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Famílias gastam 36% mais por pessoa com saúde que o governo

O principal gasto das famílias foi com serviços de saúde privados, que inclui os planos

Médico
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A despesa per capita das famílias e instituições sem fins lucrativos com bens e serviços de saúde alcançou R$ 1.538,79 em 2015, 36% mais do que a despesa per capita do governo, que foi de R$ 1.131,94. As informações são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em 2015, as despesas com saúde corresponderam a 9,1% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, sendo que 5,1% vieram das famílias, 3,9% do governo e 0,1% das instituições sem fins de lucro a serviço das famílias.

O principal gasto das famílias foi com serviços de saúde privados, que inclui os planos. Esse gasto, de R$ 204,4 bilhões, chegou a 3,4% do PIB em 2015. O gasto com medicamentos foi de R$ 92,5 bilhões, cerca de 1,5% do PIB.

O principal gasto do governo, em 2015, foi com saúde pública, com R$ 184,2 bilhões ou 3,1% do PIB. Com serviços de saúde privados, o governo gastou 0,6% do PIB (R$ 36,2 bilhões) e com medicamentos para distribuição gratuita foi 0,2% (R$ 10,9 bilhões).

“Considerando apenas os serviços de saúde, ou seja, atendimentos, internações, exames, o gasto do governo e das famílias é bem próximo, um pouco maior para o governo. Mas o governo atende a uma quantidade muito maior de usuários”, explica Ricardo Moraes, gerente de bens e serviços da coordenação de contas nacionais do IBGE.

Quando são consideradas, além do consumo final, transferências como as feitas para o programa “Aqui tem Farmácia Popular”, 45,1% do financiamento da saúde vem do governo e 53,6% das famílias.

Despesas com saúde aumentam
O consumo final de bens e serviços de saúde foi de R$ 546 bilhões, o que equivale a 9,1% do PIB acima dos 8,7% observados em 2014 e os 8,2% de 2013. Segundo Moraes, em 2014, a proporção cresceu porque o consumo desses produtos aumentou. Já em 2015, o aumento veio não tanto pelo consumo, que cresceu comparativamente menos, mas foi decorrente da queda do PIB.

“É esperado que o consumo de serviços de saúde não fique estável, mesmo com a crise, porque a população cresce e, só por isso, já tem um aumento da demanda. Além disso, o envelhecimento populacional também faz crescer o consumo: a população não tem como deixar de usar bens e serviços de saúde”, explicou Moraes.

O consumo de bens e serviços de saúde vem crescendo desde 2010, quando se iniciou a série da pesquisa. Em 2015, esse crescimento em volume – descontando as variações de preços – foi de 0,5% para o consumo do governo e de 1,6% para o das famílias. Já o consumo de bens e serviços não-saúde pelo governo, em 2015, caiu 2% enquanto o consumo desses bens e serviços pelas famílias, caiu 3,6%.

“A população cresce, em média, 0,8% ao ano. Então, esse crescimento de 0,5% do governo é, na verdade, uma queda per capita. Mas se você olhar para o resto do consumo do governo, que é basicamente educação e administração pública, a queda foi de 2%”, ponderou Moraes.

 

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