Vale (VALE3) tem quatro barragens em zona de alto risco na região de Brumadinho, diz estudo

Pesquisadores levaram em conta fatores como características do terreno, como inclinação, composição do solo e histórico de eventos geológicos

Equipe InfoMoney

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Um estudo realizado por pesquisadores da Unesp, em parceria com instituições de Minas Gerais e de Portugal, identificou que quatro barragens da Vale (VALE3) em Brumadinho ainda estão em zonas de alto risco.

Publicado na Science of the Total Environment, o artigo foi feito dentro do termo de compromisso firmado pela própria mineradora e pelo Ministério Público de Minas Gerais, após a tragédia de 2019.  A preocupação com a segurança das barragens em Brumadinho ganhou destaque após o colapso de uma barragem, que resultou em perdas humanas, com 270 mortes, e desastres ambientais severos. 

O estudo dividiu a bacia do Ferro-Carvão, em 36 Unidades de Resposta Hidrológica (HRUs). Destas, quatro HRUs foram identificadas como de alto risco geomorfológico, o que implica uma maior probabilidade de instabilidade e potencial para eventos de colapso de barragens nessas áreas.

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Além da região onde fica a B1, que estourou em 2019, outras doze também apresentaram alto risco, sendo que três delas abrigam as barragens de BVII, BVI, Menezes 1 e Menezes 2. A BVII está, inclusive, em uma região com risco maior do que a B1.

Para chegar ao número de barragens ainda em risco, os pesquisadores utilizaram um modelo de avaliação de risco geomorfológico avançado. Esse modelo envolveu o mapeamento detalhado da área em torno das barragens de Brumadinho, incluindo análises de características do terreno, como inclinação, composição do solo e histórico de eventos geológicos. Além disso, foram considerados fatores como padrões de chuva e histórico de deslizamentos de terra na região. 

O estudo utilizou um sistema de pontuação detalhado para avaliar o risco geomorfológico das barragens. Cada parâmetro geomorfológico foi avaliado e categorizado em uma escala de 1 a 5, onde valores mais altos indicam maior vulnerabilidade geomorfológica. 

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Esses valores foram somados para cada HRU, resultando em um valor global de vulnerabilidade. Com base nesta pontuação global, as HRUs foram classificadas em categorias de risco: baixo (5–10), moderado (10–15), alto (15–20) e muito alto (20–25).

Quando se criam barragens, de acordo com especialistas, o mais normal é que a mineradora leve em conta apenas a resistência da rocha, deixando alguns fatores de lado. 

Já na classificação de riscos de barragens no Brasil, a responsabilidade recai sobre a Agência Nacional de Mineração (ANM). 

Atualmente, a ANM registra 64 barragens com alto risco no país. Entretanto, as metodologias empregadas pela ANM diferem daquelas adotadas pelos autores do estudo recente, o que pode levar a variações na classificação de risco. Algumas barragens que os pesquisadores consideram de alto risco são classificadas como de baixo risco pela ANM, incluindo a barragem BVII. Esta, de acordo com o estudo, apresenta um risco ainda maior do que a barragem B1.

Procurada pelo InfoMoney, a Vale não retornou até a última atualização desta matéria.

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