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Consórcio utilizado como poupança não é um bom negócio

Muitos usuários do sistema são contemplados e não retiram sua carta de crédito, preferindo resgatá-la ao final dos sorteios

notas de 100 reais bolso
(Getty Images)

SÃO PAULO - Muitas pessoas optam pelo sistema de consórcios porque acreditam que somente através dele conseguirão estabelecer o hábito de poupar regularmente.

Esta percepção faz com que, para muitos, o consórcio seja visto como uma alternativa de investimento, e não como uma forma de compra financiada de um bem.

Consórcio não é investimento
Se você está pensando em entrar em um grupo de consórcio porque acredita que se trata de uma boa forma para acumular uma reserva financeira, é preciso ficar atento para não perder dinheiro.

Afinal, o consórcio não é estruturado para ser um investimento, mas sim como uma compra financiada, de forma que o valor acumulado com as prestações, em geral, seja inferior ao que poderia ser acumulado caso o dinheiro tivesse sido aplicado no mercado financeiro.

Portanto, se sua intenção é simplesmente poupar, o consórcio não é a opção adequada. Afinal, somente uma parcela das prestações é destinada ao fundo comum, cujos recursos são usados para a compra do bem. O restante é usado para remunerar as administradoras do consórcio ou montar um fundo de reserva.

Para onde vai o dinheiro?
Quando o participante não retira a sua carta de crédito, e mesmo assim continua pagando as prestações, o dinheiro a que teria direito com a carta de crédito permanece no fundo de reservas do grupo de consórcio.

Esta situação pode se prolongar até o fechamento contábil do grupo, que acontece somente depois de acertadas as contas de todos os participantes do grupo, o que só ocorre dois ou três meses após o último sorteio.

Quando esta data chegar, a administradora do consórcio procura o participante que não retirou sua carta de crédito e lhe entrega um cheque no valor que lhe é de direito, devidamente corrigido conforme a rentabilidade do fundo de reserva.

Ainda de acordo com a ABAC (Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio), outros fatores, além do intuito de poupar, também explicam o elevado número de pendências (não retirada dos recursos) no sistema de consórcios. Entre estes motivos, está a opção do contemplado em aguardar o filho completar 18 anos para retirar sua carta de crédito e comprar o veículo, ou a decisão de esperar pelo lançamento de um novo modelo no mercado.

Investir e comprar à vista pode ser melhor
Dependendo da duração do consórcio e das taxas cobradas (administração, adesão, fundo de reserva) é mais interessante investir o dinheiro da prestação do consórcio todos os meses, para depois comprar o bem à vista com desconto.

Por exemplo, vamos assumir um consórcio de automóvel cujo preço do veículo é de R$ 30 mil e a duração do consórcio é de 24 meses, com uma taxa de administração de 12% e um fundo de reserva de 5%. Neste caso, você teria que pagar 24 prestações de R$ 1.507,14, com um custo total de R$ 36.171,43.

Neste caso, o consumidor teria feito um melhor negócio se tivesse aplicado as prestações em um fundo de investimento, de retorno mensal líquido na faixa de 1%, pois poderia ter comprado o carro em 19 meses, o que, dependendo de quando o participante for contemplado, pode ser antes do que receberia o bem no consórcio.

Além disso, este valor não assume nenhum desconto na compra à vista, o que é possível, sobretudo, em se tratando de bens de valor mais elevado como é o caso de um automóvel. Assim, antes de optar pelo consórcio, vale a pena comparar a taxa mensal que está sendo cobrada com aquela paga em algumas aplicações financeiras. Talvez o melhor seja aplicar o dinheiro!

 

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