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Yellow x Bike Sampa: qual vale mais a pena em São Paulo

Criada pelo antigo CEO da Caloi, Eduardo Musa, e o fundador da 99, Ariel Lambrecht, a empresa começou a operar no início de agosto

Yellow
(Reprodução/Instagram)

SÃO PAULO – Nas duas últimas semanas, alguns bairros de São Paulo foram palco de uma “invasão” de bicicletas amarelas, curiosamente estacionadas em calçadas e áreas públicas de prédio. Se trata – literalmente – da Yellow, empresa de compartilhamento de bikes, que chegou à cidade.

Criada pelo antigo CEO da Caloi, Eduardo Musa, e o fundador da 99, Ariel Lambrecht, a empresa começou a operar no início de agosto, já credenciada pela Prefeitura de São Paulo para operar com o compartilhamento de bicicletas na capital. Chama atenção seu modelo de compartilhamento, diferente do das demais companhias que também operam na cidade.

Para começar, o fato de não ter estações físicas, o que explica todas as bicicletas ficarem espalhadas pela cidade. Os usuários à procura de uma bike conseguem identificar quais estão mais próximas de sua localização no aplicativo, que através do GPS instalado nas mesmas, consegue identificar sua localização. Uma vez encontrada a bicicleta, o usuário aciona o sistema para “destravá-la”, dirige até seu ponto de chegada e pode deixa-la em qualquer lugar para outro usuário.

Todo o sistema é digital: ela é acompanhada de um cadeado que pode ser destravado por um sistema de QR Code no aplicativo da empresa. Já no momento em que ela é liberada, o tempo da viagem já começa a ser contado. Os créditos que liberam o uso das bikes também podem ser comprados pelo aplicativo, em pacotes de R$ 5, R$ 10, R$ 20 e R$ 40; o usuário paga R$ 1 a cada 15 minutos de corrida, segundo a empresa. Ao final da corrida, é necessário fechar o cadeado manualmente.

O modelo foi pensado de forma que a segurança do passageiro e das bicicletas não seja um problema. Todas as bicicletas disponibilizadas são equipadas com chip de GPS instalado em diferentes partes e, quando existe tentativa de mover a bicicleta depois de travada, um alarme apita.

Vale a pena?

Sim e não.

Fazendo uma comparação básica com um dos principais serviços de compartilhamento de bicicletas disponível na cidade, o Bike Sampa, do banco Itaú, a Yellow pode não ser tão vantajosa por alguns motivos.

Preço. O Itaú cobra R$ 2 por uma viagem de até 60 minutos; na Yellow, uma corrida dessa duração sairia pelo dobro, R$ 4. Mas deve-se considerar que a proposta da Yellow é um pouco diferente da do Bike Sampa: ao invés de ser o único meio de locomoção do usuário, a ideia é que seja uma alternativa de transporte para distâncias mais curtas, de até 2km. Seguindo esse objetivo, o serviço sai mais barato.

Outra diferença é que o serviço do banco vende planos diários, mensais e até anuais de viagem, que oferecem número ilimitado de viagens de até uma hora de acordo com o período válido, possibilidade que não existe na “amarelinha”.

Formas de pagamento. No momento a Yellow permite a compra de créditos somente com cartão de crédito – em breve, também possibilitará o pagamento no débito. Uma das condições para que a empresa opere na capital é a liberação da bicicleta com Bilhete Único, possibilidade que, na época em que foi anunciada, a empresa prometeu ter – e as demais concorrentes já oferecem.

A qualidade da bicicleta também dá pontos de vantagem para o serviço da concorrente, visto que a Yellow não tem sistemas de marchas, dificultando dirigir em subidas.

Disponibilidade. Ainda que a Yellow não tenha estações físicas, a maioria das 500 bikes disponibilizadas na cidade está concentrada nos bairros do “centro financeiro” da cidade e da zona oeste – Itaim Bibi, Pinheiros, Vila Olímpia e a região da Faria Lima têm incontáveis amarelinhas pelas ruas. Depender da Yellow para locomover-se em outros bairros, portanto, pode não ser uma boa ideia, ao menos a princípio.

Estações. A grande vantagem da Yellow é permitir que as bikes sejam estacionadas onde for conveniente para o usuário. As concorrentes, incluindo a Bike Sampa, exigem que elas sejam estacionadas em estações – hoje, 260 em São Paulo.

A empresa já está trabalhando em uma expansão: até novembro, quer totalizar 20 mil bikes disponibilizadas para, no próximo ano, chegar à marca de 100 mil magrelas. Incentivar a circulação em regiões periféricas também está nos planos. Nesse ritmo, a empresa promete ultrapassar a concorrente principal, que hoje soma 2.600 bicicletas. 

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