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Vendas da Petrobras, gigante alemã de olho em varejista, Embraer elevada e mais 9 notícias

Confira os principais destaques corporativos dsta terça-feira (18)

SÃO PAULO – O noticiário corporativo é movimentado, com destaque para os desinvestimentos da petrobras, prévia operacionais de duas imobiliárias – MRV e Even – , enquanto a Gerdau sofre com uma greve em uma de suas fábricas. Já a Embraer teve sua recomendação elevada Confira os destaques desta terça-feira:

Petrobras (PETR3; PETR4)
O Conselho de Administração da Petrobras aprovou na segunda-feira a venda de 100% das ações da Nansei Seikyu (NSS), empresa localizada na ilha de Okinawa, no Japão, por 129,285 milhões de dólares, para a Taiyo Oil Company, informou a companhia em um fato relevante. A NSS tem uma refinaria com capacidade para processar 100 mil barris por dia de petróleo, 36 tanques que armazenam 9,5 milhões de barris de petróleo e derivados, além de três píeres para carga e descarga de navios e uma monobóia. Atualmente a refinaria e a monobóia estão hibernadas.

Conforme aponta o Itaú BBA, apesar de pequena, a venda é positiva por três razões: i) a companhia está desivestindo de ativos non-core; ii) a NSS gerou perdas significativas para a Petrobras no passado e iii) os ativos estão deslocados dos lugares onde se situam os ativos principais da companhia. 

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Já segundo o Valor Econômico, enquanto a Petrobras reduziu em 25% a previsão de investimentos no novo plano de negócios 2017-2021, para US$ 74 bilhões, a BR Distribuidora, subsidiária da estatal e um dos principais ativos do plano de desinvestimentos da companhia, prevê ampliar em 22,4% o volume de desembolsos no mesmo período, para R$ 2,5 bilhões. Ainda sobre a BR Distribuidora, segundo o mesmo jornal, o Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) e o Carrefour receberam prospectos da subsidiária para participar do processo competitivo de aquisição de fatia da empresa, com um braço de varejo formado pela BR Mania. Ainda podem estar no páreo, caso as conversas avancem, fundos de investimentos que também foram acionados pela BR. Contudo, destaca o jornal, o envio dos documentos para fundos e empresas não implica, necessariamente, no desejo de adquirir o ativo. 

Ainda sobre a Petrobras, mais uma notícia sobre desinvestimentos da estatal. Na sexta, a estatal afirmou que as negociações com a Ultrapar (UGPA3) para a venda da Liguigás estavam avançadas. Contudo, o jornal Folha de S. Paulo afirma que, se o negócio for concluído, aumento ainda mais a concentração no mercado do combustível, que é alvo de investigações de formação de cartel. Caso conclua a operação, avaliada pelo mercado em cerca de R$ 3 bilhões, o grupo Ultra ficará com 45% do mercado brasileiro. A expectativa do mercado é que o negócio enfrente resistências nos órgãos de defesa da concorrência. 

Gerdau (GGBR4)
Devido a uma greve de metalúrgicos iniciada no dia 13 de outubro, a fábrica da Gerdau em São José dos Campos (SP) está parcialmente parada. Nesta segunda-feira, o sindicato divulgou nota à imprensa na qual destaca que a Gerdau está adotando “um forte esquema de repressão contra os metalúrgicos”.

A categoria sustenta que, no domingo, os veículos que transportavam trabalhadores da empresa foram desviados para o 46º Batalhão da Polícia Militar, “uma manobra adotada pela Gerdau para intimidar os funcionários e forçá-los a entrar na fábrica”. Segundo o Valor Econômico, a Gerdau disse ter conseguido uma liminar que garante a entrada dos funcionários na fábrica, mas que o sindicato está bloqueando o acesso.

