Destaques da Bolsa

Vale tem 6ª queda seguida, bancos despencam e Eletropaulo sobe com recomendação

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira

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SÃO PAULO – O Ibovespa atingiu sua terceira queda seguida nesta quarta-feira (20), em dia volátil das ações da Petrobras e Vale. Nos destaques, os papéis dos bancos privados voltaram a cair, enquanto os frigoríficos acompanharam a notícia positiva sobre a abertura da China às exportações de carne anunciada ontem.

Os papéis das educacionais também subiram forte hoje em meio à possibilidade da presidente Dilma abrir novos contratos do Fies este ano. Fora do Ibovespa, chamou atenção a ação de uma small cap que chegou a disparar 36% sem motivo aparente.

Confira abaixo os principais destaques desta sessão: 

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Educacionais
As ações do setor de educação subiram em meio à notícia de que a presidente Dilma Rousseff estuda a possibilidade de abrir novos contratos do Fies este ano. A intenção foi manifestada à presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Vic Barros, durante encontro com Dilma ontem à noite no Palácio do Planalto. Segundo Vic, a presidente afirmou que “o governo está estudando a possibilidade de abrir novos contratos” no segundo semestre de 2015. Hoje, subiram as ações da Kroton (KROT3, R$ 11,84, +0,17%), Estácio (ESTC3, R$ 18,00, +1,75%), Ser Educacional (SEER3, R$ 14,50, +1,05%) e Anima (ANIM3, R$ 22,00, +4,51%). 

Ainda no radar da Kroton, a companhia informou ontem que espera avanço de 37% da receita líquida e de 19% no lucro líquido em 2015, mesmo sem novos contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) no segundo semestre. A projeção de receita líquida da Kroton para este ano é de R$ 5,2 bilhões. A Kroton considerou nenhum contrato novo de Fies para o segundo semestre.  Para o lucro líquido, a estimativa é de que aumento 19% sobre 2014, a R$ 1,44 bilhão, com margem líquida de 27,6%. 

Petrobras (PETR3, R$ 13,70, -0,36%; PETR4, R$ 12,89, -0,15%)
As ações da estatal fecharam em leve queda, seguindo o movimento negativo desde a divulgação do balanço do primeiro trimestre, que, embora tenha vindo acima das expectativas, deixa preocupações sobre o futuro da empresa, principalmente em função do elevado endividamento.

Hoje, o Barclays reiterou recomendação outperform (desempenho acima da média) para as ações da Petrobras, contrariando relatório do Goldman Sachs do início da semana que cortou a petrolífera de neutra para venda. Justificando a recomendação, o banco comenta que vê potencial de alta de mais de 50% nos ADRs (American Depositary Receipts) da estatal PBR, referentes às ações ordinárias, para US$ 14. Os analistas apontam, contudo, que preferem os ADRs PBR.A, referentes às ações preferenciais, por conta dos dividendos.

“Nós continuamos acreditando que Petrobras seja um interessante caso de investimento com substancial potencial de valorização, mas não para o investidor de curto prazo”, comentaram os analistas. Para eles, as preocupações sobre o balanço e as novidades sobre as investigações vão continuar como uma parte da vida da estatal nos próximos dois a três anos e que, no médio prazo, os papéis devem seguir voláteis. 

Mais cedo, a companhia informou que o contrato da Cessão Onerosa, assinado entre a empresa e a União em 2010, por meio do qual a companhia adquiriu o direito de produzir até 5 bilhões de barris em áreas do pré-sal, prevê revisão de valores ao final da fase exploratória, mas ainda não há data para que isso aconteça. 

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Vale (VALE3, R$ 19,85, -1,34%; VALE5, R$ 16,57, -1,89%)
As ações da Vale fecharam em queda hoje, chegando a sua sexta queda consecutiva, assim como os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 10,80, -1,19%), holding que detém participação na mineradora. Segundo matéria do jornal O Globo, a companhia encerrou contratos com prestadores de serviços e provocou uma série de demissões no Espírito Santo. Pesa no radar da companhia o preço do minério de ferro, que caiu 2,41% hoje no porto de Qingdao, a US$ 57,12.  

Bancos
Os papéis dos bancos seguiram em queda dos últimos dias diante da possibilidade de aumento da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) para as instituições financeiras de 15% para 17%, conforme noticiado na segunda-feira. Nesta sessão, os papéis dos grandes bancos listados na Bovespa caíram: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,50, -1,78%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 25,03, -0,95%) e Bradesco (BBDC3, R$ 28,80, -1,77%; BBDC4, R$ 30,25, -2,51%).   

Ontem, o BTG Pactual comentou que segue cauteloso com o setor depois que o Banco Central publicou pesquisa com condições de crédito, mostrando que o primeiro trimestre foi mais fraco do que o esperado e com leitura de que o segundo trimestre pode mostrar deterioração. “Com o cenário desafiador, esperamos que crescimento de crédito desacelere (possivelmente para menos de 10% ao final do ano), uma vez que principais bancos privados tem reduzido expectativas de PIB para o ano (de forma que não devem ter apetite para acelerar crescimento) e bancos públicos estão desacelerando”, comentaram os analistas.

