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Mercado "duvida" de Banco Central e DIs sobem forte antes de ata do Copom

Estamos diante do fim do ciclo de altas de juros? alguns agentes no mercado já começam a duvidar da sinalização da última comunicação do BC

Alexandre Tombini - presidente do BC
(Antônio Cruz/ABr)

SÃO PAULO - Os analistas foram praticamente unânimes nas interpretações do último comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária). O texto que mudou para falar em "manutenção" do patamar atual da taxa de juros em 14,25% significou na opinião de quase todo mundo que o Banco Central iria parar com o ciclo de aumento da Selic. No entanto, se no discurso é isso que está aparecendo, na prática, pode ser que as opiniões estejam mudando. 

Na véspera da divulgação da Ata do Copom, a valorização recente do dólar leva o mercado de juros futuros a não apostar todas as fichas na ideia de que o ciclo de alta da Selic acabou. "Acostumado" a prever os próximos passos do BC, os contratos de DI têm forte alta hoje, principalmente os mais longos, revertendo, em parte, o movimento que tiveram depois da última reunião do Copom, quando despencaram em meio à sinalização de fim do ciclo de elevações. 

O DI futuro para janeiro de 2017 foi de 13,47% para 13,76%. Já os de janeiro de 2018 e de 2019 subiram respectivamente 0,43 ponto percentual e e 0,47 ponto percentual desde à decisão da autoridade monetária. O DI para janeiro de 2021, mais longo, e com maior liquidez, subiu 0,39 p.p., e agora opera em 13,19%. 

Ouvido pela Bloomberg, o sócio-gestor da Modal Asset Management, Luiz Eduardo Portella, disse que o mercado não vai dar chance zero de nova alta por conta da valorização do dólar e das incertezas políticas.

Como o aperto monetário tem sido usado principalmente para combater a inflação e o efeito de um câmbio mais depreciado (mais moeda nacional circulando na economia) é mais inflação, o BC poderia ser obrigado a elevar mais os juros com o objetivo de reduzir este impacto. 

Além da alta do dólar, a decisão do governo de cortar a meta fiscal também ajuda a gerar dúvidas no mercado, dado que BC contava com uma política fiscal neutra caminhando para o lado contracionista, diz Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra. 

No entanto, João Pedro Brugger, economista da Leme Investimentos, acredita que não há fundamento deste tipo na alta de hoje. Para ele, os movimentos do DI são mais puxados pela aversão ao risco em um momento no qual o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) parece cada vez mais possível. "Acho que a elevação dos DIs mais longos é pela crise política. No curto prazo, realmente, a política monetária do BC está mais bem definida", avalia.

Para tirar a prova, apenas ficando atento à ata do Copom amanhã. O documento deverá mostrar de uma vez por todas se o Copom acabou com o novo ciclo de aumentos de juros ou se alguns agentes do mercado fazem bem em duvidar. 

 

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