Muito endividados mais que dobram

86% dos brasileiros tiveram sua vida financeira muito prejudicada com a pandemia, mostra pesquisa

Além das dificuldades financeiras, muitas pessoas relatam problemas de saúde como insônia e depressão; “muito endividados” dobraram de 2019 para cá

Por  Giovanna Sutto -

SÃO PAULO – O avanço da pandemia vem complicando cada vez mais a vida financeira das pessoas: 86% dos brasileiros afirmam que suas finanças foram muito prejudicas devido à crise sanitária que estamos vivendo. O resultado é de uma pesquisa do Instituto Axxus, startup de tecnologia da Unicamp, que foi feita entre junho e agosto deste ano e publicada nesta semana.

Do total dos 2.500 entrevistados de todas as regiões do país, 76% reconhecem que não estão administrando bem as finanças pessoais desde que a pandemia começou. Apenas 8% acredita que está fazendo uma boa administração do dinheiro.

Entre os motivos que levaram a esse desequilíbrio financeiro durante a pandemia, está o consumo excessivo e fazer mais dívidas, segundo os entrevistados. Segundo o estudo, “Comprar demais” significa manter o padrão adotado antes da pandemia durante a crise sanitária e “fazer mais dívidas” é fruto da falta de planejamento financeiro durante esse período de crise.

E os efeitos não se limitam às dificuldades financeiras: 71% dos entrevistados que disseram enfrentar problemas financeiros afirmam que tiveram insônia, outros 45% relataram somatização (sintomas no corpo causados por desequilíbrio emocional sem ter uma doença física) e 14% depressão.

Perfil de consumidor

A pesquisa também mostra um comparativo entre junho e agosto de 2019 e o mesmo período de 2021 sobre o perfil do total dos entrevistados.

Na prática, com a pandemia houve uma diminuição dos perfis que se consideram poupadores e equilibrados e os que se consideram muito endividados mais que dobrou.

Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), acredita que as pessoas não estão preparadas para enfrentar crises.

“É gritante o resultado da falta de educação financeira apresentado pelo estudo. Muitas pessoas perderam suas rendas e em situações como essa é preciso estar prevenido com reservas de emergência e estar preparado para a possibilidade de corte de despesas. Mas, isso não acontece na maioria dos casos”, avalia.

Veja o resultado do estudo:

Perfil 20192021 
Poupador (consegue economizar dinheiro mensalmente)4%2%
Equilibrado (não guarda dinheiro, mas não se encontra endividado)18%13%
Endividado (consegue pagar a dívida com a receita atual)64%55%
Muito endividado (será necessária outra fonte de renda para pagar a dívida)14%30%

Papel das mulheres

O estudo mostra que 46% dos entrevistados afirmam que a principal responsável pela administração das finanças da casa é uma mulher, enquanto 43% afirmam que é um homem.

Vale lembrar que o quadro econômico de 2020 gerou uma piora no mercado de trabalho brasileiro como um todo, mas impactou as mulheres com mais força. O percentual de mulheres que estavam trabalhando ficou em 45,8% no terceiro trimestre de 2020, segundo os dados mais recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O nível mais baixo desde 1990, quando a taxa ficou em 44,2%.

Ainda, os dados mais recentes do IBGE sobre participação das mulheres no mercado de trabalho mostram que o nível de ocupação entre as mulheres que têm filhos de até 3 anos em casa é de 54,6%, abaixo dos 67,2% daquelas mulheres que não têm.

Todas as dificuldades que o Brasil já tinha para alcançar a equidade de gênero no mercado de trabalho foram expostas e aprofundadas pela pandemia. Para muitas mulheres ficou inconciliável dar conta dos filhos e responsabilidades do trabalho e da casa – em muitos casos – sem ajuda do parceiro. O InfoMoney fez uma reportagem sobre os impactos da pandemia na participação das mulheres no mercado de trabalho. 

“Historicamente, se alguém precisa abrir mão de um trabalho para se dedicar à casa, será a mulher e não o homem. Então, muitas deixaram o trabalho por não conseguir administrar tudo em meio à pandemia. O gap que já tínhamos ficou abissal”, afirma Raquel Azevedo, sócia e líder de Diversidade & Inclusão da consultoria Falconi.

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