Resultados impactam humor dos investidores e trazem leve queda às bolsas

Apple e IBM são destaques negativos em Wall Street; atenção também à agenda de indicadores e ao mercado cambial

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SÃO PAULO – A temporada de divulgação de resultados corporativos tem sido o destaque nos mercados nas últimas sessões, e nesta terça-feira (19) não é exceção. Dessa vez, no entanto, os números não agradaram investidores e, com isso, o dia começa negativo em Wall Street e nas bolsas europeias.

A principal referência desfavorável aos negócios vem da Apple. A companhia reportou bons ganhos no terceiro trimestre, mas revelou projeções de lucro de US$ 4,80 por ação nos três últimos meses deste ano, abaixo dos US$ 5,03 previstos por analistas. Em resposta, suas ações caem mais de 5% no pré-market.

A reação negativa às declarações da Apple estende-se também por outros papéis do setor de tecnologia, inclusive do outro lado do Atlântico. É o caso da britânica ARM Holding, fabricante de chips para diversos produtos da Apple, que assiste seus ativos caírem quase 3% na bolsa Londrina.

Wall Street
A Apple não é a única a impactar o humor dos investidores. A IBM registrou no terceiro trimestre deste ano um lucro líquido de US$ 3,59 bilhões e vendas de US$ 24,3 bilhões, ambas as cifras superando as projeções do mercado. Entretanto, a assinatura de novos contratos e serviços caiu 7%, o que traz uma queda de mais de 3% às suas ações nesta manhã.

O clima tenso ao redor do noticiário corporativo deve ser a tônica do mercado norte-americano nesta terça-feira. Isto porque, ainda nesta manhã, antes da abertura das bolsas em Wall Street, estão previstas divulgações de resultados trimestrais de peso, como os do Goldman Sachs, Bank of America e Johnson and Johnson. Após o fechamento dos negócios no pregão regular, atenção ao anúncio das performances contábeis da Coca-Cola e Lockheed Martin.

Por ora, os índices futuros do S&P 500, Nasdaq e Dow Jones operam em queda de 0,07%, 0,84% e 0,09%.

Agenda de indicadores
Embora a safra de resultados seja a principal referência no andamento dos negócios nesta terça-feira, o investidor não pode descuidar da agenda de indicadores econômicos lá fora. Às 10h30 de Brasília, saem nos EUA os números de setembro do Housing Starts e do Building Permits.

Segundo as expectativas do mercado, o número de casas em início de construção nos EUA deve ter caído em cerca de 20 mil imóveis na passagem de agosto para setembro. De forma semelhante, a projeção também é de queda no montante de autorizações para novas construções.

Do outro lado do Atlântico, o cenário econômico também chama atenção. O nível de confiança do investidor alemão nos rumos de sua economia registrou neste mês de outubro seu menor nível dos últimos 21 meses. A valorização do euro foi apontada como uma das principais preocupações.

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Papéis na Europa
Por falar em Alemanha, o noticiário por lá não é mesmo favorável. Da agenda ao front corporativo, o CEO (Chief Executive Officer) da Volkswagen, Martin Winterkorn, disse que a fusão entre sua companhia e a Porsche deve ser adiada, até que questões jurídicas e tributárias sejam resolvidas. As ações da Porsche despencam quase 4% na bolsa de Frankfurt.

Em contrapartida, o setor financeiro é destaque de alta no mercado europeu. Os papéis do Deutsche Bank sobem 2,8% e os do Banco Santander, 2,9%, em movimento de ajuste às recentes perdas. Outra ação que desponta entre as maiores valorizações é a da SKF. A companhia sueca anunciou a aquisição da norte-americana Lincoln Industrial por US$ 1 bilhão e vê seus papéis dispararem mais de 10%.

Câmbio
Por fim, o mercado cambial também conquista lugar de destaque nas manchetes dos jornais nesta terça-feira. Na noite passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nova elevação da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para investimento estrangeiro em renda fixa, a fim de conter o movimento de alta do real. A alíquota passou de 4% para 6%.

Lá fora, o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, afirmou que “os EUA não entrarão em uma escalada de disputas cambiais” e que “trabalharão arduamente para preservar a confiança dos investidores em um dólar forte”. Nesta terça-feira, a moeda norte-americana reage, mostrando alta frente às principais divisas do mundo.