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Do dente quebrado à acupuntura: como funciona o seguro para cuidar dos pets?

Seguro pode ser aliado em casos quando o animal é internado ou passa por uma cirurgia inesperada

Jamille Niero

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As famílias brasileiras estão cada vez mais multiespécies. Uma pesquisa recente do Datafolha estima que 60% dos brasileiros com mais de 16 anos têm algum animalzinho em casa. O mesmo levantamento aponta que 34 milhões de lares tem ao menos um cão. O gasto dos tutores, como são chamadas as pessoas que cuidam dos animais, é significativo e passa de R$ 200 por mês.

Esse valor pode crescer nos meses em que há alguma emergência com a saúde do pet. O cuidado com os animais domésticos é o tema do episódio desta quinta-feira (8) do videocast Tá Seguro? (disponível no canal do InfoMoney no YouTube e nas plataformas de podcast, como o Spotify).

O criador de conteúdo Leonardo Bagarolo, tutor de duas cachorras (Madalena e Bica) e uma gata (Lola), detalha na entrevista os “sustos” que ele já passou — principalmente com a duplinha canina. “Eu costumo dizer que elas são um parque de diversões em casa. São muitas emoções, não necessariamente positivas”, brinca.

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Uma desses casos foi quando uma brincadeira com uma bolinha resultou acidentalmente em um dentinho quebrado da pinscher Bica, de 8 anos. “Eu não reparei no dia, só no seguinte. Fui gravar um vídeo, ela bocejou e o dente tava atravessado, bem o dente da frente. Eu fiquei bastante desesperado porque eu não sabia o que deveria fazer naquela situação. Logo na sequência, a gente a levou na clínica e teve que tirar o restante, a raiz, que não podia ficar lá porque podia dar outras complicações”, explica Bagarolo.

Já a “irmã”, Madalena, que tem 4 anos e é da raça buldogue inglês, já passou por situações emergenciais e outras que exigem um acompanhamento perene. Um dos sustos que Bagarolo contou no programa ocorreu quando ele foi visitar a mãe no interior paulista.

Ao voltar da casa da tia, ele se deparou com o muro, daqueles “chapiscados”, em vermelho da metade pra baixo. “Eu perguntei se ela tinha pintado o muro, porque era uma quantidade muito absurda de vermelho que tinha, e ela disse que não, e aquilo não era tinta, era sangue. Quando eu olhei para a cara da Madalena, ela tava toda ensanguentada. Apesar de não ter muitos problemas de pele, ela se coça muito, começou a coçar ali e viu que era gostoso, só que ela não tem limite, coçou até acabar com a cara e o focinho, que ficou em carne viva dos lados. Foi desesperador, apesar de ter sido mais superficial”, relata.

Outra situação foi a descoberta da artrose, doença sem cura, mas com tratamento. A última “saga” vivida por Madalena foi detectada quando ela começou a mancar. Mesmo tomando remédios para a dor, a situação não melhorou.

Por isso, a pet passou por uma bateria de exames (teve até ressonância) para descobrir o problema. Hoje, o tratamento inclui fisioterapia e acupuntura. “Ela tem um cuidado médico que é muito maior do que eu tenho comigo e que eu já fiz na minha vida inteira”, brinca o tutor da Madalena. A outra cachorrinha, a Bica, além do caso emergencial ocorrido com o dente, também faz acompanhamento veterinário periódico para monitorar uma gastrite e uma condição cardíaca.

Atendimentos recorrentes

Débora Ayres, veterinária, sócia e diretora clínica do Árbol Hospital Veterinário, explica que a medicina veterinária está muito próxima da medicina humana. Dentro de um hospital veterinário, o serviço acaba dividido entre o “pronto atendimento”, no qual se encaixam as emergências, e o de rotina, que tem um viés mais preventivo.

Ela explica que os casos mais frequentes que chegam para atendimento vão desde situações envolvendo quedas, atropelamentos, além de problemas com a saúde bucal. “Se o cão estiver, por exemplo, com um dente amolecido, algo assim, ele não tem como falar, então é comum chegar para nós, veterinários, aquilo que já poderia ter sido identificado antes”, conta Débora.

Na avaliação da veterinária, a evolução da medicina e os planos de saúde voltados aos bichinhos certamente contribuíram para que mais tutores passassem a se preocupar com check-ups. “Já é muito comum receber os pacientes que realmente seguem o calendário preventivo. As especialidades, hoje, também estão muito em alta. Temos pacientes sendo acompanhados por nefrologistas, cardiologistas e gastroenterologistas, que é minha especialidade. Estamos saindo de um cenário no qual o paciente só vai para o hospital ou clínica quando não é mais possível segurar em casa, para um cenário onde é tudo pensado”, disse a especialista.

Da emergência ao check-up

Para Fabiano Lima, CEO da área de saúde da Pet Love, a pandemia de Covid-19, em 2020, foi um dos principais aceleradores da demanda por seguros ou planos de saúde voltados aos pets. “As pessoas passaram a conviver mais tempo perto dos pets e começaram a perceber os comportamentos deles, quando ficam mais quietinho num dia ou mais ativo no outro e passaram a cuidar melhor da saúde deles”, observa.