Frigoríficos
As ações dos frigoríficos voltaram a subir hoje com a notícia de que a China liberou a exportação de carne bovina brasileira. Ontem, a Marfrig informou que tem duas plantas de abate de bovinos entre as oito que foram habilitadas a exportar para a China. O presidente do Conselho de Administração da companhia de alimentos, Marcos Molina, classificou a abertura do mercado chinês como muito positiva.

Na bolsa, subiram todas as ações do setor: Marfrig (MRFG3, R$ 4,20, +0,72%), JBS (JBSS3, R$ 16,90, +0,12%) e Minerva (BEEF3, R$ 10,40, +4,00%). 

Além disso, ontem, a agência de rating Standard & Poor’s elevou o rating da JBS para “BB+”, faltando uma nota para o “investment grade”. Mais importante, a agência deixou o rating com perspectiva positiva, o que quer dizer que pode dar uma nova elevação em 12 a 18 meses. “Certamente a notícia é positiva e reforça a visão para com a companhia”, comentaram os analistas do BTG Pactual. Eles também comentaram visão positiva para a Minerva, depois que a China liberou o embargo às exportações brasileiras e o resultado do primeiro trimestre. Na véspera, o banco elevou o preço-alvo dos papéis de R$ 11,00 para R$ 12,00.

Ainda no noticiário, a JBS informou que pretende exercer o seu direito de resgatar o saldo de seus títulos representativos de dívida com remuneração de 8,25% e vencimento em 2018 em valor equivalente ao total dos recursos líquidos a serem obtidos por meio da nova emissão de Notas Novas, deduzido do prêmio e dos juros vencidos sobre as Notas Antigas a serem resgatadas. Segundo a companhia hoje, o saldo principal agregado em aberto das Notas Antigas é de US$ 900 milhões.

Além disso, a companhia também anunciou que suas subsidiárias, JBS USA e JBS USA Finance, pretendem iniciar uma oferta de títulos representativos de dívida com vencimento em 2025 no montante principal agregado de US$ 600 milhões. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, o yield deve ficar entre 5,75% e 5,875%.

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Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 45,54, -3,31%)
As ações da Telefônica Brasil ficaram entre as maiores quedas do Ibovespa. Ontem, o Estadão mencionou a possibilidade de aumento do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações) para as empresas de telecomunicação. Os valores pagos hoje (R$ 26 na instalação e R$ 13 anualmente) foram definidos em 1997 e, com isso, o artigo diz que o governo considera recuperar parte da inflação do período. Essa medida, no entanto, ainda tem resistência dentro do governo, inclusive do ministro das Comunicações, pois vai contra o programa “Banda Larga para Todos”.

Caso aconteça, o Credit Suisse acredita que as empresas repassariam para os consumidores, o que reduziria o tamanho do mercado potencial, reduzindo o crescimento de assinantes de pré-pago. Na bolsa, no entanto, somente as ações da Telefônica Brasil caem no setor. Oi (OIBR4, R$ 6,35, +3,59%) e TIM (TIMP3, R$ 9,36, +5,64%) fecharam com fortes altas.   

No radar da TIM, o presidente do Conselho da Telecom Italia, Giuseppe Recchi, disse que a empresa pretende continuar no Brasil e ter um papel de liderança no país, durante reunião com acionistas nesta quarta-feira. A Telecom Italia é dona da TIM Participações no Brasil.

Eletropaulo (ELPL4, R$ 15,67, +3,43%)
A Eletropaulo voltou a disparar após o JPMorgan revisar suas expectativas para companhia. O banco elevou a recomendação das ações da companhia de underweight (exposição abaixo da média) para overweight (exposição acima da média), equivalente a compra, citando renovação de concessões. O preço-alvo passou de R$ 5 para R$ 20.

Braskem (BRKM5, R$ 14,24, -1,04%)
A Braskem teve sua recomendação rebaixada de overweight (exposição acima da média) para neutra pelo JPMorgan. O preço-alvo é de R$ 12,00.

Sabesp (SBSP3, R$ 18,50, -4,64%)
As ações da Sabesp apareceram como a maior queda do Ibovespa. Essa é a terceira queda seguida do papel. No noticiário, a companhia afirmou que o mercado não tem solução para escassez de água em 2015, após recorrer ao mercado no auge da crise hídrica. Nenhuma das 100 propostas que a companhia recebeu é capaz de resolver o problema ainda este ano, segundo uma matéria de hoje da Época Negócios

Indústrias Romi (ROMI3, R$ 2,70, +13,45%)
As ações small caps da Indústrias Romi abriram em disparada nesta sessão, com forte volume financeiro. Os papéis chegaram a subir 36,13% na máxima do dia, a R$ 3,24. O giro financeiro atingiu R$ 2,317 milhões neste pregão, contra média diária de R$ 97 mil dos últimos 21 pregões. No radar, no entanto, não aparece nenhuma notícia sobre a empresa. Procurada pelo InfoMoney, a assessoria de imprensa da empresa não foi encontrada para comentar o assunto. 

