Evento positivo

Vendas online de Magalu, Via Varejo e Mercado Livre saltam durante a Black Friday: como os analistas viram os números?

Analistas destacaram que números foram positivos, mas ressaltam cautela para alguns nomes após forte desempenho dos papéis em 2020

SÃO PAULO – Data que tem se tornado cada vez mais importante para o varejo, a Black Friday, realizada  na última sexta-feira (27), é um evento promocional bastante esperado também pelos analistas do setor de varejo com exposição ao e-commerce, que vem ganhando cada vez mais participação nas vendas das companhias.

De acordo com a Ebit/Nielsen, as vendas online somaram R$ 4 bilhões na última quinta e sexta feira, subindo 25% na base de comparação anual.

Por outro lado, em relação às vendas do varejo como um todo, o ICVA (índice de varejo ampliado da Cielo) sinaliza para uma queda de 14,5% na base anual. O desempenho refletiu principalmente o declínio de 25,5% nas vendas no varejo físico, ainda afetado pela pandemia de Covid-19, enquanto que, de acordo com os dados desse levantamento,  o comércio eletrônico apurou alta de 21,2% ano a ano.

Já a consultoria Neotrust apontou que as vendas na data ficou abaixo das expectativas possivelmente devido à antecipação de compras pelos consumidores. Houve uma antecipação das promoções pela maioria das grandes redes e, com a inclusão de mais consumidores no comércio digital, o efeito pode ter sido sentido de forte mais forte nas lojas físicas.

As companhias também divulgaram resultados preliminares de vendas, dando algumas indicações para os investidores. O Mercado Livre (MELI34), que tem ações negociadas na Nasdaq e também Brazilian Depositary Receipts (BDRs) por aqui, informou um aumento de 130% dos volumes da companhia no Brasil na base de comparação anual.

Além disso, eles destacaram vestuário e casa & decoração com as categorias mais vendidas (em volume). O Bradesco BBI afirma que a variação fica bem acima da estimativa de crescimento do Bradesco BBI para a empresa no quarto trimestre, de 45% e destacou que a companhia poderia ser uma das vencedoras da Black Friday no período. Com isso, a equipe de análise reiterou a sua recomendação outperform (desempenho acima da média) para os papéis negociados na Nasdaq, com preço-alvo de US$ 1.600, frente os US$ 1.513,43 de fechamento na Nasdaq na sexta-feira, potencial de valorização de 5,7%.

O Magazine Luiza (MGLU3), por sua vez, destacou ter antecipado ofertas ao longo do mês de novembro também para evitar aglomerações, informando ter atingido no mês alta de vendas no e-commerce “de triplo dígito médio – acima de 100% para fins de esclarecimento”.

Com isso, de acordo com a Ebit/Nielsen, o Magazine Luiza aumentou em 10 pontos percentuais sua participação de mercado no e-commerce formal brasileiro em novembro, comparado ao ano anterior.

Nas lojas físicas, o crescimento no conceito mesmas lojas em novembro se manteve no patamar
dos meses anteriores, sendo mais forte nas primeiras semanas e relativamente estável na véspera e no
dia da Black Friday, “reflexo da estratégia de antecipação das promoções, evitando aglomerações e
cumprindo todos os protocolos de saúde e segurança”, informou a empresa nesta segunda.

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Apenas na categoria de mercado, o Magalu vendeu mais de 1 milhão de itens durante a Black Friday, com alto volume de vendas de itens como cerveja, ketchup, creme de leite, achocolatado, fralda e protetor solar. O aumento de vendas de itens de mercado entre quinta e domingo foi de 225%, setor que a empresa vem focando nos últimos tempos.

Já a Via Varejo (VVAR3) informou nesta segunda-feira que atingiu R$ 3 bilhões em vendas (GMV pedido) durante a Black Friday, superando os R$ 2,2 bilhões de período equivalente em 2019 e assim registrando novo recorde.

