UBS acerta compra do Credit Suisse por US$ 3,2 bilhões

Acionistas do Credit Suisse receberão 1 ação do UBS para cada 22,48 ações do Credit detidas, o que equivale a um valor de 0,76 francos suíços por papel

Rodrigo Tolotti

Prédio do Credit Suisse em Londres (Dan Kitwood/Getty Images)
Prédio do Credit Suisse em Londres (Dan Kitwood/Getty Images)

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O UBS concordou em comprar o Credit Suisse depois de triplicar sua primeira oferta, em um acordo mediado pelo governo com o objetivo de conter uma crise de confiança que ameaçava se espalhar pelos mercados financeiros globais.

“Com a aquisição do Credit Suisse pelo UBS, foi encontrada uma solução para garantir a estabilidade financeira e proteger a economia suíça nesta situação excepcional”, diz um comunicado do Banco Nacional da Suíça, que observou que o banco central trabalhou com o governo suíço e a Autoridade de Supervisão do Mercado Financeiro Suíço para promover a fusão dos dois maiores bancos do país.

Com os termos definidos, os acionistas do Credit Suisse receberão 1 ação do UBS para cada 22,48 ações do Credit detidas, o que equivale a um valor de 0,76 francos suíços por papel, para um total de 3 bilhões de francos (ou US$ 3,2 bilhões), disse o UBS em comunicado. O acordo criará uma gestora global de patrimônio com US$ 5 trilhões em ativos investidos.

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O valor fechado no acordo ainda é bem abaixo do preço de fechamento do Credit Suisse de 1,86 francos suíços na sexta-feira, cotando o banco em 7,4 bilhões de francos suíços.

O Banco Nacional da Suíça prometeu um empréstimo de até 100 bilhões de francos suíços (US$ 108 bilhões) para apoiar a aquisição. O governo suíço também concedeu uma garantia para assumir perdas de até 9 bilhões de francos suíços de certos ativos acima de um limite predefinido “a fim de reduzir quaisquer riscos para o UBS”, diz um comunicado do governo.

“Esta é uma solução comercial e não um resgate”, disse Karin Keller-Sutter, ministra das finanças suíça, em entrevista coletiva.

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Nesta manhã, o Financial Times informou que tinha sido feita uma proposta de até US$ 1 bilhão pelo negócio, mas a Bloomberg em seguida afirmou que o Credit não concordava com o acordo por achar o valor muito baixo, tendo o apoio de seu principal acionista, o Saudi National Bank.

Segundo fontes disseram ao FT, o UBS concordou com o abrandamento de uma cláusula que anularia o acordo se seus spreads de inadimplência de crédito aumentassem.

O governo está preparando medidas de emergência para acelerar a aquisição e planeja introduzir uma legislação que contornará o período normal de consulta de seis semanas exigido para os acionistas do UBS para que o acordo possa ser selado imediatamente. Algumas das fontes, porém, criticaram esse plano.

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O presidente do UBS, Colm Kelleher, já avisou que irá reduzir o tamanho do banco de investimento do Credit, unidade que tem registrado perdas nos últimos anos. “Deixe-me ser muito específico sobre isso: o UBS pretende reduzir o tamanho do negócio de banco de investimento do Credit Suisse e alinhá-lo com nossa cultura conservadora de risco”, disse Kelleher em coletiva.

Os bancos de investimento combinados UBS e Credit Suisse não terão mais de 25% do total de ativos ponderados pelo risco da entidade ao longo do tempo, disse o executivo. Essa proporção era de cerca de 30% no Credit Suisse no final de 2022.

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.