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Crise não esfria chegada de novos carros ao mercado

Segundo analistas, novos projetos são definidos de dois a três anos antes da chegada ao mercado, e desistir deles na reta final não é vantajoso, ainda que o lançamento ocorra em meio a um furacão

carros - trânsito - Brasília - noite
(Marcello Casal Jr/ABr)

Apesar de caminharem para o pior resultado em vendas desde 2007, fabricantes e importadores não frearam o ritmo de lançamentos neste ano. Com as 11 novidades que ainda chegarão até dezembro, o total de estreias inéditas ou com significativas mudanças chegará a 42, número muito próximo ao de 2014.

Segundo analistas, novos projetos são definidos de dois a três anos antes da chegada ao mercado, e desistir deles na reta final não é vantajoso, ainda que o lançamento ocorra em meio a um furacão. "Normalmente o efeito da crise não é imediato, mas pode ocorrer daqui para frente", diz Martin Bodewig, da consultoria Roland Berger.

Neste ano, fabricantes e importadores deixaram de lado as inovações no segmento dos populares, ou carros de entrada, os mais afetados pela crise, e concentraram investimentos em modelos mais caros. Por exemplo, os preços dos automóveis que chegam nas próximas semanas, como o Chevrolet Cobalt reestilizado e o Mercedes-Benz C450 AMG variam de R$ 50 mil a R$ 320 mil.

Levantamento feito pela consultoria Jato Dynamics contabiliza 42 lançamentos neste ano de modelos nacionais e importados inéditos, como a picape Renault Duster Oroch, novas gerações, como o Citroën C4 Picasso, reestilizações mais significantes, como a do Hyundai HB20 e carros importados que passaram a ser feitos localmente, entre os quais o BMW X3.

Não foram levadas em conta versões com diferentes motorizações, introdução de tecnologias, séries especiais e mudanças de linha, que normalmente agregam poucas alterações. Nesse critério, foram lançados no ano passado 45 veículos.

"As marcas foram mais agressivas este ano no segmento que não está sofrendo uma crise contundente", diz Milad Kalume Neto, da Jato. De janeiro a setembro, as vendas de modelos premium (acima de R$ 100 mil) cresceram 22% em relação a 2014. Entre os utilitários-esportivos, segmento que ganhou três veículos nacionais inéditos, a alta foi de 2,4%. O mercado total de automóveis e comerciais leves no País registra queda de 21,7% no período.

Já os negócios no segmento de entrada, onde estão, por exemplo, Fiat Palio, Ford Ka e Volkswagen Gol, caíram 19,7%. Nesse grupo ocorreu só um lançamento, o do importado chinês Chery QQ, de R$ 30 mil.

No segmento de hatches pequenos, composto por carros como Chevrolet Onix, Renault Sandero e Nissan March, o recuo foi de 26% nas vendas, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Essa categoria também contou com um lançamento, o Chery Celer, que passou a ser produzido na fábrica de Jacareí (SP).

Tecnologias

Para Bodewig, o consumidor brasileiro está cada vez mais interessado em tecnologias e novidades, por isso as empresas não podem deixar de atualizar suas linhas de produtos, mesmo na crise, sob risco de perder mercado.

Na lista das novidades que chegam ainda este ano estão o A3 sedã - que começou a se produzido na semana passada - e o Golf. Ambos eram importados a passam a ser feitos na fábrica da Volkswagen/Audi em São José dos Pinhais (PR). Outro importado que ganha selo nacional é o Mini Countryman, que entrará em linha na fábrica da BMW em Araquari (SC). A mesma unidade iniciou a produção na sexta-feira da nova versão do Série 1.

Entre os nacionais chega também o Hyundai HB20X, feito pela Hyundai em Piracicaba (SP). Completam a lista os importados Toyota Hilux e Peugeot 308 (Argentina), Land Rover Discovery Sport (Grã Bretanha) e Citroën C4 Picasso (Espanha).

O segmento de luxo só não cresceu mais em razão da alta do dólar, diz Dirlei Dias, gerente de vendas da Mercedes-Benz. A marca fez 23 lançamentos este ano, todos de novas versões (nenhum inédito). Suas vendas cresceram 70% ante 2014, "mas manter este ritmo em 2016 será impossível", adianta Dias, mesmo com a inauguração da fábrica em Iracemápolis (SP).

O dólar acumula no ano alta de 46%, mas a Mercedes repassou 3% ao preço de seus modelos. A concorrente BMW conseguiu, até agora, evitar repasses, mas "o câmbio interfere bastante no modelo do negócio e é claro que, em algum momento, teremos de repassar", diz a diretora de Marketing Nina Dragone. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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