Destaques da Bolsa

Vale cai 4%, Gafisa dispara 7,5% e ação de construtora “volta” com queda de 19%

Confira abaixo a atualização das principais ações da Bovespa nesta quarta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa registrou mais uma sessão negativa em meio à queda das commodities que puxam as ações da Petrobras, Vale e siderúrgicas, que correspondem às maiores participações do índice. Além disso, uma pane parcial no sistema de negociações da Bolsa de Nova Yorkm, que ficou paralisada por 3 horas e meia, retirou parte da liquidez do mercado brasileiro nesta tarde. 

Destoou do movimento de queda da maioria dos papéis do Ibovespa a Ecorodovias, que aparece entre os maiores ganhos do índice e sobem 4%, tendo como pano de fundo um possível fim do ciclo de alta da Selic. Confira abaixo os principais destaques da Bovespa nesta sessão:  

Petrobras (PETR3, R$ 12,98, -1,37%; PETR4, R$ 11,55, -1,95%)
As ações da Petrobras intensificaram a queda durante a tarde em meio à movimentação dos preços do petróleo. O petróleo WTI, negociado no Texas, caía 1,38%, a US$ 51,61, enquanto o Brent, cotado em Londres e usado como referência pela estatal, encerrou em leve alta após subir 0,37%, a US$ 57,06.  

No radar da estatal, a argentina YPF está preparando oferta pelos ativos da Petrobras na Argentina após receber carta-convite, disseram duas pessoas com conhecimento direto do assunto à Bloomberg. Além disso, o Valor informou que oito empresas foram convidadas para conhecer a Gaspetro, companhia que reúne os ativos de distribuição de gás da Petrobras, mas a disputa deve ficar mesmo entre a japonesa Mitsui e a chinesa Beijing Gas. 

Vale monitorar também a proposta de desobrigar a Petrobras de ser a operadora única e ter participação mínima de 30% dos consórcios de exploração no pré-sal. Na avaliação de parlamentares favoráveis à mudança, a estatal não tem mais condições de arcar com os bilionários investimentos na extração do óleo em águas profundas.

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale e siderúrgicas voltaram a intensificar as perdas registradas juntamente com o restante do mercado. Esses papéis, em específico, recuaram em meio à queda de 10% do minério de ferro nesta quarta-feira. A commodity entregue no porto de Qingdao, na China, bateu hoje o menor patamar desde 2009. Essa foi a décima queda seguida do minério, período que já acumula desvalorização de 28%. 

Na Bolsa, as ações da Vale (VALE3, R$ 17,16, -4,29%; VALE5, R$ 14,54, -4,03%), Bradespar (BRAP4, R$ 9,70, -3,00%), holding que detém forte participação na mineradora, e as siderúrgicas CSN (CSNA3, R$ 4,65, -5,10%), Usiminas (USIM5, R$ 4,03, -3,36%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,86, -2,28%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,32, -3,10%) fecharam no negativo. O movimento foi acompanhado pelas outras mineradoras cotadas lá fora: BHP Billiton (-2,31%) e Rio Tinto (-3,05%).

Gafisa (GFSA3, R$ 2,44, +7,49%)
A companhia destoou do movimento do índice se favorecendo da expectativa de um possível fim no ciclo de alta de juros, principalmente após o resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de hoje.

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 66,80, -3,62%)
As ações do Pão de Açúcar caíram forte hoje, na sua nona queda em dez pregões. Com isso, os papéis bateram no menor patamar desde janeiro de 2012. A empresa de consultoria do ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci, a Projeto Consultoria Financeira, firmou contrato com escritório de advocacia de Márcio Thomaz Bastos para em conjunto prestar serviços às negociações que o Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) realizou para a fusão com as Casas Bahia, disse nesta quarta-feira a assessoria de imprensa do ex-ministro. O Pão de Açúcar teria pago R$ 8,5 milhões a Marcio Thomaz Bastos de 2009 a 2011. Desses, R$ 500 mil correspondem a serviços cuja prestação foi possível confirmar, na área de atuação do escritório de advocacia. 

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Na terça-feira, o Grupo Pão de Açúcar informou que um comitê de auditoria da empresa não encontrou evidências de prestação de serviços relacionados a pagamentos de 8 milhões de reais feitos ao escritório de advocacia de Márcio Thomaz Bastos entre dezembro de 2009 e maio de 2011. A companhia controlada pelo grupo francês Casino afirmou que os pagamentos totais ao escritório do ex-ministro da Justiça, que morreu em novembro de 2014, somaram R$ 8,5 milhões. Desse valor, apenas 500 mil reais corresponderam a serviços cuja execução foi “possível confirmar, na área de atuação daquele escritório de advocacia”.