Já segundo a Folha, a Gerdau investiu cerca de R$ 75 milhões em dois projetos para diminuir os custos da empresa em suas linhas de produção e, dessa forma, melhorar a margem de lucro. Um dos projetos  consiste em monitorar os equipamentos com sensores. 

Embraer (EMBR3)
A Embraer teve a recomendação para os seus ADRs (American Depositary Receipts) elevada de market perform (desempenho em linha com a média do mercado) para outperform (desempenho acima da média do mercado) pela Cowen, com preço-alvo de US$ 24,00 por papel.  

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Oi (OIBR4)
A Oi informou que, com base nas divergências (e habilitações) recebidas, o administrador judicial irá elaborar uma nova lista de credores, a qual irá refletir o seu entendimento sobre a natureza do crédito do Anatel, conforme comunicado no qual contesta informação sobre débitos com Anatel. A companhia estimou que esta lista será divulgada em meados de dezembro de 2016.

Em 13 de outubro, a Anatel informou que total de débitos da Oi soma R$ 20,2 bilhões, entre multas administrativas com crédito já constituído e ainda não constituído, créditos tributários, créditos de outras naturezas e multas estimadas em processos em tramitação. O valor de R$ 11 bilhões referente à dívida com Anatel indicado na recuperação judicial da Oi corresponde às multas aplicadas pela agência que ainda estão em fase de contestação na esfera administrativa ou multas que estão sendo contestadas judicialmente, além de multas que foram objeto de um Termo de Ajustamento de Conduta deliberado pelo conselho diretor da Anatel embora ainda não assinado, disse a companhia no comunicado. A diferença entre o valor indicado pela companhia na recuperação judicial e o valor de R$ 20,2 bilhões apresentado pela Anatel se refere a dívidas tributárias não estão sujeitas à recuperação judicial, ônus contratual e a outros processos sancionatórios ilíquidos que não foram incluídos na recuperação judicial porque não tiveram ainda multas aplicadas, razão pela qual também não há no momento definição final sobre o volume que eles representam.

“Embora a Anatel tenha apresentado publicamente tais informações”, “tal fato não é capaz de constituir créditos em favor da Anatel”, afirma a empresa. 

Ainda sobre a Oi, depois de fazer um acordo com o principal acionista da companhia, a portuguesa Pharol (ex-Portugal Telecom), e conseguir ampliar sua influência no conselho de administração da companhia, o empresário Nelson Tanure propôs mudanças importantes no processo de recuperação judicial da tele. Em documento entregue à companhia na sexta-feira, Tanure – sócio do fundo Société Mondiale, dono de 7,1% da Oi – incluiu a intenção de pagar todas as pequenas dívidas da companhia, o que reduziria o total de credores de 67 mil para 7 mil. A proposta foi enviada em carta ao presidente do conselho da companhia, José Mauro Carneiro da Cunha, conforme documento obtido pelo Broadcast. Por fim, citando relatório judicial, o Valor Econômico informa que a Oi teve prejuízo de R$ 457,2 milhões em agosto. 

Ambev (ABEV3)
A Receita publicou lista dos estabelecimentos industriais envasadores de bebidas que passam a ficar desobrigados, a partir de 13 de dezembro, da utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe). A lista inclui estabelecimentos da Ambev, Brasil Kirin, Spal, Amazon Refrigerantes, Indaiá Águas Minerais, Vonpar, Cervejaria Petropólis, Leão Alimentos, Indústria de Bebidas Garanhuns, Tatuzinho e vários outras unidades de diversos grupos do setor.

