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O que pensa o ex-diretor do BC que acha que o Copom deveria reduzir a Selic

"Acho mais palatável aceitar a inflação acima do teto da meta do que uma depressão econômica", afirma

Alkimar Moura
(Reprodução Youtube)

SÃO PAULO - Para muitos economistas, o Copom (Comitê de Política Monetária) deveria ter elevado a taxa Selic em 0,5 ponto percentual na quarta-feira (20) para conseguir manter a sua credibilidade em meio a notícias de interferências políticas no Banco Central. No entanto, também há quem pense radicalmente o contrário, que a autoridade monetária deveria, na verdade, reduzir a taxa de juros. 

Este é o caso do ex-diretor de Normas do BC, Alkimar Moura, que esteve na instituição durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Ele havia dito em entrevista para o blog Na Real que a recessão da economia é tão forte que o que deveria ocorrer é uma redução da taxa de juros. 

Procurado novamente pelo InfoMoney, Moura reiterou acreditar que seria um erro subir as taxas de juros. Segundo ele, o BC tem dois objetivos fundamentais: deixar a inflação dentro da meta e manter a economia crescendo no mesmo ritmo do crescimento demográfico. Diante disso, ele acredita que um aumento seria sonegar este segundo objetivo. "Não faz sentido subir os juros agora, seria matar o doente moribundo", afirma. 

Para ele, um aumento da Selic agora teria muito pouco impacto na redução da inflação, já que grande parte dela vem do reajuste de preços administrados como as tarifas de transporte. Em contrapartida, o efeito no PIB (Produto Interno Bruto) é muito relevante. "Acho mais palatável aceitar a inflação acima do teto da meta do que uma depressão econômica", afirma.  

No entanto, ele não acredita que o BC reduziria a inflação. "Reduzir seria um gesto mais agressivo. Não sei se teríamos como fazer isso agora", disse.

Na opinião de Moura, o mais importante atualmente não é a política monetária, mas a fiscal, e é por meio de ajustes neste ponto que a economia brasileira poderá voltar a andar nos trilhos. "Temos que tentar diminuir mais ainda os gastos públicos", explica. 

 

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