Os planos para pets funcionam de forma similar aos planos para humanos, partindo de opções mais básicas que cobrem toda a “parte ambulatorial”, contemplando atendimentos de emergência, realização de alguns exames, consultas e vacinação. E existem também os planos mais completos, que cobrem internação, cirurgia e até acupuntura e fisioterapia.

Lima destacou que a estimativa é a da existência de 85 milhões de cães e gatos de estimação no país. Já o número de pets cobertos por algum plano de saúde é estimado em cerca de 230 mil. “Não existe um número oficial, mas fazemos uma estimativa que passa perto disso, que é 0,3% de penetração. Então ainda é algo muito incipiente, que tá só no começo. Quando abordamos as pessoas para falar sobre o plano, de maneira online ou via corretores de seguros, a primeira reação de mais de 60% delas é ‘mas existe isso?’, conta.

De acordo com o executivo, a maior parte dos tutores que busca o plano de saúde para o pet acaba visando situações emergenciais e internações. Contudo, a realização de check-ups vem ganhando espaço. “A prevenção é algo importante que a gente tenta incentivar”, pontua.

A média de uso do plano, observada pela Pet Love, é de 2,9 vezes por ano — idas ao veterinário para consulta, sem contar os eventuais exames. Já quem não tem o plano costuma visitar o veterinário “no máximo uma vez por ano”, a não ser quando os tutores observam alguma anomalia no comportamento do bichinho.

Leonardo Bagarolo diz que também começou a se preocupar mais com a saúde das cachorras na pandemia, quando ficou mais em casa e pôde acompanhar mais de perto as duas. Com o trabalho desenvolvido com elas nas redes sociais, o viés preventivo só aumentou.

Ele compara que o cenário mudou muito em relação aos cães que já teve, porque não havia esse olhar mais preventivo, e os cães acabavam vivendo menos do que hoje. “Estávamos acostumados com uma rotina completamente diferente. Tento sempre passar para os nossos seguidores que têm pets, que são apaixonados por pets, o quanto é importante fazer check-ups e exames que vão facilitar também o tempo que o seu pet vai passar junto com você”, comenta.

Os cuidados em cada etapa da vida do bichinho podem variar. Segundo Débora, quando filhote, a principal preocupação é com o calendário vacinal e com doenças congênitas, que podem ter reflexos no futuro. Outra preocupação com um cão mais jovem é a castração.

Já para os cães adultos e idosos, é importante avaliar mais de perto questões como a limpeza de tártaro, muito influenciada pelo tipo de alimentação. “É preciso entender as particularidades da raça e do indivíduo. Como funciona o organismo, se existe alguma alteração ou algo que precisa de uma maior atenção. E, a partir daí, montar o calendário preventivo, que vai englobar os exames que devem ser feitos em cada etapa da vida do animal”, indica a veterinária.

Os avanços do mercado pet se equipara ao praticado pelo mercado de planos de saúde para humano em alguns pontos. Por exemplo, Lima conta que recentemente a Pet Love criou um programa de cuidados especiais para os pacientes crônicos. Foram selecionados 191 pets diabéticos que estão sendo acompanhados há cerca de 4 meses. “Vimos pets diabéticos que não faziam um hemograma há dois anos. Isso precisa ser acompanhado com uma frequência muito maior, então passamos a incentivar o cuidado”.

Custos

O executivo da Pet Love explica que o cálculo do preço do plano leva em conta variáveis como a frequência de uso e a severidade. Não costumam entrar a idade ou a raça do animal, nem a pré-existência de doenças. Por outro lado, existem carências para alguns procedimentos, como a castração, e a coparticipação, na qual o tutor paga uma parte do procedimento.

Para Débora, o hospital veterinário vem olhando com outros olhos para o plano de saúde pet. Ela conta que, durante muito tempo, os veterinários enxergavam os planos como concorrentes, além do patamar de valores repassados. Mas, atualmente, ela ressalta que muitas pessoas já chegam perguntando se o hospital vai atender o plano pet. Além disso, ao ser credenciado como rede de atendimento do plano, muitos tutores acabam conhecendo a clínica por meio desse “canal”.

Saúde dos pets

Veja 3 dicas dos especialistas para manter a saúde do seu animal em dia. Confira:

• Observe se há mudança de comportamento e não espere muito para procurar atendimento veterinário se notar algo errado;
• Busque manter o cãozinho sempre ativo com diferentes atividades, visando a saúde física e mental;
• Ao contratar um plano de saúde pet, observe se estão contempladas as coberturas adequadas ao bichinho, sempre levando em conta o momento de vida e as suas particularidades.

“Acho que é um mercado que tem muito a crescer. Apesar de ser extremamente grande, a maior fatia é voltada para a parte de nutrição, mas não tanto para a parte de saúde. Esperamos ver nos próximos anos a fatia da saúde crescer e ver as pessoas realmente investirem e entenderem que se o animal é um ‘filho’, ele merece cuidados e saúde de um filho”, acrescenta Lima, da Pet Love.

Jamille Niero

Jornalista especializada no mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e saúde suplementar, com passagem por mídia segmentada e comunicação corporativa.