BRF (BRFS3)
De acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, a BRF planeja investir US$ 20 milhões para comprar cerca de 2% da produtora chinesa de carne de porco Cofco Meat Holdings e formar uma parceria estratégica com a companhia. A BRF pretende fazer o investimento aproveitando a oferta pública inicial da empresa chinesa, disse a pessoa, que pediu para não ser identificada porque o acordo ainda não foi anunciado. Cofco Meat, que tem entre seus sócios KKR & Co., busca levantar até US$ 333 milhões com a venda de ações em Hong Kong, segundo os termos do negócio obtido pela Bloomberg na segunda-feira. A parceria vai ajudar Cofco a expandir no mercado de carne processada e permitirá à BRF vender mais produtos na China, disse a pessoa. Cofco e BRF concordaram em buscar oportunidades de colaboração, bem como a troca de informações sobre práticas de gestão, diz a fonte. Um porta-voz externo da Cofco Meat em Hong Kong não quis comentar, enquanto a assessoria de imprensa da BRF não respondeu.

Via Varejo (VVAR11)
Segundo informações da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, o grupo alemão gigante do varejo Steinhoff negocia a compra de participação da família Klein na Via Varejo, em uma transação que pode chegar a R$ 1,5 bilhão. 
Os Klein controlam a Via Varejo ao lado do grupo Casino. Vale destacar que as units da Via Varejo subiram 20% nos últimos dois pregões, sem que houvesse nenhuma notícia relevante para a companhia. 

Even (EVEN3)
A Even informou que seus lançamentos totais mais do que dobraram no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo R$ 400,2 milhões. Considerando apenas a parcela própria da incorporadora, houve alta de 175%, para R$ 386 milhões. Enquanto isso, as vendas próprias caíram 26%, para R$ 206 milhões. No fim do trimestre, o banco de terrenos da companhia correspondia ao VGV (Valor Geral de Vendas) potencial de R$ 5,3 bilhões.

Em relatório, o BTG Pactual destacou que os números da prévia foram desapontadores, com as vendas abaixo do esperado apesar do aumento nos lançamentos. “Nós mantivemos recomendação neutra para os papéis uma vez que acreditamos que o retorno não justifica um re-rating ainda”, apontam os analistas. 

MRV Engenharia (MRVE3)
A MRV Engenharia registrou uma alta de 4,4% nas vendas de imóveis no terceiro trimestre sobre o mesmo período do ano passado, a R$ 1,37 bilhão. Os cancelamentos de contratos de clientes recuaram 25% no mesmo período, para cerca de R$ 316 milhões, o equivalente a 2.058 unidades. Já os lançamentos de imóveis da empresa tiveram baixa de 21,5% na mesma comparação, a R$ 821 milhões.

A empresa afirmou que os números do período foram impactados pela greve de um mês dos bancários, que durou até o início de outubro. “Aproximadamente 2 mil unidades deixaram de ser repassadas para os bancos durante a greve bancária, causando um forte impacto no recebimento”, afirmou a construtora e incorporadora em relatório sobre o desempenho operacional.

Apesar disso, a MRV apurou vendas líquidas de 6.948 imóveis no terceiro trimestre, ante 6.704 no segundo trimestre e 5.518 entre julho e setembro de 2015. A MRV, voltada a imóveis econômicos, informou que está vendo “primeiros sinais de retomada da confiança do nosso consumidor” e que as condições para compra continuam inalteradas, com disponibilidade de crédito. O Itaú BBA espera reação levemente negativa a vendas “em linha”, apontando que a greve dos bancos teve efeito maior que antecipado.

Sabesp (SBSP3)
A agência reguladora de serviços de saneamento e energia do Estado de São Paulo, Arsesp, determinou que a companhia estadual de águas e esgoto Sabesp terá 120 dias para entregar um laudo atualizado de ativos que servirá de base para o cálculo da segunda revisão tarifária da companhia, em 2017. Segundo determinação publicada no Diário Oficial do Estado no sábado passado, a Sabesp deverá incluir na relação de ativos aqueles que inclusive estiverem em cidades “por ela atendidas, mas não reguladas pela Arsesp no momento da contratação”. Caso a empresa não apresente o laudo de ativos em 120 dias, a agência poderá “arbitrar a base de remuneração regulatória a ser considerada na revisão tarifária”.

