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WhatsApp vai ao STF para evitar mais bloqueios; "Brasil é um mercado importante para nós"

A equipe do WhatsApp falou sobre a importância do Brasil para a empresa, criptografia e dos casos de bloqueio do aplicativo pela Justiça Brasileira 

Whatsapp
(Shutterstock)

SÃO PAULO – No primeiro evento do mundo dedicado a imprensa nesta quarta-feira (31), em São Paulo, a equipe do WhatsApp falou sobre a importância do Brasil para a empresa, criptografia e também dos casos de bloqueio do aplicativo pela Justiça Brasileira.

De acordo com o engenheiro de software Ehren Kret, o aplicativo tem mais de 1,2 bilhão de usuários espalhados em 180 países. No Brasil, são 120 milhões de usuários. "É um mercado extraordinariamente importante para nós", afirmou o responsável jurídico da empresa Mark Kahn em relação ao nosso país.

E justamente por isso, Kahn afirma que não faz sentido a Justiça Brasileira bloquear o aplicativo. “É desproporcional bloquear um aplicativo de conversa usado por tantos brasileiros”, disse.  

Isso porque o WhatsApp teve problemas com a justiça três vezes. Em todas o aplicativo foi bloqueado em todo o território nacional porque a empresa não forneceu às autoridades informações referentes a investigações.

Devido a isso, a equipe de executivos da empresa veio ao Brasil para uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília, na próxima sexta-feira, (2), onde vai discutir o fato de decisões judiciais impedirem o funcionamento do aplicativo. 

“Respeitamos o sistema jurídico brasileiro e suas leis e vamos tentar ajustar nossas expectativas às dele”, disse Kahn. Mas deixou claro que não pode desfazer a criptografia. "Criar uma maneira de romper a criptografia do WhatsApp enfraquece o aplicativo para todo mundo, e nos deixa vulnerável a hackers", complementa Kret.

Kahn pretende mostrar às autoridades a importância do aplicativo e a inviabilidade de romper a criptografia, além de mostrar como o app pode cooperar com a Justiça sem prejudicar seus usuários. "A última coisa que nós queremos é ser bloqueados de novo por aqui", diz.

Entre as informações que a empresa pode liberar estão o número de telefone do usuário, nome (que não necessariamente é verdadeiro), qual plataforma (Android, iOS ou Windows Phone) o usuário usa, quando começou a usar o app, qual versão do app ele tem, quais grupos participa, qual foi o último acesso dele no app e os contatos dele, disse o responsável jurídico que afirmou ainda que com a criptografia as informações ficam limitadas até mesmo para a empresa.

Kahn disse ainda que a empresa já teve problemas em outros países, mas que o Brasil é o único país com o qual eles enfrentam dificuldades tais como os bloqueios. A empresa nunca teve que quebrar a própria criptografia e por isso não pretende fazer isso por aqui. "Somos uma empresa dos Estados Unidos, e nem mesmo lá nós já tivemos que quebrar nossa própria criptografia", diz.

Criptografia

A criptografia de ponta a ponta adotada pelo WhatsApp começou a ser implantada no Brasil em abril de 2016 e aos poucos foi contemplando todos os usuários do app. “Era um desejo de Jam Koum [criador do aplicativo] ter os dados totalmente criptografados, porque nasceu e cresceu na Ucrânia, quando ainda era parte da União Soviética, e tudo era espionado”, disse Kret.

Hoje 100% dos usuários usam a criptografia de ponta a ponta, sem precisar ativar nada. As mensagens, áudios e vídeos já saem do celular criptografadas. "Nosso servidor já nem está mais configurado para receber mensagens descriptografadas", disse o engenheiro.

Para implementar o recurso, a empresa adotou um sistema de chamado Open Whisper System, que usa o protocolo Signal, que é amplamente considerado na indústria como a forma mais segura de comunicação, e passa por revisões constantes de terceiros, segundo Kret. Ele informou que 71% dos brasileiros confiam no aplicativo para mandarem mensagens confidenciais pessoais e 57% acham que é seguro o suficiente para realizar compartilhar informações financeiras.

Para entender melhor: segundo os executivos, as mensagens que você envia para alguém ou em algum grupo só podem ser vistas por você e por quem as recebe. Nem o servidor central do aplicativo é capaz de ver o conteúdo das mensagens, sabe apenas que houve uma troca de mensagens entre os envolvidos. As mensagens que são entregues ficam apenas nos celulares dos respectivos usuários, não há cópias no servidor central da empresa. 

Cada mensagem tem sua própria chave criptografada, ou seja, se caso alguém decifrar o código de uma conversa terá acesso ao conteúdo de uma única mensagem enviada e não da conversa inteira.

"Com o máximo de poder computacional disponível hoje, levaria milhões de anos para descriptografar uma das nossas mensagens, áudios ou vídeos. E seria necessário repetir o processo para cada mensagem que você quisesse ler", disse Kret.

Negócios

Kret informou também que a empresa pretende desenvolver o WhatsApp para que ele também se torne uma maneira de empresas e serviços se comunicarem com seus clientes, mas não informou de que forma pretende fazer isso. 

Matt Steinfield, gerente de comunicações e relações públicas da empresa, afirmou que essa nova frente não vai rechear o aplicativo de propagandas, e que o serviço oferecido aos usuários continuará gratuito. Quando forem avaliar como vai funcionar para empresas, eventualmente, as que quiserem usar os recursos do app poderão ser cobradas, mas os usuários, não.

Kret disse também que o WhatsApp não pretende estender suas operações para uma unidade da empresa no Brasil, por enquanto.

 

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