Ecorodovias (ECOR3, R$ 7,48, +2,75%)
Beneficiadas por um possível fim de alta na taxa de juros, as ações da Ecorodovias apareceram entre as maiores altas do Ibovespa nesta sessão. Uma reportagem do Valor desta manhã apontava que o Banco Central está preparando o fim do ciclo monetário. A companhia se favorece da notícia por ganhar entre a diferença dos juros pagos em sua dívida e sua TIR (Taxa Interna de Retorno). Isto é, essas empresas de concessões precisam de dinheiro para investir e fazem isso pois tem sua TIR (Taxa Interna de Retorno) acima da juros pagos pela dívida. Quando o juros sobem, essa diferença diminui, sendo ruim para elas.

Ou seja, a notícia de hoje pode ter caído como uma luva para empresas com esse perfil, que tem na lista ainda CCR (CCRO3, R$ 15,11, -0,53%) e as companhias administradoras de shoppings BR Malls (BRML3, R$ 14,42, +0,70%), Multiplan (MULT3, R$ 46,60, -1,48%) e Iguatemi (IGTA4, R$ 25,18, -0,79%). 

Veja mais em: Selic a 15? Veja as ações que mais perdem com isso – e outras que são beneficiadas

Exportadoras
As ações da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 23,99, +2,48%) apareceram entre as maiores altas do Ibovespa, puxadas pelo dólar, que avançou 1,28%, a R$ 3,22, nesta sessão. Apesar da alta, a moeda americana desacelerou os ganhos após a última ata do Federal Reserve reforçar a dúvida se o Banco Central americano elevará de fato os juros esse ano. 

Em meio a isso, os papéis das empresas de papel e celulose Suzano (SUZB5, R$ 16,04, -0,62%) e Fibria (FIBR3, R$ 40,80, -0,73%), que também ganham com o dólar mais caro e registravam ganhos mais cedo, viraram para perdas durante a tarde.   

BRF (BRFS3, R$ 69,60, +0,77%)
As ações da BRF voltaram a subir hoje depois de disparada de 5,2% ontem. O fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, Petros, informou que não houve qualquer decisão de desinvestimentos ou investimentos na reunião do conselho de segunda-feira. O mercado especulava que o fundo pudesse reduzir sua exposição na companhia. 

Além disso, uma matéria do Valor destacou o bom momento da indústria de frango, beneficiada pelo patamar confortável das cotações de grãos. As empresas de frango iniciam o segundo semestre com margens bem acima da média histórica brasileira.  

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Copel (CPLE6, R$ 34,50, +0,44%)
As ações da Copel subiram pelo segundo dia seguido, apesar do mau humor do mercado. Uma matéria do Valor apontou que as empresas querem ser operadoras de concessões vencidas, sem relicitação. Em evento realizado ontem em São Paulo, o secretário de energia do Estado também sinalizou que a Cesp não desistiu de manter as concessões de Jupiá e Ilha Solteira, que venceram dia 7 de julho. “Estamos conversando com o ministério para verificar uma forma em que a Cesp (CESP6, R$ 19,90, +0,35%), Cemig (CMIG4, R$ 10,96, -1,70%) e Copel possam encontrar uma alternativa mais razoável para esses ativos”, disse. 

Direcional (DIRR3, R$ 4,64, +1,31%)
A incorporadora e construtora Direcional viu suas vendas com lançamentos subirem em 793% no segundo trimestre na comparação com o trimestre imediatamente anterior, segundo sua prévia operacional divulgada ontem à noite. A alta deve-se ao lançamento dos empreendimentos Splendido, Setor Total Ville e Villa São Francisco, que juntos somaram um valor geral de vendas no período de R$ 174,3 milhões, contra R$ 20 milhões no trimestre anterior. O montante, no entanto, é 24% menor do que o registrado no 2° trimestre de 2014. 

Sultepa (SULT3, R$ 0,37, -13,95%; SULT4, R$ 0,34, -19,05%)
As ações da construtora Sultepa voltaram a ser negociadas na Bovespa em forte queda. Na segunda-feira, a companhia informou que ajuizou pedido de recuperação judicial em caráter de urgência, em conjunto com outras empresas do grupo. Desde sexta-feira, os papéis da companhia estavam “congelados” na Bovespa.

Fertilizantes Heringer (FHER3, R$ 2,42, +17,48%)
O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou, sem restrições, a compra de 9,5% do capital da Fertilizantes Heringer pela PCS Sales, subsidiária da canadense Potash Corporation. O negócio foi anunciado em março e envolve cerca de US$ 55,7 milhões e um acordo de acionista que está classificado como de “acesso restrito” nos documentos do Cade. No anúncio do acordo, a Potash disse que o negócio permitiria um compromisso de longo prazo de suprimento de matérias-primas à empresa brasileira. Segundo o Cade, a operação não acarreta prejuízos ao ambiente concorrencial e mesmo as concorrentes da Heringer, consultadas durante o processo, não apontaram que o negócios possa trazer problemas.