Desde a crise hídrica que atingiu o Estado a partir do final de 2013, a Sabesp remanejou investimentos de áreas como tratamento de esgoto para captação de água, realizando obras que estavam previstas apenas para os próximos anos, como a interligação de sistemas de reservatórios. Desde então, a empresa vinha pleiteando junto à Arsesp que considerasse os investimentos realizados na metodologia de cálculo da revisão das tarifas.

A empresa iniciou tais discussões com a agência para a segunda revisão tarifária ordinária em meados de maio deste ano. Na ocasião, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, comentou que um dos objetivos da companhia para o próximo ciclo era conseguir modificar a estrutura tarifária de forma que permita à empresa destravar investimentos em um momento em que o cenário de juros para captação de recursos cresce. “A base de remuneração regulatória será obtida somando-se os valores atualizados da base de remuneração blindada anterior com os valores das inclusões ocorridas entre outubro de 2011 a junho de 2016″, afirma a determinação da Arsesp.

Cosan (CSAN3) e São Martinho (SMTO3)
Segundo o Santander, a nova política da Petrobras de ajuste de preços deve elevar correlação entre ações da São Martinho e da Cosan com o petróleo. Na última sexta, a estatal divulgou uma nova política de preços com quatro premissas: : i) o preço de paridade internacional (PPI), que já inclui custos como frete de navios, custos internos de transporte e taxas portuárias; ii) uma margem para remuneração dos riscos inerentes à operação, tais como, volatilidade da taxa de câmbio e dos preços, sobre estadias em portos e lucro, além de tributos; iii) nível de participação no mercado e iv) preços nunca abaixo da paridade internacional. 

Energias do Brasil (ENBR3)
A EDP Energias do Brasil divulgou os dados referentes ao mercado de energia da companhia no terceiro trimestre de 2016. Nas suas distribuidoras, EDP Bandeirante e EDP Escelsa, houve uma queda de 5% no volume de energia, para 5,878 milhões de MWh. O número de clientes das distribuidoras saiu de 3,217 milhões para 3,299 milhões, crescimento de 2,5% em 12 meses.

Em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a empresa explica que o recuo no trimestre é reflexo da desaceleração da economia e da migração de clientes do mercado cativo para o mercado livre. No acumulado do ano, a energia vendida a clientes finais apresentou redução de 3,4%, refletindo a queda do consumo das principais classes, mais acentuada no primeiro trimestre do ano. Na Bandeirante, houve um crescimento de 1,2% do volume de energia distribuída no terceiro trimestre, e queda de 1,1% no acumulado de nove meses. Na Escelsa, o total distribuído entre julho e setembro caiu 13,1%, e em nove meses, recuou 10,8%. No mercado livre, houve uma queda de 4,4%. Segundo a EDP, esse recuo foi causado paralisação da produção de um grande cliente da área de concessão da EDP Escelsa.

No mercado de geração, o volume de energia vendida pela EDP alcançou 3.219 GWh no terceiro trimestre, o que representa redução 2,2% na comparação com o mesmo período de 2015. Desconsiderando o volume da UTE Pecém I e considerando somente a energia vendida das hídricas do grupo pelo critério de consolidação, o volume de energia apresentou redução de 3,8% (1.862 Gwh). O volume de energia comercializada totalizou 3.313 GWh no terceiro trimestre, 19% acima dos 2.785 GWh comercializados no período comparado, decorrente da volatilidade do PLD ao longo do trimestre propiciando maior liquidez no mercado e pelo aumento no número de clientes. No acumulado do ano, o total de energia comercializada foi de 8.964 GWh, 12,1% superior aos nove meses de 2015.

Segundo o Santander, o fraco desempenho no segmento de distribuição deve ser parcialmente compensado pelo volume positivo de geração (ajudado pelo início das operações da HPP Cachoeira do Caldeirão e a consolidação da unidade de Pecém). 

(Com Bloomberg, Agência Estado e Reuters)