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Cresce o interesse brasileiro pela produção de biocombustível

Previsão de escassez do petróleo deve fazer com que muitos países criem políticas de incentivo ao uso de fontes renováveis de combustível

bomba de combustível - posto de gasolina
(Getty Images)

SÃO PAULO - O interesse brasileiro pela produção e uso de biocombustíveis vem crescendo nas últimas por causa das previsões de escassez do petróleo.

De acordo com um levantamento feito pela Comissão Europeia de Energia, o petróleo deve acabar em 2047, caso não sejam realizadas mudanças significativas no consumo e nas reservas da matéria-prima.

Segundo o economista da USP/ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo), Leandro Menegon Corder, para o mundo não sofra com a escassez de petróleo, é importante que os governos das principais nações do mundo estão buscando fontes nativas de energia limpas e renováveis.

Brasil
De acordo com Corder, o Brasil detém larga experiência em produção e comercialização de biocombustíveis, principalmente o etanol. "O País teve em sua história um dos maiores programas de produção e utilização de álcool do mundo, o Proálcool. Além disso, esse novo mercado traz vantagens ambientais, sociais e econômicas, embora ainda seja pequeno dentro das possibilidades da introdução de um combustível complementar e substituto da gasolina e do diesel", explica.

O economista revela que o Brasil vem trazendo bons resultados em alguns pontos do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, mas em outros, como meio-ambiente, os resultados ficaram aquém do esperado. "Se o Brasil deseja prosseguir com o Programa do modo como ele foi idealizado, terá de fazer vários pequenos ajustes para adequá-lo à realidade na qual se inseriu”, avalia.

Segundo Corder, o ponto mais urgente é manter as usinas em funcionamento, pois a maioria não é economicamente viável, ao lado dos ajustes nas questões ambientais e da matéria-prima utilizada. “Deve-se também incentivar a pesquisa de biocombustíveis de outras gerações, que trazem maior aproveitamento de resíduos e novas tecnologias para minimizar o efeito sobre cultivos tradicionais", completa.

No mundo
Na pesquisa feita por Corder, viu-se que maioria dos países europeus cumpriu, pelo menos parcialmente, os objetivos das políticas.

Para o economista, o resultado positivo é devido às metas não serem tão difíceis de atingir e também por serem implementadas aos poucos, com metas crescentes, mas discretas. "Pode-se citar Itália e Reino Unido como aqueles que não cumpriram essa diretiva da União Europeia, e Espanha e Alemanha como exemplos que, além de cumprirem o acordo, apresentam metas internas superiores aos indicados pelo parlamento europeu", explica.

O estudo destaca também as políticas alemãs e suecas como casos que afetaram clara e positivamente o mercado. "Percebe-se, nesses dois casos, a inversão da tendência de queda para um crescimento elevado, diferentemente do que se vê em outros países, quando a mudança ocorre um pouco depois desse período", comenta Corder.

Apesar de as políticas terem sido eficientes em vários pontos, ao analisar o cenário atual, Corder concluiu que o setor de biocombustíveis tornou-se um mercado insustentável em vários países. "Os principais programas de incentivo às fontes nativas de energia tiveram início com a alta cotação do petróleo. Agora, com a queda desses preços, o setor passará a depender da muleta governamental para manter-se competitivo", finaliza o economista.

 

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