Por Dentro dos Resultados

“Espero que o Brasil aprenda essa lição para que a gente possa ter um país melhor. A gente não pode viver o que estamos vivendo aqui hoje”, diz CEO da Ânima

Marcelo Bueno participou de live do InfoMoney e falou sobre aquisições, investimentos, crescimento e criticou o governo: "acabar com ProUni é aberração"

SÃO PAULO — Fortalecida após duas aquisições de peso, a Ânima Educação (ANIM3) agora foca em extrair o máximo de sinergia com a integração da Laureate e da Unisul. Em live do InfoMoney, o CEO do grupo, Marcelo Bueno, falou sobre os planos de investimento e criticou a atuação do governo federal na educação.

“A educação de qualidade vai sair fortalecida da pandemia. E eu espero que o Brasil aprenda essa lição para que a gente possa ter um país melhor, que possa fazer suas escolhas melhores. A gente não pode viver o que estamos vivendo aqui hoje”, disse o executivo. “O ProUni é um dos maiores programas sociais do governo. É um patrimônio, é talvez a única possibilidade que milhões de brasileiros e brasileiras têm de entrar no ensino superior. Nós temos números estatísticos que mostram que os alunos mais bem avaliados e que mais frequentam as aulas são os alunos do ProUni, porque dão valor ao que recebem. (…) Você descontinuar um programa como esse é uma aberração”, completou.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do segundo trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Leia também: Com retomada dos projetos offshore, Priner chega a quase 100% de utilização de equipamentos e é forçada a investir

Bueno citou que o sistema brasileiro de educação é errado ao não garantir estudo básico de qualidade aos brasileiros para que eles consigam chegar no vestibular com as mesmas chances dos alunos de colégios particulares. “Meus pais conseguiram pagar ensino privado de alta qualidade para mim e meus irmãos. Veio o vestibular e eu passei na USP, em São Paulo. Passei a estudar de graça. Aos 16 anos, eu não tinha consciência desse sistema injusto que é o sistema educacional brasileiro”, disse.

“A grande massa da população brasileira tem acesso ao fundamental e médio público, com qualidade questionável na maioria das vezes. Chegam os vestibulares e eles não passam nas universidades federais e estaduais, gratuitas. Ou desistem de estudar, ou vêm para o setor privado. Acho que essa é a primeira reflexão: isso é correto? Estão sendo bem investidos os recursos públicos para oferecer educação a quem pagou a vida inteira e pode pagar? É a primeira reflexão que a sociedade deveria fazer”, continuou.

André Tavares, CFO da Ânima e que também participou da live, falou sobre os números, em especial sobre a Inspirali, braço de medicina do grupo de educação, que atingiu outro patamar com as aquisições recentes. “Só para você ter uma ideia, nós terminamos o ano passado com mais ou menos 2.400 alunos de medicina. Com a entrada da Unisul no primeiro trimestre, esse número dobrou. E com a entrada, no segundo trimestre, das instituições da Laureate, esse número foi para praticamente 10.000 alunos”, disse.

Os executivos falaram ainda sobre novos planos de M&A (fusões e aquisições), sobre o andamento dos estudos de spin-off da Inspirali, sobre dividendos e investimentos. Eles voltaram a destacar que o diferencial da Ânima é o foco em longo prazo e disseram que a hora é de “separação do joio do trigo”, citando que as empresas que já investiam em tecnologia e educação híbrida (online e presencial) antes da pandemia, se deram melhor quando o coronavírus veio. “Em 5 dias, colocamos 145.000 alunos para estudar em casa”, disse Bueno. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

PUBLICIDADE

Conheça o plano de ação da XP para você transformar os desafios de 2022 em oportunidades de investimento.