Renda variável

XP corta projeção para o Ibovespa de 140.000 pontos para 132.000 pontos em 2020

Revisão reflete queda nos preços das commodities e outros efeitos negativos do coronavírus sobre os lucros das companhias

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SÃO PAULO — A XP Investimentos cortou sua projeção para o Ibovespa em 2020 em meio aos efeitos negativos do coronavírus sobre os resultados das companhias. A nova estimativa é de 132.000 pontos em dezembro — a anterior era de 140.000 pontos.

“Dado o menor crescimento no Brasil e aumento da incerteza do cenário externo, vemos impactos negativos no curto prazo para a Bolsa brasileira, tanto em potencial impacto nos lucros quanto no múltiplo de avaliação (Preço/Lucro)”, disse Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP.

Para o cenário de médio prazo, a XP acredita que ele continua “muito favorável” por três motivos: o efeito rebote na aceleração do crescimento em 2021, o efeito dos juros ainda mais baixos e o aumento das respostas dos bancos centrais e governos no mundo, “que terão um impacto mais duradouro nas economias do que o choque de curto prazo do coronavírus”.

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Com isso, o estrategista afirmou que o Ibovespa deve alcançar os 140.000 pontos, agora, só em meados de 2021.

Um dos fatores apontados para o corte na estimativa é o fraco desempenho esperado para o PIB brasileiro neste ano. A XP revisou sua estimativa de crescimento de 2,3% para 1,8% em 2020. Para o ano que vem, a casa alterou a projeção para cima, indo de 2,3% para 2,5%.

“Como o cenário de inflação segue benigno, vemos espaço para que os cortes de juros continuem, e cheguem em 3,5% em 2020, dos atuais 4,25%. Em 2021, porém, estimamos que os juros voltem a subir e cheguem em 5,0%, ainda 100 pontos-base abaixo da nossa projeção anterior de 6,0%”, afirmou.

A XP não foi a única a cortar a projeção para o PIB brasileiro em meio à escalada do coronavírus no mundo. Hoje, o Itaú também anunciou uma redução: de 2,2% para 1,8% em 2020. Para o próximo ano, a estimativa de 3% está mantida.

PIB x Bolsa

Segundo Ferreira, o corte na projeção para o Ibovespa não reflete tão diretamente as reduções nas estimativas para o PIB.

“O que define preços de ações no longo prazo é o lucro das empresas, e não o crescimento do PIB. O lucro das companhias depende de outros fatores além do PIB brasileiro, como preços de commodities, o câmbio, os juros que as companhias pagam nas suas dívidas, e as margens de lucro (percentual da receita que vira lucro) – esse último é um dos fatores mais relevantes para determinar os lucros”, disse.

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O tamanho do mercado também importa, segundo o estrategista-chefe da XP. O Brasil possui menos de 500 empresas listadas, contra em torno de 5.000 nos EUA e quase 8.000 na Índia.

“Assim sendo, o PIB é pouco representado na Bolsa brasileira, cujas empresas são as respectivas líderes em seus setores, e um ambiente de baixo crescimento e baixa taxa de juros não é necessariamente ruim para elas, pois reduz a concorrência de novos entrantes e de mão-de-obra, máquinas e imóveis.”

Ferreira também destacou que o Ibovespa tem uma grande exposição ao setor de commodities (13,5%) e financeiro/bancos (32,3%), o que distorce o impacto do PIB na Bolsa.

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