciso ter um olhar mais crítico em relação a algumas desvantagens e cita grandes tendências que, segundo ele, estão preocupando cientistas e tirando o sono de executivos e empresários.

“A internet está tornando os espertos mais espertos e os estúpidos muito mais estúpidos. 87% do que é buscado na internet é apenas entretenimento. Quem usa a internet para estudar é a minoria”, afirmou Longo durante o Data Driven Business, evento organizado pela empresa Neoway, especializada em big data. 

Um dos receios dos especialistas é com a chamada “exteligência”, segundo Longo. O termo nada mais é do que a indicação de que cada vez mais informações são guardadas em dispositivos externos, e não precisam mais serem aprendidas e memorizadas pelas pessoas. “Quando eu era pequeno, tudo que aprendia guardava na minha cabeça. Era meu hard disk, o único lugar que eu tinha para guardar as coisas.  Se eu quisesse saber o nome das três pirâmides do Egito, tinha que estar na minha cabeça; se quisesse guardar os rios que cruzavam a mesopotâmia, estava tudo lá dentro. Se quisesse entender as capitanias hereditárias, cabia a mim guardar todo esse assunto no meu cérebro”, disse Longo 

Ele justifica que a grande vantagem desse tipo de memorização é que ela gera sinapses nos neurônios, o que provoca o surgimento de ideias e insigths. “Tudo isso estimulava a minha criatividade”, diz.

Com tantas informações acessíveis facilmente via dispositivos, as pessoas entendem que não precisam necessariamente aprender e memorizar tantas coisas. “Neste novo momento da sociedade, estamos deixando cada vez mais informação no celular, no computador, na nuvem, etc. O que antes guardávamos na nossa cabeça, agora temos um espaço infinitamente maior para deixar muito mais informação. Mas com um problema: Sem a informação armazenada no cérebro, os neurônios não fazem sinapse. E nós não temos a capacidade de gerar ideias e de sermos criativos se a informação não estiver dentro da nossa cabeça”, alerta.

3 tipos de curiosidade

Longo destaca que as pessoas possuem 3 tipos diferentes de curiosidade:  a diversiva, que é mais superficial e estimulada por nossa necessidade de controle sobre o entorno.  “É uma visão genérica e pouco profunda do que está acontecendo”. Outro tipo é a empática, que é a curiosidade sobre as outras pessoas. “Queremos saber coisas simples, como quem foi demitido da empresa, ou qual atriz foi no casamento da outra”, exemplifica.

Por último, o terceiro tipo de curiosidade é conhecida como “epistêmica”, e é mais profunda e analítica. “Ela tenta entender a razão dos fatos. Por que eles acontecem e quais as suas consequências”, diz Longo.  “Cada vez mais estamos vendo na sociedade um crescimento da curiosidade empática e diversiva, e uma diminuição preocupante da curiosidade epistêmica, que nos leva a refletir de uma maneira muito mais profunda sobre os fatos e as coisas”, continua o executivo.

Com um tom quase profético, Longo afirma que isso pode criar uma nova forma de inequidade social, tornando os curiosos “uma casta superior”. “A curiosidade pode ser a grande diferença entre as pessoas. E infelizmente o sistema educacional não está dando a mínima bola para esse assunto. A internet é o melhor dos mundos para os curiosos e para os descuriosos”. 

* O jornalista viajou a convite da Neoway

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