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Tesla planeja fábrica chinesa com capacidade para 500 mil carros

Esse é o maior passo de Elon Musk para a expansão fora dos EUA até o momento 

Tesla Model 3
(Reprodução/Twitter)

SÃO PAULO -  A Tesla fechou acordo preliminar com o governo de Xangai para construir uma fábrica que rivalizará com a produção de sua única unidade de montagem americana. Esse é o maior passo de Elon Musk para a expansão fora dos EUA até o momento.

A construção começará assim que forem emitidas as licenças necessárias e a fábrica produzirá 500.000 veículos elétricos por ano para os consumidores chineses em dois ou três anos, informou um porta-voz da Tesla por e-mail. Musk, 47, disse mais de dois anos atrás que esperava uma produção desse nível na unidade californiana da Tesla em 2018, mas a empresa está bastante longe desse ritmo devido ao início mais lento que o esperado do sedã Model 3.

O memorando de entendimento é um grande avanço do esforço de mais de um ano para abrir a primeira unidade de produção na China totalmente pertencente a uma fabricante de veículos estrangeira. A saga ganhou urgência com a guerra comercial travada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, envolvendo as importações dos veículos da empresa pela China. A Tesla segue o exemplo da Harley-Davidson, que traça planos de expansão fora dos EUA para driblar tarifas em meio à escalada de disputas comerciais de Trump.

A mais jovem fabricante de veículos de capital aberto dos EUA busca expandir sua capacidade e atingir os mercados internacionais com mais eficiência. A única unidade de montagem de carros da Tesla fica em Fremont, na Califórnia, onde a empresa produziu cerca de 88.000 carros no primeiro semestre do ano, e a companhia tem uma gigantesca fábrica de baterias no estado vizinho de Nevada. Depois de avançar na China, maior mercado de veículos elétricos do mundo, a Tesla anunciou que revelará no fim de 2018 planos de construção de uma fábrica na Europa.

A Tesla anunciou há um ano que estava trabalhando com o governo de Xangai para estudar a fabricação local. Desde então, a produção na China ganhou ainda mais importância: na semana passada, em resposta às tarifas impostas pelos EUA, a China elevou a tarifa de importação de carros fabricados nos EUA para 40 por cento, obrigando a Tesla a subir os preços. A abertura de uma fábrica na China também reduz os custos de envio e pode baratear a compra de componentes.

A empresa aumentou os preços do sedã Model S e do crossover Model X na China em até US$ 30.000 depois que Pequim impôs tarifas adicionais aos automóveis fabricados nos EUA, colocando seus veículos fora do alcance de um número maior de consumidores em seu segundo maior mercado no mundo.

Em novembro, Musk disse que a Tesla estava a cerca de três anos de começar a produzir no maior mercado automotivo do mundo. Na época, ele sugeriu que a fábrica abasteceria a China e possivelmente outras regiões da Ásia com algumas centenas de milhares de veículos por ano -- menos da metade da nova projeção. A Tesla provavelmente fabricará o sedã Model 3, de menor porte, e o próximo crossover Model Y na China, disse ele na ocasião, e não o sedã Model S e o SUV Model X, que são opções mais caras geralmente vendidas por mais de US$ 100.000 nos EUA.

- Com a colaboração de Sarah Gardner e Alix Steel.

©2018 Bloomberg L.P.

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