A companhia disse que segmentou o evento promocional entre 22 e 28 de novembro, a fim de evitar o risco de aglomerações nas lojas físicas diante da pandemia do Covid-19. As vendas online no período cresceram 99% ano a ano, com participação de 62,4% das vendas totais, acrescentou, citando dados gerenciais, preliminares e não auditados.

Na avaliação do Bradesco BBI, no geral, a princípio a avaliação é de que a Via Varejo experimentou uma desaceleração mais acentuada no crescimento do GMV de comércio eletrônico (ante alta de 220% no terceiro trimestre de 2020 ) do que Magalu, mas o desempenho ainda é claramente forte. A taxa geral de crescimento do GMV de 37% para a semana da Black Friday está em linha com a estimativa do banco de alta de 38% para o quarto trimestre como um todo.

Para o Itaú BBA, por sua vez, os números apresentados pela Via Varejo foram marginalmente positivos, com a companhia apresentando um crescimento razoável durante o evento, principalmente para o canal online, o que representou a continuidade dos ganhos de participação de mercado a partir do terceiro trimestre, quando registrou um ganho de 4,7 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

“Por fim, notamos que o crescimento robusto na modalidade Click & Collect [ em que a compra é feita online com retirada pelo cliente na loja física], de alta de 142% na base anual, provavelmente trará melhor lucratividade, mas precisamos de mais visibilidade para entender como isso poderia mitigar a pressão natural que o evento tem sobre a margem bruta”, apontam os analistas, que possuem recomendação outperform, com preço-justo de R$ 21, para a ação VVAR3.

A Levante Ideias de Investimentos, por sua vez, aponta que, enquanto os números mostram um bom crescimento para o mercado, o Magazine Luiza se mostrou ainda mais forte que a média, destacando ainda os produtos de mercados. “Acreditamos que o bom resultado da Black Friday deve ter impacto positivos em todo o setor de varejo de e-commerce, mas em especial para o Magazine Luiza com um resultado muito expressivo ao longo de todo o mês”.

Segundo informações do Valor, as vendas de Via Varejo, B2W (B2W)e o Mercado Livre teriam crescido acima do mercado, mas ainda há dúvidas sobre qual companhia ganhou uma fatia maior do mercado.

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Enquanto os analistas esperam por mais dados nos próximos dias, novembro caminha para o fim tendo como destaque de perdas justamente as ações das varejistas expostas ao e-commerce, que tiveram forte alta durante o auge dos temores com a pandemia do novo coronavírus.

Magalu vê suas ações caírem cerca de 5% no mês, B2W cai quase 4%, enquanto Via Varejo, apesar da alta de cerca de 3,5% no período, registra um desempenho bem abaixo do Ibovespa, que avança 16%. Contudo, o ativo MGLU3 ainda é a segunda maior alta do ano, com ganhos de 96%, enquanto VVAR3 avança 59% e B2W tem alta bem menos expressiva, de 15%, enquanto o benchmark da Bolsa cai cerca de 5% no mesmo período.

Os analistas da XP Investimentos e do BBI possuem recomendação neutra para os ativos de Magalu e B2W e recomendação de compra para Via Varejo (enquanto o BBI também tem recomendação equivalente à compra para as ações do Mercado Livre negociadas na Nasdaq).

Para o Magalu, a recomendação é baseada principalmente por conta da forte alta das ações, com os analistas destacando a ação como já precificada, enquanto destacam ver a B2W como ficando para trás, com desaceleração do número de vendas no resultado do terceiro trimestre e a Via Varejo ainda apresentando oportunidades em meio à reestruturação (veja mais sobre isso clicando aqui). Mesmo com os dados positivos no geral para a Black Friday (mais dados são esperados para B2W), a expectativa é de mais volatilidade para os papéis das empresas de e-commerce no curto prazo, principalmente por conta do desempenho no acumulado de 2020.

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