Crise deve acelerar processo de concentração no setor de saúde, afirma consultor

Para Pedro Fazio, menor demanda vai forçar grandes grupos a buscarem carteiras de pequenas e médias empresas

SÃO PAULO – Uma dose de confiança fica clara nas palavras de Pedro Fazio, diretor da Fazio Consultoria, especializada em gestão da saúde suplementar, ao comentar o ambiente para o setor de serviços médico-hospitalares para 2009. O diagnóstico positivo contrasta com o pessimismo gerado pelo avanço nas taxas de desemprego no Brasil.

O economista aposta em uma intensificação do processo de consolidação do ramo de saúde. “Existem hoje pequenas operadoras de saúde que já não estão saudáveis. Isso pode agilizar uma solução mais sólida no mercado. Grandes grupos passarem a comprar estas, mantendo o segmento funcionando de forma tranquila.”

Fazio espera também notícias mais agradáveis do lado do mercado de trabalho, citando os anúncios de investimentos que o Governo têm feito. Ele pede atenção à trivial rotatividade de mão-de-obra que ocorre nesta época do ano. “É preciso entender o quanto isso é da crise e o quanto é movimento natural do mercado.”

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Consolidação

O elevado número de demissões em diversos setores da economia brasileira tem preocupado analistas do ramo de saúde. A relação é óbvia: contenção no emprego terá um reflexo evidente no número de beneficiários. Tanto nos planos coletivos, patrocinados geralmente pelo empregador, como nos individuais.

É justamente aí que entra a tese do diretor da Fazio Consultoria. Sem ter como expandir na venda individual, em novos contratos, as grandes empresas, que estão com caixa, passariam a olhar as carteiras das pequenas e médias operadoras. “É uma maneira de você manter sua rentabilidade”, afirma.

“Para ter hoje uma empresa instalada com todo o custo fixo, com toda obrigação perante a agência nacional, ela não pode diminuir. A empresa precisa, no mínimo, manter a carteira dela. Se ela não tiver nova demanda de mercado ela vai buscar o mercado existente”, completa Pedro Fazio.

Concorrência

Vale destacar que a tendência de enxugamento de operadoras vem ocorrendo há algum tempo. “Havia no Brasil umas 3 mil operadoras. Hoje são 1.200. O mercado é concentrado em 30 empresas”, destaca o especialista, que traça alguns aspectos levando em consideração prováveis impactos no nível de concorrência.

“Focando no segmento empresarial, que é mais de 70% do mercado, você tem assistência médica como o item mais caro na folha de pagamento, tirando salário. Então as próprias empresas vão buscar sempre uma otimização, algum plano que tenha uma condição melhor. E a tendência do segmento individual é não crescer mais”.