Vale preferida, CSN Mineração e CBA elevadas: as apostas do Santander para o setor

O banco também revisou o setor de papel e celulose e manteve as ações de Suzano como equivalente à compra, apesar das turbulências

Felipe Moreira

Caminhões transportam minério de ferro na mina Vale em Parauapebas, no Pará, Brasil (Dado Galdieri/Bloomberg)

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Em relatório, novos analistas do Santander assumiram a cobertura do setor de Metais e Mineração da América Latina, mantendo a ação da Vale (VALE3) como sua principal escolha e sua preferência pelo minério de ferro em relação ao aço.

Com isso, manteve a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de US$ 18 por ADR da mineradora para final de 2024. A visão construtiva do banco é baseada nas estimativas de preços do minério de ferro mais altos por mais tempo. A previsão é do minério de ferro custando US$ 130 por tonelada no final de 2024, com média de US$ 120/t para o ano.

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O Santander também cita a estimativa de rendimento de dividendos em torno de 8% para este ano e a maior visibilidade em relação às provisões, além da melhora operacional e seus benefícios para a diluição de custos.

Em termos de avaliação, o Santander vê a Vale negociando a 3,5 vezes Valor da firma (EV)/Ebitda para 2024, 30% abaixo da média de seus pares australianos. O Ebitda é a sigla correspondente ao lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações.

Ainda em mineração, o banco optou por elevar a classificação da CSN Mineração (CMIN3) de netro para equivalente à compra, com um preço-alvo de R$ 7,50 para o final de 2024.

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A visão positiva também é baseada em preços do minério de ferro mais altos por mais tempo e rendimentos de dividendo atraentes (aproximadamente 10%), bem como avaliação abaixo da média histórica em 3,7 vezes EV/Ebitda para 2024.

Para os produtores de aço, o banco manteve preferência pela Gerdau (GGBR4), com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 25, pois espera que continue a apresentar resultados robustos nos próximos trimestres.

Analistas comentam que a baixa alavancagem e os dividendos relativamente sólidos são pontos positivos. Além disso, a ação da Gerdau está sendo negociada a 3,3 vezes EV/Ebitda esperado para 2024, aproximadamente 35% abaixo da sua média histórica.

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O Santander também elevou a classificação da CBA (CBAV3) de neutro para outperform, com preço-alvo de R$ 10,00 para o final de 2024, devido à expectativa de uma rápida desalavancagem, a dívida líquida/Ebitda pode cair de 7,9 vezes no 1T24 para 2,1 vezes no 4T24.

Analistas também estão construtivos sobre o mercado de alumínio, pois esperam que os preços permaneçam mais altos por mais tempo. Além disso, eles vêem a CBA negociando a 5,3 vezes EV/EBITDA 2024, 27% abaixo da média de seus pares no alumínio.

Papel e Celulose

Com estimativas de alta nos preços da celulose e posição de liderança da Klabin (KLBN11) nos segmentos de embalagens, o Santander reiterou classificação equivalente à compra e preço-alvo de R$ 31.

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A visão construtiva do banco também se baseia na adição de um valor presente líquido (VPL) de R$ 12,00 por ação do projeto Puma II, expectativa de demanda mais forte por papelão e fundamentos favoráveis para aumentos adicionais de preços da celulose na China no curto prazo.

No entanto, analistas continuam a ver risco de queda nos preços da celulose para o segundo semestre de 2024. Já as ações da Klabin negociando a um EV/Ebitda estimado para 2024 de 6,9 vezes são atraentes na opinião do banco.

Para Suzano (SUZB3), o banco também manteve avaliação equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 75.

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A Suzano é ação preferida do Santander no segmento, pois possui avaliação e iniciativas de crescimento atraentes, bem como um forte balanço patrimonial.

O banco ainda comenta vê espaço para uma potencial alta do Ebitda em 2024, superando o consenso de mercado de R$ 21 bilhões e atingindo R$ 22,4 bilhões.

Em um cenário hipotético de fusão e aquisições da IP, o Santander vê a ação da nova companhia negociando próximo a 6,0 vezes EV/Ebitda para 2025. O banco destaca que, antes de qualquer notícia sobre um possível acordo entre as duas empresas Suzano e IP, que tem afetado as ações SUZB3 na Bolsa, estavam negociando a 7,1 vezes e 6,4 vezes, respectivamente. Considerando o peso de cada empresa, seria possível que o múltiplo EV/Ebitda da Nova Companhia fosse de 6,8 vezes antes do início desse potencial acordo.

Considerando esse múltiplo e uma transação consistindo de 65% de dívida e 35% de capital próprio, o preço das ações da nova companhia seria de R$ 62 por ação em comparação com o preço atual da Suzano de R$ 49 ação.