Segundo o analista Mário Bernardes Júnior, do BB Investimentos, não há nenhum motivo no fundamento que justifique esse movimento. A disparada é uma surpresa até para a própria diretoria, que afirmou não ter nenhum fato relevante que possa servir como pano de fundo para essa alta. A única coisa que deu para identificar é que esse movimento anormal é oriundo de corretoras de varejo, comentou. Conforme dados do Profit Chart, quem lidera as compras do papel hoje é o Itaú, XP Investimentos, Votorantim e Gradual. 

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Equatorial (EQTL3, R$ 33,90, +2,26%)
Aconteceu nesta tarde na Bovespa leilão de ações da Equatorial. A operação, que foi intermediada pelo BTG Pactual, teve demanda acima do esperado. Segundo informava a Bolsa, era esperado a venda de 7,8 milhões de ações, mas, como pode ser visto pelo Profit Chart, o BTG intermediou a venda 17,8 milhões de papéis durante o leilão, que saiu por um preço também acima do previsto, de R$ 33,91, contra R$ 32,00. Embora não seja o número oficial, pode-se concluir que o leilão teve um giro financeiro de R$ 603,6 milhões.

Após a operação, os papéis da companhia passaram a subir forte. Neste momento, a alta é de 2,17%, a R$ 33,82. O volume financeiro movimentado com o papel hoje atinge R$ 748 milhões, contra média diária R$ 46,12 milhões nos últimos 21 pregões. 

Segundo informações divulgadas pela BM&FBovespa antes da operação, o BTG informou que desconhecia qualquer informação relevante sobre a empresa que não seja de domínio público e que o acionista não é controlador, integrante do bloco de controle ou membro do conselho da companhia.     

Embraer (EMBR3, R$ 23,76, -0,34%)
A Embraer assinou ontem pedido firme com a Tianjin Airlines, subsidiária do Grupo HNA, para 22 aeronaves E-Jets estimado em US$ 1,1 bilhão. Serão 20 E-195 e 2 E-190-E2. Além disso, a fabricante de aeronaves anunciou a venda de um jato executivo de médio porte Legacy 500 à Middle EastAirlines – Airliban (MEA), empresa aérea nacional do Líbano, e de um avião executivo de maior porte Legacy 650 para a alemã Air Hamburg. 

Após as notícias, o BTG Pactual revisou seu modelo da empresa para incorporar ainda o resultado do primeiro trimestre e cenário mais conservador de receita líquida para os próximos três anos (5% menor do que o anterior), o que levou a redução de 10% do preço-alvo para as ações, para R$ 40,00, mas com recomendação mantida em compra.

Even (EVEN3, R$ 4,06, -2,87%)
A Even anunciou uma reestruturação corporativa com a manutenção de Carlos Tererepins como CEO (Chief Executive Officer) e a criação de duas vice presidências de finanças e operações. A de finanças vai para Dany Muzkat, atual CFO, e a outra para João Eduardo Silva, atual COO. Segundo o Credit Suisse, a notícia é neutra para as ações da empresa.   

Randon (RAPT4, R$ 3,65, -2,41%)
Sentindo os efeitos da crise no setor automobilístico, a Randon viu sua receita líquida de abril recuar 35,3% em comparação ao mesmo mês do ano passado, indo para R$ 214,9 milhões. No acumulado entre janeiro e abril, o montante chega a R$ 911,7 milhões, queda de 29,8% ante o 1º quadrimestre de 2014. A companhia espera receita líquida consolidada neste ano de R$ 3,2 bilhões, uma queda de cerca de 15% sobre o faturamento de 2014, tendo em vista a fraqueza do mercado interno de caminhões e implementos rodoviários. 

Com a queda de hoje, as ações da montadora acumulam perdas na faixa de 23,5% em 2015, sendo que no começo de maio elas chegaram a valer R$ 3,21, o menor patamar visto desde abril de 2009.

Brasil Pharma (BPHA3, R$ 0,84, +7,69%)
As ações da Brasil Pharma disparam nesta sessão com volume acima da média, mas também sem nenhuma notícia no radar. Na máxima do dia, os papéis chegaram a subir 10,26%, a R$ 0,86. Neste momento, o giro financeiro do papel alcança R$ 3,5 milhões, contra média diária de R$ 920 mil nos últimos 21 pregões. Apesar desse movimento, os papéis figuram próximos a mínima histórica na Bolsa. Nos últimos dias, aumentaram rumores de que a empresa pudesse fazer um aumento de capital ou buscasse vender ativos para recuperar seu caixa. 

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