Vulcabras (VULC3): após subir mais de 70% em 2023, quais os riscos que o BBA vê para ação?

BBA iniciou cobertura de Vulcabras (VULC3) com recomendação equivalente à compra e preço-alvo de R$ 25,00

Camille Bocanegra

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Vantagem competitiva, marca própria e decisões assertivas de capital são os pilares da tese de investimento do Itaú BBA para a Vulcabras (VULC3), de acordo com relatório de início de cobertura do papel, que conta com recomendação outperform (desempenho esperado acima do índice de referência, similar à compra) e preço-alvo de R$ 25,00 para 2024.

Entre os pontos destacados pelo banco para a empresa, no relatório divulgado nesta segunda-feira (11), estão a capacidade de geração de caixa e uma avaliação considerada “muito atraente”, com múltiplo de 9 vezes o P/E (Índice de Preço sobre Lucro ou P/L) para 2024, o que seria um desconto de 38% comparado à média de múltiplos de outras empresas de consumo no Brasil.

No pregão desta segunda-feira (11), por volta das 12h25, as ações subiam 2,71%, cotadas a R$ 21,20. Em 2023, as ações da empresa saltam 74% e, em setembro, ganham 7,3%.

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Vulcabras (VULC3): Gestora de marcas

Ainda que o BBA enxergue riscos, principalmente atrelados à reforma tributária e à competitividade própria do setor, a visão do banco é otimista e enxerga a companhia como “uma das maiores gestoras de marca de calçados esportivos no Brasil”.

“Como uma empresa de propriedade familiar, ela tomou decisões assertivas de alocação de capital nos últimos anos, como licenciar suas marcas femininas para se concentrar no segmento esportivo, resultando em um ROIC de mais de 25%, acima da mediana de nossa cobertura de varejo”, destaca o relatório.

O portfólio da empresa inclui a Olympikus, marca própria com valores democráticos e que representa 57% das vendas da companhia; Mizuno, marca licenciada até 2033, que foca em alta performance e apresenta valores mais elevados, com 30% das vendas da companhia e; Under Armour, também licenciada até 2032, que representa 10% das vendas, com potencial de crescimento e foco em diversas categorias esportivas.

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Resultado robusto apesar de cenário incerto

A análise considera que a lucratividade está em um patamar sustentável, considerando que o desempenho apresentado pela empresa se sobrepôs, positivamente, a um cenário desafiador.

“Em um cenário macroeconômico incerto e exigente, a empresa apresentou um desempenho operacional robusto. Os resultados do 2T23 marcam o 12º trimestre consecutivo de crescimento de receita de dois dígitos”, explica o BBA.

O banco destaca, ainda, o “foco estratégico nos esportes e a sinergia alcançada entre as marcas, categorias de produtos e canais de distribuição”, como explicação para picos históricos na margem bruta e margem recorrente de Ebitda logo após o chamado “re-IPO”.

Ainda que haja a ressalva de que o crescimento de receita pode se tornar mais desafiador, considerando bases de comparação rigorosas, o BBA acredita que a expansão da margem persistirá.

Mercado saturado e reforma tributária como riscos

Para o BBA, alguns dos riscos para Vulcabras estariam ligados à reforma tributária e ao cenário mais competitivo do setor.

A dúvida de permanência de incentivos fiscais, conforme avança a reforma, é considerada uma das dificuldades que o nome pode enfrentar. Esse impacto poderia ser parcialmente mitigado com o uso de “prejuízos fiscais acumulados”, presentes na Vulcabras.

Ainda na conjuntura macro, o banco vê um potencial impacto negativo atrelado às flutuações cambiais, que poderiam tornar os produtos importados mais competitivos com a valorização do real.

Em relação ao cenário local e à relação com concorrentes, o relatório destaca que o mercado de produtos esportivos poderia tornar-se saturado devido à alta oferta no curto prazo. A dinâmica afetaria a lucratividade da empresa e o risco se estende para o futuro, pois um “cenário competitivo agressivo” também é projetado pelo BBA.

Outro ponto destacado na análise é a possibilidade de marcas internacionais optarem por investir de forma mais ativa em produtos na base de pirâmide de preços (foco da Olympikus) e no segmento da corrida (que abarca as três frentes da Vulcabras).

Como é esperado, a expansão da empresa para o varejo físico, como uma via de crescimento, também é vista com cautela pelo banco. O movimento não é considerado equivocado mas o risco de execução é destacado na análise.

Por fim, a não renovação com marcas licenciadas poderia trazer dificuldades para Vulcabras, mas o banco admite como baixa a possibilidade.