Vale e Petro mantêm liderança, mas perdem votos em carteiras para outubro

Temor na economia mundial aumenta cautela na recomendação de empresas de commodities; Telefônica Brasil divide 2º lugar

Por  Nara Faria

SÃO PAULO – O clima de incertezas diante das constantes preocupações com o desenrolar das negociações sobre a crise na Europa e o mercado receoso sobre o desempenho da economia da maior potência mundial, os Estados Unidos, fizeram com que as casas de research reavaliassem suas escolhas ao montar carteiras de recomendações para este mês, optando  por ações de companhias menos vulneráveis ao desempenho da economia global. 

Com isso, os ativos de empresas mais defensivas e ligadas ao consumo doméstico, como o setor elétrico e concessionárias de rodovias, ganharam espaço nas carteiras de recomendações para o mês de outubro. Por outro lado, empresas de commodities, que passam por um período de volatilidade devido à maior exposição ao mercado externo, acentuaram ainda mais as perdas de votos nas carteiras de recomendações, redução que já vem sendo acompanhada em carteiras de recomendação de meses anteriores

Para se ter uma ideia, as ações PNA da Vale (VALE5), que chegaram a ser recomendadas por 21 corretoras no mês de janeiro, reduziram as citações para 16 no mês de setembro. No mesmo sentido, as ações PN da Petrobras (PETR4) receberam 18 citações em janeiro de 2011, enquanto em setembro o número caiu para 13.

Já para o mês de outubro, o número de recomendações de ambas as companhias caíram ainda mais. Os papéis da Vale, apesar de terem se mantido no topo das recomendações para o mês, perderam mais três votos em relação ao mês anterior, registrando 13 citações. Enquanto isso, a Petrobras perdeu mais um voto, somando 12 recomendações para o mês de outubro.

Vale: apesar da liderança, cena externa limita recomendações
A Vale mantém há meses a liderança com a empresa mais recomendada em carteiras sugeridas pelas casas de research. Entre os motivos para isso, está o fato de ser considerada a terceira maior mineradora do mundo, além de atuar em um setor com elevadas margens de lucro e que tem se aproveitado da elevação de preços das commodities. 

Além disso, os analistas da Win Trade explicam que nos últimos anos, a Vale tem procurado diversificar sua gama de produtos, política que tem gerado bons resultados, diminuindo gradativamente sua dependência das condições do mercado de minério de ferro. 

Com isso, apesar de manter a empresa em sua carteira para outubro, a corretora alerta para o risco de uma desaceleração abrupta do crescimento mundial, que implicaria em uma queda na cotação de seus principais produtos.

Por conta disso, a Citi Corretora optou por retirar as ações da mineradora no mês de outubro, temendo a possibilidade de a instabilidade no cenário externo continuar afetando ações de empresas exportadoras de commodities.

Petrobras: falta de drivers no curto prazo
No mesmo sentido, a Win Trade explica a manutenção da Petrobras em sua carteira de recomendações pelo fato de que a empresa tem aumentado o volume de petróleo extraído, assim como suas reservas comprovadas.

Na visão da corretora,  o preço da commodity voltou a subir, aliado à redução do nível de endividamento da companhia, mantém a atratividade da Petrolífera. 

Por outro lado, a HSBC, uma das empresas que optou por excluir a empresa de sua carteira de outubro, explica que mesmo descontada em termos de avaliação, não existem drivers de curto prazo que possam fazer a ação voltar à trajetória de alta.

Além disso, o banco explica que existem dúvidas quanto à rentabilidade dos projetos (Pré-Sal e Refino), frente aos seus riscos de execução. Ademais, a interferência governamental nas decisões estratégicas da empresa foi apontada pela corretora como mais um fator de risco a ser considerado.

“Por fim, apesar de forte geração de caixa, a companhia não deverá mais ser destaque com relação à distribuição de dividendos ao longo dos próximos anos” avalia a equipe de análise do HSBC.

Telefônica Brasil sobe no ranking de recomendações
A redução de número de recomendação para a Petrobras fez com que a empresa do setor petrolífero dividisse no mês de outubro a segunda colocação com a Telefônica Brasil (VIVT4), companhia que, por sua vez, ganhou espaço entre as recomendações pelo fato de ser considerada uma empresa mais consolidada e parte de um setor menos dependente do desempenho da economia externa. 

De acordo com a equipe de análise da Geral Investimentos, entre os fatores que colaboram com a atratividade da Telefônica Brasil é o fato de a companhia ter incorporado recentemente a Vivo, de modo a integrar suas operações e otimizar resultados. “Com a incorporação da Vivo, empresa de telefonia móvel com maior market share do mercado, a Telefônica Brasil ganha um viés de maior crescimento, com perspectivas bastante positivas”, explica.

Além disso, na visão da corretora, a Telefônica Brasil sempre teve um bom histórico de dividendos e manteve seu crescimento constante ao longo dos anos. “A companhia tem características defensivas, pois é voltada para o mercado interno e não é dependente de crédito, sendo, portanto, uma boa opção de investimento em um cenário de maior volatilidade”, conclui.

Em complemento, na Spinelli Corretora, o setor de telecomunicações deve apresentar, a partir de 2012, expansão da telefonia móvel com a Petrobras, junto a outras companhias, interessada no modelo de operadoras móveis virtuais.

Compartilhe